17.5.12

A Tarte de Maçã

Depois de ter contado aqui o que me aconteceu com as «Margaridas», e do imbróglio em que meti com essas duas «maganas», não vejo motivo para não contar uma outra aventura que foi boa enquanto durou e cujo epílogo cómico/dramático, deixou o Zé com zumbidos durante algum tempo. Pelo menos o tempo suficiente até arranjar outra que fizesse esquecer aquela. Lá diz o velho ditado, que, doenças do coração tratam-se arranjando outro cão.  
O Zé atirou-se de cabeça para os braços de uma jogadora de basket, de um clube da margem norte do rio Sado. Não sei se conhecem a cidade do Sado. É simpática, exercendo forte atracção sobre o rio, cujas margens estão cheias de encantos, florescendo arborização fascinante pela influência da proximidade da Serra da Arrábida. As suas praias, Figueirinha, junto ao Sanatório do Outão, Coelho no sopé da Serra e Troia do outro lado na Foz do Sado, o seu cais pesqueiro, o ser Mercado/abastecedor da cidade,e as tascas que o circundam são motivos que nos fazem ter lembrança de voltar para apreciar em pormenor tão bonita Cidade. Acaso já estiveram na esplanada do Forte de S. Filipe? O nosso espírito fica mais leve e quando partimos levamos gravados na retina aquelas extraordinárias imagens. Portanto durante todo o tempo que durou aquele devaneio, foram estes os sítios onde sonhamos acordados. Primeiramente as coisas começaram em segredo e a partir de certa altura, o Zé foi apresentado à mãe da Rosa. (nome alterado) Passei a acompanhar a equipa de Basket, quando esta visitava  o adversário no seu terreno, e, expondo-me, passei a ser o alvo de observação atenta, presumivelmente de algum concorrente amoroso.
A minha fama, não chegava aos calcanhares do Brandy "Constantino", porque esse, como sabem, já vinha de longe. Mas para uma mãe, atenta e conhecedora da vida, cheirava-lhe a esturro a paixão "assanhada" da sua menina. Tratou de se por em campo, soube que eram intermináveis as aventuras amorosas do rapaz e passou a magicar na maneira com havia de destruir a afastar de vez, tão incómodo "moscardo".
Até que chegou a véspera da Páscoa. Apresentei-me nos "trinques", estava bom tempo, dissemos à mamã que íamos dar uma volta junto ao cais, peguei no carro e fomos ver o Convento situado em plena Serra da Arrábida, local idílico, entre vegetação única no Mundo e longe de olhares indiscretos.
Quase ao por do sol, voltamos, tendo a Rosa faltado ao almoço e a horas de poder ajudar a mãe nas últimas compras afim de no outro dia comemorar a data festiva, como se impõe aos bons cristãos.
Já a contar com isso, o Zé tinha comprado uma tarte de maçã de kg sendo sua intenção estar presente, na
festividade da ressurreição de Cristo. Faltou-nos os argumentos para justificar a chegada tardia, e estando a progenitora já farta da minha presença, pega na tarte e dá-me com ela na cara, besuntando a cara da filha com a parte que lhe ficou na mão, acrescentando ao acto, "Gira, gira daqui, que você não é flor que se cheire".
A Rosa desata a chorar sem saber o que fazer, eu incrédulo, todo sujo, recebo como uma ordem de um sargento mal-encarado: Você para não ir para a rua fazer má figura, vá à casa de banho, lave essa fuça, vá embora e desampare a loja da minha filha.
Mesmo com o desaire da batalha perdida, ainda ofereci um camelo de cabedal que tinha trazido de uma viagem a Marrocos na esperança de ganhar a Guerra, mas ela fez a devolução do animal, talvez pensando que necessitava dele para fazer a travessia do deserto de Sáara.
Não havia nada a fazer, o assunto tinha morrido, o Zé já andava a pedi-las à muito, restando-lhe a consolação de ao menos, forçado é certo, ter provado o bolo, de maneira tão insólita, comprado com tanto carinho e amor no "Castanheira" da rua Eugénio dos Santos em Lisboa. (Hoje, Portas de Santo Antão, ou rua do Coliseu). Constatei que "ninas" com nomes de flores, só me davam complicações e esta até tinha espinhos. Serviu-me de emenda? Só com o tempo se saberá.

3.5.12

Quase...





Uma historia verídica com um melzinho à mistura.
Asdrúbal Venceslau nasceu num pequeno lugar de um Concelho do Distrito de Setúbal, a uma centena de metros de uma fábrica que transformava pescado em farinha.
Seu pai era lá trabalhador e ao Asdrúbal não foi difícil habituar-se aqueles cheiros esquisitos, às vezes mesmo nauseabundo que em certos dias saiam da instalação fabril onde o progenitor ganhava amargamente o pão de cada dia para sustentar a família.
Andou na primária, apanhou réguadas na D. Emília, tirou a 4ª classe e evidentemente com uma cunha do pai, lá foi trabalhar para a Sereia - Fabrica de Adubos Organicos, assim se chamava a Fábrica.
Não foi moço de aventuras na juventude, até que, casou, fazendo a sua vida de pobre, trabalho casa e casa trabalho, comprou os alimentícios a cão, registado no rol do merceeiro - Loureiro, que às vezes por engano no acerto das contas semanais, somava também a data. A vida monótona do trabalhador escravo, fê-lo velho no aspecto e na idade. Mas o azar nem sempre está atrás da porta e a mulher do Asdrúbal que trabalhava numa corticeira sueca, que por sinal a empresa Amorim. comprou para desmanstelar, e onde nesses terrenos um clube desportivo de Lisboa, que veste de vermelho, tem um campo de futebol, comprou a um cauteleiro de rua, dois décimos de bilhete de lotaria, que foram bafejadas com a sorte grande.
O casal não tinha filhos, mas aquelas notas que não eram esperadas fizeram milagres, e a Maria passou a ir 2 vezes por semana à cabeleireira, iam de taxi jantar à Floresta do Ginjal a Cacilhas, ficando sempre bem perto da varanda para desfrutar da magnifica vista da Lisboa Nocturna.  O tempo na sua corrida louca não respeita ninguém e aqueles dois pobres/ricos, viram-se com  mais de 80 anos, não obstante a Maria dizer perante as outras clientes da cabeleireira que ainda estava para as curvas e sentia que ainda tinha as carnes frescas.
Até que, inesperadamente, chegou a vez de entregar a alma ao criador. Teve um velório sem carpideiras e pouca gente a acompanhou ao cemitério.
E o Asdrúbal Venceslau, viu a vida a andar para trás, deu ais, magicou e resolveu não viver a resto da vida sozinho. Tinha que arranjar alguém para sua companheira, mas alguém que não fosse empecilho, porque para isso já bastava ele. Procurou, bateu as povoações limítrofes apreciando "mulheriu", gastou solas de sapatos e finalmente descobri uma jovem bonita e atraente, que se dispôs a viver com ele, desde que casassem e ele passasse a usar o nome de Venceslau, dado o Asdrúbal ser o nome que usava quando era casado com a Maria.
O Venceslau não esteve com meias medidas, aceitou tudo de bom agrado e até pensou fazer uma "despedida de Viúvo". Não seria caso insólito, mas as pernas já estavam trôpegas, resolvendo em contra partida fazer uma festa de arromba, convidando toda a malta da terceira idade sua conhecida para estarem presentes no casamento.
Foi uma festa brilhante e toda a gente estava espantada com a ligeireza com que ele se movia, abraçando a torto e a direito os presentes. Numa Agência, acompanhada da nubente, marcou a lua de mel numa viagem à velha Itália. Dinheiro fresco é o que faz em casa de gente pobre.Vesúvio, Roma, Milão, Veneza, Capri, enfim um passeio de sonho, especialmente para quem acaba de casar em segundas núpcias.
Quando regressaram, os amigos velhos como ele. acorreram a sua casa  interessados  em saber como tinha decorrido a viagem, prontificando-se imediatamente o Venceslau a exemplificar o quanto tinha sido maravilhoso tudo quanto viram e quanto estava orgulhoso quando  italianos jovens miravam com olhos cheios de cobiça aquele belo bocado de "Xixa" que o acompanhava. A felicidade e o entusiasmo que o Venceslau punha em tudo quanto contava, levou um dos amigos mais atrevido a perguntar-lhe, sobre sexualidade.
Os olhos do Venceslau ficaram mais brilhantes e pareciam que sorriam, tentando explicar detalhadamente que quase fizeram todos os dias.
E em pormenor ia explicando. Como sabem, fomos de avião para Milão, viagem um pouco acidentada pelo medo que tivemos, dado ser a primeira vez. Mas, chegados ao Hotel, comemos comida muito boa, enfia-mo-nos na cama, estávamos um pouco cansados, pois mesmo assim quase que fizemos. No outro dia pela manhã a minha noiva estava fascinante, passeamos por aqui e por ali, vimos museus, a Catedral, de à noite , atirei-me a ela com tanta gana, que quase que fizemos. No outro dia partimos para Veneza.
Que Cidade, que passeio delicioso, andei sempre agarradinho a ela, comemos coisas que jamais esperava e depois quando chegamos ao Hotel, tomei um banhinho com sais cujo cheiro era embriagador, lavou-me as costas, dei-lhe muitos beijinhos e.... quase que fizemos.  Estão a perceber, não estão, quase que fizemos todos os dias.
Um ano depois, quase que fazendo todos os dias, deitou o homem abaixo, finou-se... arranjaram-lhe um buraco ao lado da Maria. A viúva resolveu casar com um moço da sua idade, foram felizes e gastaram o resto das notas saídas à Maria nos dois décimos comprados à porta da C.G. Wicander, a Corticeira Sueca.













16.4.12

Troia



Agora Tróia é assim

Não venho aqui falar do Cavalo de Tróia, mas sim de Troia, aquele sítio magnifico com uma praia que se estende até Sines e que, de Setúbal, do Outão, da Figueirinha e da Serra da Arrábida se aprecia com prazer.
Nos anos 60, Tróia era deserta e selvagem. O que por lá havia eram muitas pequenas barracas de madeira, que o "teso" instalava para passar uma férias, gozando e aproveitando as belezas de uma das mais belas praias de Portugal. Assim, as viagens para lá eram feitas somente aos sábados e domingos, com partidas de Setúbal e mesmo assim em horários muito condicionados.
Quem fosse fazer um fim de semana e não apanhasse o ultimo barco de Domingo, estava frito, só tinha duas maneiras de poder voltar. Ou alguém que tivesse um barco para lhe dar boleia, ou vir a pé dando a volta por Alcácer do Sal. Tinha no entanto inúmeros encantos. É que estava uma semana completamente sozinho, num paraíso, (télélés ainda não estavam descobertos), Setúbal ali tão perto, mas o rio Sado impedia. Pescava para comer, tinha oportunidade de apanhar uns «robalitos, navalhas, santolas, caranguejos», e a água ou se prevenia antecipadamente levando um barril, ou fazia um buraco nas dunas e servia-se da que encontrava por infiltração nas areias, deixando por isso de ser tão salgada.
Os wc das barracas de madeira e até das tendas de campismo daqueles que se aventuravam a ficar por lá, eram as dunas e/ou atrás das «barracame». Claro que o dono da barraca, não fazia atrás da sua, por questões óbvias. Faziam sempre atrás das barracas dos outros. Os campistas montavam as tendas ás vezes bem grandes, as chamadas familiares, na própria praia e deixavam-na montada até ao próximo fim de semana ou cediam a um amigo para na sua ausência a aproveitar .
Tive um companheiro de trabalho, que sabendo que um seu amigo tinha lá uma tenda montada todo o ano e muito tempo sem a usar, emprestou-me a dita, sem dizer nada ao seu dono e também sem me dizer que não era ele o dono. Só que o dono tinha outros amigos que faziam o mesmo. Portanto em face da oferta, preparei todos os apetrechos necessários para uma boa semana de campismo de praia selvagem. Que delicia, que experiência inolvidável, pensava eu. Aliciei e tratei de convidar uma das minhas namoradas chamada Margarida, que mais tarde me fez a «folha» nos jardins do Alhambra em Granada, conforme aqui relatei no meu texto de 15/7/08 «Margaridas Portuguesas nos Jardins do Alhambra» e lá partimos rumo a Setúbal, fazendo a travessia do Rio Sado num barco igual aos Cacilheiros da travessia do Tejo.
Alongamos desde o cais de atracagem até à praia com a tralha e depois de localizada a casa de pano e corrermos o fecho "ecler" da porta, tivemos a primeira decepção.
Aquela tenda, há um mês ou mais que servia de "WC" aos residentes da Troia. A minha expectativa e o meu bom humor ficou desvanecido. As pétalas da Margarida, começaram a murchar (não era com certeza por falta de adubo, era por adubo a mais), cocei a careca, e quando um passante residente, se meteu comigo e perguntou: Então amigo está tudo bem? Olhei para ele e respondi a rir. Está um bocado desarrumado, não haja duvida. Pedi-lhe ajuda e pegando nos mastros levamos a casa para 100 metros de distância, praia fora. Pelo caminho ia pensando que se calhar este samaritano também ia lá arriar as calças.
Deixamos o recheio ao sol a tostar na esperança que a maré subisse, ou chegasse o batalhão de limpeza biológica, que naquele caso teria de ser uma boa centena de escaravelhos. Teriam entretimento até ao fim da época balnear. Tivemos ainda de lavar a bainha duma parte da tenda, pois um dos utilizadores deixou-lhe uns salpicos intestinais.
Na apanha dos canivetes, demos cabo dos nossos dedos, alguns com golpes profundos e como as dificuldades aguça o engenho, com um arame e sal resolvemos o problema. Todavia tivemos mais sorte na apanha das santolas e caranguejos. Estes, gulosos por rabos de bacalhau ou cabeças de peixe espada eram presas fáceis com auxilio de um cordel.
Gostei tanto e a Margarida também, que só voltei a Tróia, quando estava a ser explorada pela Torralta.

6.4.12

Histórias Veridicas de Tempos Modernos




Através de um jornal de Barcelona tive conhecimento destas histórias, que além de ter a sua graça tem também o oportunismo de sempre.O Ministro das Obras Públicas do País vizinho foi com os seus secretários visitar prisões e escolas primárias a necessitarem de obras.
Começaram pelas prisões, e diga-se, estavam um horror. Degradadas até mais não, coisa que já vinha do tempo do ditador "Franco". O Ministro concordou que efectivamente necessitam de obras urgentes, mandando os Secretários tomarem nota das obras a efectuarem imediatamente. Paredes arranjadas, casa de banho forradas a mármore, torneiras das mais caras e modernas da Roca, sanitários de boa qualidade, camas com colchões de super-espuma, aquecimento Central e.. condições para os presos se considerarem em conforto absoluto, televisão a cores de todos os canais disponíveis, não obstante serem a pagar. Comida de carne ao almoço e peixe fresco ao jantar, visita feminina 3 vezes semana. Um representante dos presos chegou mesmo a botar palavra dando um elogio, por finalmente o governo dar atenção às suas petições.
Passaram de seguida a apreciar as necessidades das escolas, onde até os telhados tinham falta de telhas, sem aquecimento onde as crianças passavam frio, sem cantina e em estado deplorável.
Depois de apreciadas todas as necessidades, o Senhor Ministro optou por mandar iniciar imediatamente as obras das cadeias, ficando as escolas para serem apreciadas novamente segundo o orçamento do ano seguinte. Um dos seus secretários chamou a atenção do Senhor Ministro, fazendo-lhe ver que as criancinhas coitadinhas iriam passar outra vez muito frio, com o inverno que se aproximava, tendo senhor Ministro respondido da seguinte maneira.
Olha lá, que idade tens tu? 35 anos Sr. Ministro. E então tu com 35 anos ainda pensas ir para a escola primária? E para a prisão? É que, com o lugar que ocupas, ainda te pode ser necessário



Quando acabou a ditadura Franquista, os seus sucessores, anunciaram aos 4 ventos que, agora os espanhóis seriam todos iguais e que o yate de Franco passava também a ser de todos.
No verão imediato, o Senhor Primeiro Ministro foi fazer férias no dito barco.
Um trabalhador da Repartição de Finanças de Badajoz, escreveu uma carta a sua Excelência, o Primeiro Ministro, e, em tom delicado, dizendo que a pressa não era assim tanta, mas dado que tencionava antes de morrer, fazer o gosto à sua família, perguntando se havia alguma lista de espera para se candidatar a uma férias com a família no yate, dado que sendo ele de todos os espanhóis o poderiam usar e assim desejava saber, qual a data que lhe calhava para o seu uso, não se importando mesmo que fosse no inverno. E a razão de saber por antecipação, era para poder programar a sua vida a tempo e horas.
Não recebeu qualquer resposta e passados que foram 12 meses, volta novamente à carga ,lembrando a carta anterior.
Três meses depois chega finalmente notícias do Ministério da Administração Interna, informando-o de que por motivo da sua actividade profissional era mudado para uma Repartição de Finanças de Barcelona.
Sendo a sua categoria profissional das mais baixas na Repartição de Badajoz, a imprensa quis saber, se aquela transferência, não era uma retaliação pela carta dirigida ao Primeiro Ministro. Também não houve qualquer resposta, e um ano depois ao voltar novamente para a Repartição de Badajoz, não se fez rogado. Perguntar novamente se já lhe poderiam agora indicar a data em que poderia utilizar o "bote."
Não sei se recebeu resposta, mas nós calculamos qual foi.


Por último, esta é de Portugal.
A Hortênsia, tinha acabo de fazer 18 anos. Como todas as moças da sua idade, desejava namorar, casar e ter filhos. Arranjou um bom rapaz, respeitador, muito seu amigo e com princípios de bom cristão. Encontravam-se quase todos os dias e ela não tendo olhos para mais ninguém, aproveitava todos os momentos bons que o namoro lhe proporcionava.
Mas uma noite na despedida de um dos seus encontros, ele com os olhos em brasa e faiscando por todos os lados, disse à sua amada que, amanhã se Deus quiser, iriam fazer Amor Platónico.
A Hortênsia ficou nas nuvens, não conhecia o que era amor platónico, corre para casa e assim que chegou pergunta à sua mãe.
Mamã, o que é Amor Platónico? A Mãe, ficou um tanto ou quanto tempo a pensar e pergunta.
Hortênsia, quem te falou em Amor Platónico? . Foi o Carlos, o meu namorado. A mãe volta novamente a pensar e acaba por responder. Olha filha, amor platónico... Amor Platónico... A mãe sinceramente não sabe o que é Amor Platónico... Mas aconselho-te, a que pelo sim, pelo não...
vai lavadinha por baixo.

24.3.12

Os Nossos Melhores Amigos


A minha vida de "Tunante" continuava a bom ritmo, já conhecia mais de meia Lisboa. A Cidade onde o Sol brilha mais do que em todas as outras Cidades da Europa estava a meus pés. Pudera calcorreava as suas ruas a "butes", excepto quando me pendurava num eléctrico e o "fonseca" tentava dar-me com o alicate de furar os bilhetes na cabeça. Já sabia onde ficava o café Nacional e a sua cave com os seus bilhares, conhecia tudo que ficava para lá dos tapumes que circundavam o Parque Eduardo VII, muito especialmente onde jogava aos "pontapés nas canetas" com uma bola que escondíamos entre os arbustos, apanhava "capicúas" na rua do Ouro junto ao elevador de Santa Justa, frequentava o Bairro Alto em busca da tipografia onde era imprimido o jornal infantil "O Mosquito", conhecia o Jardim de S. Pedro de Alcântara, o Príncipe Real e até dera um salto à Feira da Ladra.
Era o Zé a preparar-se para aventuras futuras, que deram tantos Amores e Desamores, tantas preocupações à mãe Júlia, e tantos choros e alegrias, quando entendia que era hora de dar de "frosques" e desandar na procura de outras aventuras menos complicadas.
Os meus progenitores não obstante fazerem o seu comercio por atacado, tinham necessidade de escoar os seus produtos vinícolas. Aproximava-se a nova colheita e alguns toneis ainda abarrotavam daquele tinto, que cheirava a perfume de marmelo. Era hábito em vez de rolha, quando da cozedura, colocar-lhe no buraco fazendo de rolha um enorme marmelo "são como um pêro". E assim, com o consenso familiar, instalaram um "tasco" e café, dois estabelecimentos, separados por paredes, mas juntos por serem no mesmo edifício com interligação pelo seu interior, já que, facilitava a venda do "Branco" no lado do café, servido em chávena de chá, como se fora aquela infusão. Noutras palavras, em ambos os lados havia bebedeiras de criar bicho, mas do lado onde se servia o branco em chávena, sempre era outro asseio, pois na altura de limpar o sobrado, a empregada não sentia tanta repugnância por causa da cor, enjoava-se era por causa do cheiro.
No café havia bilhar livre e o Zé aproveitando a liberdade do progenitor não estar por perto, ia aprendendo a jogar, chegando mesmo a ganhar alguns campeonatos inter-clubes do seu Concelho.
Por isso , ele era tão conhecido no café Nacional, que ficava à esquina da Calçada do Duque/com a Primeiro de Dezembro na nossa Capital. Na cave, haviam entre 15 a 20 bilhares, estavam normalmente sempre cheios, mas nas horas da manhã e no intervalo entre aulas por falta de algum professor, era vê-lo numa correria louca, Calçada do Carmo abaixo, para jogar, muitas vezes em apostas que poucas vezes perdia. Era a Vida do Estudante/tunante, meio malandro.
Na parte da manhã, no dia que que General Carmona foi promovido a Marechal, houve tolerância de ponto aos professores. Do quartel do Carmo, partiu a fanfarra da GNR com os seus fatos engalanados de cordões brancos e com terminais dourados a caminho do Terreiro do Paço, local onde se desenrolava a cerimónia.
Como à saída da escola, uma das linhas da Carris tinha o seu início junto ao elevador de Santa Justas, foram os carros eléctricos os primeiros a receberem os acordes de uns murros bem dados nas suas "entranhas", tendo depois a malta acompanhado a marchar, e com gestos imitando os músicos, fazendo alarido, lá fomos atrás sob o olhar atento de meu pai, que resolveu também assistir ao acto, mas sem se denunciar ao Zé. Quando chegamos ao Terreiro do Paço, "adiós Papá".
Pequeno, furei pela multidão e fiquei sentado no chão na primeira fila a observar encantado todo
aquele aparato.
Quando regressei ao Largo do Carmo e ia a entrar os portões da escola, caíram-me os "gajos aos pés". O meu pai esperava-me com ar grave. Assim, como os cães fazem, baixando a cabeça com o rabito entre as pernas aproximei-me. Não disse nada, porque ele abordou-me nestes termos. Foste às aulas de manhã? Se eu dissesse que sim, ele virava-e logo com um tabefe daqueles que nunca mais esquecemos. Respondi a medo que os professores tinham tido tolerância de ponto e tinhamos ido ver a festa do Marechal Carmona ao Terreiro do Paço. Eu sei, vi-te a dar murros nos eléctricos e atrás da fanfarra. Tens futuro a marchar. Fiquei assustado, ele tinha visto que afinal eu era um bom marchante e acompanhante de classe. Já almoças-te? Sabendo perfeitamente que não. Mas o Zé já estava aprendendo a técnica da defesa e disse que não, não tinha tido tempo. Ordenou-me que marchasse direito ali à leitaria da esquina, C. Sacramento/L. Carmo mandou vir uma garrafinha de leite Vigor, perguntado-me se queria quente ou frio. Frio, disse eu. O calor que tinha era tanto, que aquele leite queimou-me a garganta quando o bebi.
Fui para as aulas, correram mal, não me saía da cabeça a presença do meu pai esperando-me.
Será que me bate? Agora é que eu vou saber o que é marchar. No regresso a casa, entrei pela porta da cozinha e vi a "santa Júlia", preparando o petisco. Beijei-a e silenciosamente pedi a sua ajuda. Olhou para mim, passou-me a sua mão pela minha cabeça num afago que só ela sabia fazer.
Na hora da comida, meu pai olhou-me com os seus olhos cândidos de velho amigo, muito compenetrado, perguntou-me. Então Zé, hoje tiveste festa lá perto de ti. A fanfarra saiu do Quartel do Carmo? Pois foi, respondi eu, estava nas aulas, não passei disso. Preparei-me para a erupção vulcânica. Em vez disse continuou... mas gostavas de ter visto? são coisas que só se vêm uma vez na vida, respondi eu. Safei-me, a mãe Júlia, tinha feito outra vez milagre.
Afinal, ainda vi mais duas vezes aquele cerimónia. Aquando do Spínola e de Costa Gomes.
Meu irmão ficou boquiaberto.

13.3.12

Os Piolhos


Vocês fazem ideia do que é um "puto" de 11 anos, acostumado a viver no campo entre cepas e árvores de fruto, frequentar a escola primária, nunca ter ido a uma sala de cinema e de repente diariamente apanhar o autocarro para Cacilhas e ali o barco, atravessar o Tejo, olhar o Cais do Sodré, atravessá-lo cheio de medo para não ser atropelado, subir a rua do Alecrim, cumprimentar o Camões ( que só com um olho via mais do que eu com os dois ) e chegar à Veiga Beirão, com uma multidão de rapaziada à espera, ir ao passadiço do elevador de Santa Justa e ver Lisboa de outro ângulo? O espanto, as descobertas que eu fiz e as gravações que me ficaram para sempre na memória. Foi o máximo, considerava-me um herói, o grande protagonista da maior aventura da minha vida. Nos primeiros tempos, eu nem conseguia estudar...
Passava pelas ruas que meu pai me ensinou e me levava directamente pelo caminho mais curto, rumo à Veiga Beirão. Via as outras e pensava, onde iriam parar. Claro que decorridos 20 dias, tinha ido até ao Calhariz, ao Largo da Misericórdia assistir à extracção da Lotaria Nacional, ficando atento a tudo aquilo a ver se ouvia o pregão do 17.377, pois sabia que meu pai jogava num numero certo todas as semanas. Coitado, bem poderia esperar sentando, até hoje ainda não saiu. já tinha passado pela Travessa da Água Flor e dado um pulo à rua da Rosa, em síntese, estava a familiarizar-me com o Bairro Alto. Desci pela Calçado do Sacramento, conheci a rua Nova do Almada e a do Carmo e finalmente o Rossio. A Praça da Figueira ali ao lado, deixou-me perplexo.
Na rua do Loreto, um cartaz anunciava o cinema do mesmo nome e a que todos chamavam "Piolho". ( Fiquei mais tarde a saber que com aquela alcunha havia mais alguns e tive de ganas de os conhecer todos).Os filmes eram sempre de "cowboyadas", o preço para a minha bolsa era incomportável, mas consegui fazer alguns "amealhos" poupando na sopa que não comia, recebendo a recomendação diária de a ir papar ao restaurante " Perús" situado no Cais do Sodré, mais uns cobres para material escolar que não necessitava e estavam arranjados os primeiros "tustos" para as também primeiros sessões cinematográficas continuas.
Comprei bilhete de balcão, devia estar trémulo, era a primeira vez, entrei com o filme já a decorrer e sentei-me ao lado de uma mulher que tinha um xaile pela cabeça e por debaixo dele ia dando uma fumaças num cigarro. Tudo aquilo era uma novidade para mim. Os cavalos a correr e o "Sheriff" atrás dos bandidos que tinham acabado de assaltar um banco, ia atirando um "tiraços" sem acertar em ninguém. A "fulana", vira-se para mim e diz-me ao ouvido. Menino mete a cabeça debaixo do meu xaile e lê as legendas para eu ouvir. A partir daí comecei a apanhar o fumo do cigarro, mas para ser prestável, não só meti a cabeça debaixo do xaile, como a encostei todo derretido à cabeça dela, passando-me pela «mona» "milhentas" fantasias que não conhecia, mas que entre a rapaziada ouvia falar.
Quando cheguei a casa, a mãe Júlia reparou que o Zé estava continuadamente a coçar a cabeça.
Foi buscar um pente mais fino entre dentes, colocou um jornal no assento de uma cadeira e passou-o pela minha cabeça, na tentativa de caçar alguns "javalis" que andassem ali perdidos no meio daquele matagal.
A sua queda no jornal, soavam a tiros dados com uma espingarda de dois canos, daquelas que já estão em desuso e parecem o nariz de um perdigueiro. Contou a mãe Júlia vinte e oito piolhos dos grandes. A seguir veio o interrogatório, desculpando-me, que decerto os tinha apanhado na escola. Mal sabia ela, que assistia aos primeiros passos das aventuras e desventuras do Zé.

28.2.12

Uma Americana no Alto Minho


Não sei se por aqui já disse que também fui campista. Também fui campista,e cheguei mesmo a ser dirigente da Federação Portuguesa de Campismo, isto lá pelos anos de 71/74. Que belos momentos de convívio e que conhecimentos adquiri do Portugal interior.
Iniciei-o de tenda, tendo mais tarde passado para caravana, o que ocasionou um campismo mais confortável, mas também mais sedentário . Veio a época das mordomias, do cadeirão à sombra, da "bejeca" acompanhada de "alcagoitas", das "almoçaradas" com amigos, mas também do calção e tronco nu por todo o dia e a possibilidade de ensinar aos "catráios" como se apanham grilos no campo, coisa que vivendo na cidade não é possível.
No Alto Minho acampei no Parque de Campismo da Orbitur e um dos meus "pequerruchos" no escorrega do parque infantil, caiu e partiu uma clavícula, por aquele estar votado ao abandono. Por esse motivo procurei outro local e encontrei-o em Vilar de Mouros, bem perto onde se realizava o festival de Rock. As suas sombras eram parreiras, tinha um tanque a servir de piscina, um bar agradável e uma casinha de alvenaria, coisa pequena, só com um quarto uma cozinha e casa de banho muito bem apetrechada, amorosa para passar uns fins de semana
ou acolher por uma semana uns recém casados. Para esses casos a Administração mandava colocar uma garrafa de espumante e bombons.
Eis que um dia, por volta de 1986, uma americana de nome Ellem Mccarthy e seu companheiro,
chegam ao Parque de Campismo, fazendo-se transportar de bicicleta, em viagem que tinha tido o seu inicio na Holanda. Ficam lá por uns dias, conhecem o local, a região, a Serra d'Arga, o dono do Parque possuidor também de um "turismo Habitação" ali em paredes meias (Lanhelas), onde todos os sábados havia folclore minhoto, e apaixonou-se por tudo aquilo. Numa conversa fugaz com o dono do parque confessasse apaixonada por tudo quanto os seus olhos viam e pergunta-lhe se um dia voltasse, lhe daria emprego. Era conhecedora de dez idiomas, mas nada conhecia de português... Era uma "brasa", bonita, vinte e poucos anos, irradiava simpatia e tinha um corpo de mulheraça. O empresário para lhe ser simpático disse que sim, pois sabia que eles tinham a tralha pronta para a partida e portanto seria pessoa que não iria ver mais. Foi um acontecimento no parque e toda a gente se despediu daqueles dois jovens aventureiros, que iriam terminar a sua viagem nas Canárias, depois de apanharem o barco em Málaga.
E pronto, a coisa entrou no esquecimento dos que ficaram e o parque voltou ao mesmo "rongue" "rongue" de sempre.
Mas aquela jovem, levava o coração despedaçado pelas saudades de tudo quanto viram os seus olhos encantadores, e não lhe saía da cabeça os traços de uns cabelos brancos, misturados com negros, daquele homem que lhe prometera emprego, se um dia voltasse.
Dois meses e meio depois, a um fim de tarde, a Ellen voltou, afogueada cansada e desejosa de cair nos braços do Germano. Aquela mulher apaixonada pelo Alto Minho, meteu no Puerto de Las Palmas em Gran Canária o seu companheiro de viagem num barco com destino aos "States", enquanto ela regressava a Málaga no mesmo "buque" que a tinha levado. De Málaga, de bicicleta e sozinha segue a Sevilha, passa por Huelva e entre em Portugal por Vila Real de Santos António, sobe todo o Portugal e só parou em Vilar de Mouros, local onde se encontrava a sua paixão.
Toma as rédeas do Parque, aprende português, não o vernáculo, mas o suficiente para dar aulas
de português a crianças holandesas que moravam na região, passa a vestir-se de minhota, muito especial as da Serra d'Arga, organiza excursões com os turistas utilizadores do parque de campismo, com almoços de pic-mic em pleno campo. A transformação foi enorme, a vida, a garra,
que aquela mulher impunha em tudo quanto mexia, obrigava os outros empregados também
a cumprirem com mais zelo os seus deveres. Tudo era preparado com princípio meio e fim e o Germano, juntando o útil ao agradável regozijava com o êxito nos seus negócios que cresciam a olhos vistos.
Só a mulher do Germano, sentia por vezes um zumbido na cabeça, que lhe pesava como chumbo e a que não estava habituada. Procurou um médico, que em vez de lhe receitar remédio para a maleita, recomendou-lhe o apanhar os ares do campo, muito especial os do Parque de Campismo, aconselhando-a mesmo a acompanhar a empregada "Americana" nas sessões matinais de ginástica que esta todos os dias fazia, à vista de todos os campistas e em pleno parque.
Ela bem pensou no caso, mas como as referidas dores não a largavam ficava sempre um pouco até mais tarde deitada. Começou a reparar que o marido também todos os dias assim que se levantava e em pleno quarto e de cuecas, daquelas de meia perna de popline às riscas, passou a também a fazer ginástica, diga-se rudimentar. Dizia ele, que estava a enferrujar e necessitava de estar em forma pois ia perdendo alguma mobilidade. Pudera, aquilo era demais para o andamento a que estava acostumado.
E não querem saber vocês, que a dor de cabeça da esposa do Germano passou imediatamente
a partir do dia em que a Ellen Mccarthy partiu, não de bicicleta mas num furgão Hanomag "grenát" a acompanhar um suíço da mesma sua idade, que por lá acampou dois dias, e sem dizer adeus ao seu patrão e amigo.
Todos os colegas ficaram com lágrimas nos olhos ao ver a sua partida, e enquanto a esposa do Germano se viu livre de vez daquela horrível dor de cabeça, o marido andou muitos meses com tremenda enxaqueca.

25.2.12

Afeitando-me


Durante mais de 50 anos tive uma máquina de barbear "Phillips" que tinha pouco uso e por isso encontrava-se nova. O meu sogro, deitou-lhe a mão, fez a barba não sei quantas vezes e "pifou" por falta de limpeza.
Portanto, a partir daí não estive "virado" para comprar outra e passei a usar a velhíssima "gillet", mas mais sofisticada, visto neste momento até já existirem a trabalhar a pilhas. E é precisamente uma dessas quer ultimamente me acaricia a cara. Portanto deixei de lembrar-me da "traquineta" eléctrica. Mas um dos meus filhos, desencantou quase Duzentos euros e comprou uma,que vista pela minha óptica mais parece um aranhiço, mas que segundo ele é muitíssimo boa.
Mesmo assim, não estive tentado. Todavia, na passada segunda feira desloquei-me a Setúbal e enquanto deitava o olho direito aos fracos mascarados que passeavam na Cidade, ia utilizando o olho esquerdo para apreciar uma ou outra montra.
E, junto à Garagem da Rodoviária Nacional (antiga garagem Belos), chamou-me a atenção uma montra que pela diversidade de artigos deveria ser uma daquelas que nascem todos os dias no nosso País e onde no futuro pagaremos a factura da electricidade. No meio do monte das coisas mais diversas, vejo uma maquina de barbear, tipo banha da cobra, prateada, num estojo de plástico. Entrei, quis ver, pequei e apreciei o material. Estojo, maquina de barbear com regulador de patilhas, fio para a carregar,um outro aparelho para cortar os cabelos do nariz ( se quisermos cortar mais alguma coisa também dá), pincel para limpeza e no estojo colado pelo lado de dentro um espelho para nos ajudar a "afeitar-nos" convenientemente. O seu preço... 10,00 € . A "Chinoca" que me atendia, percebia tanto de português como eu de chinês. Demos uns grunhidos, uns sorrisos, tendo-me dito OBRIGADO no mais puro português de Macaense, quando arriei en cima do balcão aquela nota que se chama "Euros" e fruto da nossa desgraça.
Pela noite, já em casa, mostra ao meu filho o grande negócio que tinha acabado de fazer. Tento abrir o estojo e o fecho partiu-se, abro a caixa e o espelho descola-se. Aí, não resistimos e desatamos a rir à conta dos incidentes, tendo o meu filho acrescentado que aquilo deveria ser para fazer a barba àqueles bonecos de papelão, do antigamente que tinham pernas coladas e um chapéu tipo Chileno.
Quando me deitei coloquei a máquina a carregar, disposto pela manhã a arreganhar os dentes com as "bocas" que o meu filho iria fazer.
Pois é verdade, a máquina trabalhou, portou-se muito bem e quando nos encontrarmos se não estiver bem "afeitado", tenham a certeza que o defeito não é da máquina.
Isto de comprar coisas na lojas dos amarelos faz-me pensar, até quando e qual o preço futuro que as coisas nos custarão, sem é que temos futuro.

13.2.12

O Capote Alentejano


Sempre tive um desejo de possuir um Capote Alentejano. Quantas vezes em Estremoz, parei para admirar o corte, o padrão, a qualidade da pele da raposa e até vestindo-os apreciando o seu conforto. E cada vez mais me seduzia puxar os cordões da bolsa e satisfazer o meu desejo. Os tempos foram passando e agora considero tarde de mais para consolar este prazer, nunca realizado. Todavia consegui realizar meio desejo e por isso resolvi contar como só realizei metade daquele prazer, iniciado no Alentejo profundo, em campos perto de Arraiolos, onde pela primeira vez vi um Alentejano - pastor, de "Perneiras de Pele de Carneiro" e capote, tomando conta de ovelhas, pertença de um grande agrário daquela região e amigo pessoal do pai, cá do rapaz.
O pastor, levando pendurado no ombro um alforge onde transportava a sua pobre refeição a constar de um naco de toucinho salgado, pão da região (branco como algodão), já feito há 8 dias atrás, duro como um "corno" e um litro de vinho tinto metido num corno de boi (que o ladrão/molha a goela e o poder do álcool também alimenta). No "Tarro" que qualquer trabalhador de campo do Alentejo, não dispensa, umas migas, estavam prontas para aconchegar o estômago. As ovelhas na maior parte das vezes, comandadas por dois "rafeiros alentejanos", afastam-se das árvores, em busca de um pouco de sol, já que sendo inverno, as manhãs são frias e manhosas, com a neblina a teimar em levantar tarde. Mas que fazia o Zé naquele local tão cedo, perguntarão os meus amigos. Estava ali, com autorização do agrário para "armar" aos tordos. A época do ano era propícia, e o petisco uma tentação para os apreciadores.
No fundo, o mundo é feito de predadores...
Quase que vim com as mãos a abanar, dado ter-me entretido a conversar com o pastor, e o frasco com as lagartas da "milharada" ter-se entornado. O que perdi em caçada, foi largamente compensada com os ensinamentos de vida que me deu aquele homem, castigado pelo sol do Alentejo, com rugas profundas na sua face e que passava ano após ano, durante todos os dias e sem um único para descanso, apoiado no seu cajado, metido debaixo da cova do seu braço, e cuja companhia com quem falava, era os "rafeiros", que davam como resposta uns latidos e o abanar dos seus rabos.
Entre tantas, tantas coisas, fiquei a saber que o "Tarro" servia para o inverno e para o verão, e os "safões" protegiam os joelhos , evitando no futuro, o reumático.
Resultado, na Cidade comprei umas "perneiras", lindas e quentes, e um chapéu de pastor, de 10 varetas, cabo grosso e que quando aberto, tinha uma copa enorme, protegendo-me do sol e da chuva. O pior foi quando num dia fui ao futebol e chuvia torrencialmente. Toda a gente se chegava para mim para se proteger, mas o cabo com tanta água inchou e não fui capaz de o fechar e consequentemente mete-lo no carro para regressar a casa. Teve o triste fim, que têm todos os outros quando se avariam. Ficou abandonado numa valeta à espera que o sol lhe trouxesse uma nova esperança de serviço publico. Os "safões" foram durante invernos grande companheiro e amigo e enquanto possui moto.
Mais tarde no norte, lembrava-me quanto me daria jeito um capote, mas por lá não se vendiam.
Até que um dia, recebo a visita de um amigo da Covilhã, que sendo vendedor de fazendas de uma grande fábrica de tecidos daquela região serrana, estava de visita à maior fábrica de confecções da Cidade onde eu morava. Acompanhei-o e tive a felicidade de ver toda aquela maquinaria em movimento e em especial, tomar conhecimento de que estavam a fazer capotes designados como alentejanos, mas para os países nórdicos.
E pensei que finalmente o meu desejo ia realizar-se. Meti uma cunha e já não saí de lá, sem trazer dentro de um saco o famigerado capote. No fundo, de Capote Alentejano tinha a pele da raposa, pois a linha não era bem igual e até um pouco cintados e a cor nada tinha a ver, dado o verde não ser a cor da fazenda escolhida para a vestimenta em causa.
Mesmo assim, comprei-o, pois o tecido era de belíssima qualidade e muito quente, segundo as palavras do meu amigo Carrilho. Em casa, tinha no guarda fato, um cabide especial onde o guardaria e fiquei ansioso de o estrear.
Chegou o dia, um dia de inverno rigoroso, de frio de rachar, pois o astro rei, já não aparecia há uns dias. Pela manhã preparo-me, aperalto-me, visto o capote, desço à garagem, meto-me no carro e coloco-o na rua. Vejo duas ciganas, já mulheres, mas jovens a aproximarem-se, dirijo-me à porta da garagem para a encerrar e estando de costas, oiço a conversa entre elas.
É Pá!.. O Gajo com aquele sobretudo verde, parece mesmo um papagaio, só lhe falta o rabinho amarelo. Nem olhei para trás, entro imediatamente em casa, subo ao 1º andar, dirijo-me à "Dona", que estava a servir o pequeno almoço aos nossos pequenitos para irem para a escola, e digo assim.
Podes dar a quem quiseres, o filho da puta do Capote Alentejano, que nunca mais o visto, não queres ver tu, que duas ciganas, iam a dizer que eu parecia um papagaio, com o capote vestido e que só me falta um rabinho amarelo.
Ela desata a rir, com as lágrimas a correrem pela cara e os filhos ajudaram à festa. Pela minha parte, nunca cheguei a saber qual o destino que levou a roupagem do papagaio. Nunca mais o vi.
Como compensação, fui feliz por poucos minutos, visto a felicidade também ser feita de pequenas coisas.

30.1.12

O Circo


A caravana de Camionetas, automoveis e toda aquela enormidade de gente apareciam de rompante na minha aldeia. A "maltinha", largava a bola de trapo com que se entretinha, o ranho largava a ponta do nariz e colava-se nas bochechas secando com a corrida desenfreada, cujo destino era o local onde o Circo iria montar a grande tenda, cujo tecto era em cone e as chapas de zinco onduladas a fazer uma grande circunferência, marcavam o seu espaço. A ansiedade era enorme e todos queriam saber quando era a inauguração, se tinha tigres, leões, ursos e a desilusão era enorme quando ficávamos a saber que aquele só tinha como astro principal um simples asno.
Ainda não se tinha iniciado a sua montagem e já os cartazes eram distribuídos pelos locais do costume anunciando a boa nova. O Circo estava de volta...
Residindo o Zé a 11 escassos km de Lisboa, era quase uma aventura, uma simples deslocação à Capital do Império, que como sabem começava em Lisboa, corria veloz sobre o Atlântico em visita ao Brasil, regressava, corria toda a costa de África, contornava o cabo das Tormentas, entrava no Indico, dava um pulo a Índia e a Malaca, assentava uma pata em Macau e finalmente mergulhava nos Mares de Timor.
Meu avô usando carroça e burro, transportava os produtos das suas propriedades até Cacilhas, usava o barco para a travessia do Tejo e tinha local no mercado da Ribeira. Não o mercado da Avenida 24 de Julho, a que todos agora chamam de Mercado da Ribeiro, mas sim aquele instalado na cais da autentica ribeira do Tejo. ali paredes meias com o Cais do Sodré. Ali sim, inventaram e serviam o Cacau da Ribeira. Esse mercado começava a trabalhar pelas 24 horas e era aí que os aldeões comercializavam os seus produtos das hortas e pomares, e que depois eram distribuídos por todos os mercados da capital onde a população se abastecia. O Capital, nesta altura, virou tudo de pantanas, liquidou os mercados típicos da nossa Cidade sendo substituídos pelo Continente, Pingo Doce, Modelo, Lidl etc. Ai... quem me dera ver outra vez o Mercado da Praça da Figueira, o seu movimento, os bailes de Santo António que se faziam lá dentro. Já imaginaram o que era Cacilhas, nesse tempo? A quantidade de estábulos que era necessário para guardar os burros que todos os dias transportavam as mercadorias para abastecer Lisboa? Daí meus amigos, o baptismo popular atribuído. "CACILHAS TERRA DOS BURROS". Mais tarde esses estábulos serviram para guardar bicicletas, dado trabalhadores dos docas, da Carris e outras grandes industrias instaladas em Lisboa, usarem aquele transporte na deslocação para a labuta do pão de cada dia.
Chegada a noite de estreia, algumas das vezes o Zé não conseguia ter as boas graças da mãe Júlia e não conseguia as moedas suficientes para um lugar na geral. Restava-lhe andar já com o espectáculo a correr, espreitar pelos buracos das chapas de zinco, para segundo a sua óptica, ter o legitimo direito de assistir ao trabalho dos palhaços e dar uma saudáveis gargalhadas que lhe proporcionariam uma dormida descansado e um sonho feliz.
Raramente conseguíamos ver alguma coisa, a não ser a curva das pernas de algumas mulheres sentadas nas estruturas das bancadas de madeira. Perna vista, e era certo e sabido que pelo buraco da chapa de zinco, metia-se o pipo de uma bisnaga grande de borracha, comprada na farmácia para lavar ouvidos que cheia de água era despejada e cujo destino eram as pernas que acabávamos de ver. O espectáculo parava, e as "raposas" (serventes do circo) acompanhados da GNR davam voltas e reviravoltas para ver se apanhavam os energúmenos, que se atreviam a perturbar o espectáculo circense. Claro, tínhamos dado à sola e nunca ninguém foi apanhado. Frente ás bilheteiras era colocada uma vara e lá em cima colocavam uma lâmpada de grande potencia para iluminar toda aquela zona, mas uma esguichadela dada pela bisnaga, contribuía para tudo ficar ás escuras, pois a água fria em contacto com o vidro quentíssimo, rebentava a lâmpada.
Então o "manager", nos dias imediatos deixava a pequenada entrar gratuitamente com a recomendação de não fazerem tropelias e não inventarem coisas piores que poderiam fazer largos estragos.
Tudo está mudado,desapareceram os saltimbancos, a "maltinha" já tem o nariz limpo, as brincadeiras bem como o circo já não são o que eram...

15.1.12

Viagem de Autocarro


Já aqui referi várias vezes que residi numa Cidade do Minho, vinte anos. Deslocava-me com grande regularidade à Capital e usava indistintamente, o automóvel, comboio e autocarro expresso.
Nunca percebi a razão por que os naturais daquela cidade preferiam determinada empresa em detrimento de outras, quando estas tinham autocarros de luxo, limpos e com preços, que em alguns casos até era mais baratos. Essa empresa, fazia as viagens completamente cheias e as outras quando tinham metade dos passageiros, já faziam uma "festa". Viajei nas duas e aponto que certa vez tive necessidade de usar a casa de banho e em vez de sanita, tinha um buraco no chão por onde se via o asfalto da estrada. Claro, passou-me logo a vontade, não fosse por minha causa, alguma viatura que circulasse atrás apanhar com o "melaço" no pára brisas e consequentemente haver um acidente de trágicas consequências. Sempre fui muito responsável e previdente, não acham?
Pelo corredor do autocarro era arrastada uma caixa de cervejas, vendidas aos passageiros a peso de ouro. Todavia, não tinham à venda ou para aluguer, mascaras anti-gás. É que alguns passageiros descalçavam-se para repousar os pés durante todo o percurso.
Certa vez, e numa viagem feita à noite, fui passageiro num dos autocarros da Mundial Turismo, a caminho de Lisboa. Autocarro de luxo, preço mais barato do que os outros, com hospedeira que nos servia, chá café ou laranjada, gratuitamente. Com os auscultadores nos ouvidos vinha entretido a ouvir um programa de rádio. A casa de banho era na parte traseira do autocarro e uma senhora, talvez de 50/55 anos levantou-se encaminhando-se para ela. Deitei suavemente um olho de soslaio, fechei os olhos e continuei interessado nos meus pensamentos. Um largo tempo depois, chegou a minha vez de utilizar a casa de banho. Retiro os auscultadores, penduro-os no banco da frente, levanto-me e avanço para o banheiro. A porta encontrava-se entreaberta, empurro-a, e deparo com esta cena. A "Madama", em pé, à janela, apreciando presumivelmente a paisagem que a lua tinha daquele ângulo, voltada de costas para a porta, com o vestido arregaçado para cima, deixando à vista uma cinta de pernas de cor creme, apertadinha à sua "bunda".
Não fiquei paralisado, a observar causa tão insólita, mas que devia ter dado um bom sorriso, isso decerto aconteceu. E é, que o marido ou seu acompanhante levantou-se e veio ter comigo no sentido de dar-me uma descompostura por ter tido o atrevimento de abrir a porta com uma senhora a ocupar o WC. (enquanto ela na mesma posição e sem se voltar ia ouvindo a conversa.) Os passageiros começaram todos a olhar para trás, e eu contra meu hábito descontrolei-me, respondendo assim.
Eu tenho alguma culpa de ter encontrado a porta entreaberta e a senhora estar ali à janela de cú virado para mim? Porra, até já perdi a vontade de urinar, disse eu, encaminhando-me para o meu lugar.
Acho que o cavalheiro também estava descontrolado (pudera a sua companheira a andar a mostrar o "rabinho" ao primeiro que lhe aparecesse)," eu sei bem qual era a sua vontade", respondeu ele, causando a galhofa entre os outros passageiros.
Sentei-me, coloquei os auscultadores e no programa de rádio um fadista cantava o "O Fado do Embuçado". Com um sorriso maroto no semblante, pensei com os meus botões. O que acabei de ver, também estava embuçado, mas com "burca", nem consegui ver o olho.
Para ocupar o seu lugar, a Senhora, "tal Rainha" passou por mim, mas como vinha de trás nem tive a oportunidade de lhe ver a cara, fiquei-me pelo traseiro.

6.1.12

Tempo de Chuva


Estava entretido a preparar o texto para apresentar neste blogue, quando pela madrugada oiço um programa de rádio, que me fez lembrar esta situação, que pela sua graça e desespero do meu progenitor não posso deixar de contar.
Em 1942 a II Grande Guerra Mundial ainda não tinha terminado, os plásticos também ainda não tinham aparecido, e a televisão nem sequer era uma miragem, as novidades estavam em baixo e sobre a última moda, o "cabecinha pensador" estava atrasado. Os alemães da "Gestapo", usavam umas gabardinas com sinto pela cintura e nos filmes de guerra que nos apresentavam eles eram o terror das populações dos Países ocupados.
O Zé tinha acabado a 4ª classe, foi matriculado na Escola Comercial de Veiga Beirão, situado no Largo do Carmo, bem perto da GNR, separado apenas pelas Ruínas do Convento do Carmo, da linha do eléctrico que iniciava ali uma carreira, no acesso a0 ascensor de Santa Justa. Ainda recordo o preço do bilhete para utilizar o ascensor $10. Como o meu percurso seria, Cais do Sodré, rua do Alecrim, Largo Camões, Largo Trindade Coelho, largo do Carmo, usava-o pouco. Para vir à baixa, descia a Calçada do Sacramento e poupava um "tostão" que não tinha.
O início das aulas era em sete de Outubro, pelo que uma semana antes, meu pai leva-me à cidade para comprar um casaco de forma a apresentar-me com a dignidade que o acto merecia.
Estão a pensar onde teria ido comprar o casaco, já que as casas de pronto a vestir ainda não tinham abertas as suas portas? Pois enganem-se meus amigos/as, em Lisboa já havia casas de pronto a vestir, especialmente no Largo de S. Paulo. Ali havia centenas de casacos pendurados nas ombreiras das portas e nos seus interiores.
"Prontos a despir" também havia muitas, bem perto por sinal, na rua da Boavista e se, se apanhasse o elevador da Bica, chegávamos rapidamente ao Bairro Alto onde o negócio do "pronto a despir" era próspero e de preços variados para todas as bolsas. « são outras histórias em que o Zé se viu envolvido e a contar oportunamente».
Meu pai trata de escolher o estabelecimento habitual fornecedor da nossa casa "real". Experimentei três ou quatro casacos, foi acertado o preço e regressamos ao palácio, felizes e contentes com a compra que foi efectuada.
Iniciam-se as aulas e o Zé garboso de calção e com o seu novo casaco, marchou a caminhos de novos horizontes. Mas o Outubro, é traiçoeiro, tanto faz frio, calor, sol ou chuva e dois dias depois de ter estreado a "farpela nova" chove torrencialmente. Qual quê? O Zé tem lá medo da chuva e como nunca foi moço de ficar incomodado com um pingo de água pelas costas abaixo, mete-se a caminho. Quando entrou na camioneta que de Cacilhas o levada de regresso a casa, parecia aquilo a que se chama, depois de uma boa molha "Um Pinto". Entro em casa, e a mãe Júlia, quando olhou para o menino dos seus olhos, pergunta. Zé que te aconteceu às mangas do casaco? Meu Deus, que triste figura. O forro chegava até ás mãos, mas a fazenda das mangas pouco passavam dos cotovelos. Senti dificuldades ao despir e em baixo nas costas o forro também estava maior do que o casaco. Tudo tinha encolhido com a água da chuva.
À noite, o meu pai ficou desesperado e logo ali resolveu ir comigo no outro dia discutir a situação, porque teriam que me dar outro casaco, segundo a sua opinião.
Ele bem barafustou com o comerciante, mas este disse-lhe assim. Então o rapaz andou à chuva!
Mas então para que lhe comprei eu o casaco, retorquiu, meu pai. O casaco comprou o senhor, para o moço se proteger do frio, porque para a chuva temos nós aqui inúmeras gabardinas.
Tudo fica bem, quando acaba em bem. Desataram os dois a rir e eu a ver que não tinha o problema resolvido, ficava sem o casaco e sem uma gabardina tipo "gestapo". Afinal a casa fez um desconto e o Zé em novo dia de chuva estreou também uma gabardina impermeável.

31.12.11

As minhas Festas Felizes

Saúde ( que me perdoei o autor)
.A Macacada em Portugal
tirem as ilações que quiserem e até 2012

12.12.11

NATAL DE 2011


Estamos em plenas Festas Natalícias e o vinte e cinco de Dezembro aproxima-se a toda a velocidade. O tempo corre como nunca. O Povo vive assustado, e as forças vão-lhe faltando para poder ultrapassar a crise que lhe foge por entre os dedos, olhando o infinito sem esperança de na sua existência ter uma vida melhor, coisa prometida durante anos e anos, por aqueles que servindo-se da nossa ingenuidade encheram até mais não, os bolsos, os sacos e as arcas. A sua grande maioria está identificada, mas as leis que eles próprios ciraram dá-lhes oportunidade de saírem do País, viverem luxuosamente em Paris ou Cabo Verde, enquanto outros fazem requerimentos por tudo e por nada de forma a arrastar os processos por tempo indefinido até à sua prescrição.
Mas...na noite mágica, o Pai Natal coloca uma prendinha nos sapatinhos. Uma prendinha mais cara ou mais barata como sempre o tem feito, para satisfazer desejos das crianças, que rejubilarão de alegria, dando gargalhadas de orelha a orelha, oferecendo assim o seu contributo de gratidão aos seus progenitores e familiares.
Está de moda fazer colecção de Presépios, e há quem os tenha feitos de chumbo, de madeira, casquinha ou barro, prata e mesmo de ouro.
Também sou um desses coleccionadores, e tenho por isso muito orgulho em vos dedicar este feito de "cebolas", a demonstrar as dificuldades financeiras por que passamos, e ao mesmo tempo poderem apreciar a originalidade da sua execução.
Que tenham o melhor Natal da vossa vida, que o gozem em Paz, Sossego e acima de tudo com AMOR. Com um abraço do tamanho do MUNDO, aqui vos deixo os meus votos.

5.12.11

Assim vai a Europa Unida


acabo de saber a noticia que o Primeiro Ministro Italiano, abdica de receber o seu salário.

Por cá, só três Ministro abdicaram de receber subsídio de deslocação.

Na Itália, a senhora Ministra do Trabalho, chorou em plena sessão televisiva quando anunciava cortes nas pensões dos reformados.

Por cá, já vimos um Senhor Primeiro Ministro, limpar as lágrimas, só porque não lhe aprovaram o Pec 4

Por cá a Senhora Presidente da Assembleia da Republica é Reformada.

??? Com que idade? Que importa, as pessoas cansam-se e o cansaço não escolhe idades.

Na qualidade de reformado e em meu nome pessoal, quero agradecer e dizer ao Governo de Portugal, que me sinto eternamente reconhecido, pelo facto de o corte do subsídio de Natal, não abranger quem receba um valor inferior a 600 € de reforma.
Assim, nesta quadra Natalícia, os vendedores de Perus não terão mãos a medir. Também a Galp- Gás e a EDP, enviaram uma nota, indicando quem são os pobre que se podem candidatar à "bonança" de descontos na suas facturas. Os Beneficiários, segundo as minhas contas, são os indigentes.
Como já não tem luz, nem gás, acabam por poupar também a taxa de TV e Rádio.
São e somos todos uns sortudos.

27.11.11

26 Novembro 2011 - Convívio

A Visita às Adega

Periquita, a razão da existência de José Maria da Fonseca


Torna Viagem

O expoente máximo do Moscatel, numa prelecção da nossa Guia




A Porta do Cofre Forte, onde se guardam as maiores preciosidades


O Repasto





22.11.11

" PRENDA DE NAVIDAD"


Uma valente gripe, deitou-me abaixo. Há tantos anos que leio e oiço dizer que todos e especialmente os mais idosos devem apanhar a vacina contra ela. Como não me considero idoso, por vaidade ou "casmorrice", ou julgando-me a coberto de um Deus protector, achava que ela a "malvada" não me atacava. Cheguei ao ponto de troçar dela, dentro da minha própria casa, dado um dos meus filhos ter caído vários dias de cama e a minha cara metade, mesmo vacinada estar bastante mal com o seu ataque. Assim, tanto sorri, tanto a achincalhei, que a "fulana" num acesso de raiva, apanhando-me distraído, entrou-me garganta abaixo com toda a sua fúria, e, confesso, venceu-me logo ao primeiro "rond". No futuro, sempre que veja aproximar-se o fim de Setembro, nem precisarei que alguém me lembre da existência da ampola que foi criada para dominar esta "maldita".
Não é que me faltem as histórias, as aventuras, acasos, coisas engraçadas e curiosas que fazem as alegrias da minha vida, mas esta estava longe do meu pensamento e por achar um encanto este "negócio", venho partilhar convosco com a certeza que também nem sequer ouviram falar dele.
Começa a aventura em "O Grove", aquela terra de mariscadores gallegos, mãe da ilha de "A Toxa", onde na sua Capela das Conchinhas" casou Mariano Rajoy, futuro Presidente dos Ministros de Espanha, segundo os resultados eleitorais do passado Domingo.
Pelas 2 horas da tarde, batem-me à porta no meu burgo de Azeitão. Sozinho em casa, recolhido, encolhido e tiritando, salto da cama, aconcheguei a roupa ao corpo e pela janela, vejo um carro distribuidor de encomendas, com motorista a retirar uma caixa de cartão para me entregar. Coisa raro, não esperava ninguém, nem tão pouco esperava qualquer objecto. Mas era mesmo o meu nome que constava na etiqueta e era originária de Espanha. Assinei não tinha nada para pagar e fiquei intrigado. Era remetida por "Despensa do Palácio" - Estepa. Tenho a certeza que Estepa, não lhes diz absolutamente nada, pois fica entre Sevilha e Málaga, antes de chegar a Antequera, início daquela grande descida que nos leva à águas quentes do Mar Mediterrâneo em plena Costa do Sol. Portanto, uma pequena povoação à beira de estrada, que atravessávamos obrigatoriamente quando nos deslocávamos para aquelas bandas. Entretanto, foi feita a Autovia e a povoação está esquecida no coração da Andaluzia imensa.
Abro a caixa de cartão e num embrulho de papel lindíssimo e de qualidade suprema encontro uma outra caixa de folha, linda como os amores, com imagens de encantar e um cartão a indicar que o meu Amigo Besada e sua esposa, de "O Grove", faziam-nos uma oferta para a próxima "Navidad".
Telefonei-lhe, agradeci-lhe e depois na Net fiz uma pesquisa de curioso, sobre o porquê da "Despensa do Palácio". E o que encontrei, deixou-me espantado, pela beleza, pelo encanto e pela imaginação como trabalha aquela organização familiar.
Pesquisem, apreciem, vejam tudo ao pormenor e digam-me o que acharam. Fiquei em pulgas, para quando for para aqueles lados, ir visitar o museu. É que é tudo tão espectacular, que quem quiser ser cliente, inscreve-se agora para ser servido no próximo ano. "Despensa do Palácio", enquanto fazem a pesquisa eu deliciar-me-ei com o seu conteúdo.
Até ao próximo sábado, no D. Isilda.

9.11.11

Almoço - Convivio "Blogueiros"



.
.Instalações de Zé Maria da Fonseca
Aqui serão as "comezanas"


No próximo dia 26 - sábado, o Zé em colaboração com a "são", organizam um almoço-convívio de "Blogueiros".
O encontro começa pelas 10,00 à porta das Adegas de José Maria da Fonseca em Vila Nogueira de Azeitão, para uma visita e prova de vinhos.
Depois seguir-se-à o almoço, no Restaurante D. Isilda, que fica entre Quinta do Anjo e Palmela,
para matar a nossa "Gula".
O Restaurante pode ser apreciado na net e o preço é de 20 € pessoa, tudo incluído
O télélé 962.288.486 está à tua disposição

5.11.11

são :-: 4 anos de prazer




Esta nossa amiga para comemorar os 4 anos de um dos seus blogues, editou um selo .
Pela amizade e carinho que nutro por ela, tenho muito prazer em fazer a sua apresentação, desejando ao mesmo tempo que os meus amigos lhe batam à porta, pois tem sempre um sorriso acolhedor e uns braços abertos a quem vier por bem. "são" assim as gentes do Barreiro.

25.10.11

O Floriano


E parto para a Galiza, destino Sanxenxo. E que bem me soube esta parte de férias.
Sinto-me como peixe na água, desfruto de belezas naturais fantásticas, desfruto acima de tudo de terras que adoro, e da casa que tenho lá.
A viagem faz-se em cinco ou seis horas, lanchamos no Mercado de Pedra em Vigo, estacionamos o automóvel num parque subterrâneo onde as viaturas são guardadas como os aviões nos Porta ditos, ouvimos os primeiros acordes dos gaiteiros saboreando umas ostras acompanhadas por "Albarinho" fresquinho, comemos uma santola da ria, como já não nos passava pelo estreito há muito tempo e fizemos o resto da viagem com as forças retemperadas chegando ao por do sol.
Sanxenxo estava a top, por alguma razão ela é chamada a mais cosmopolita da Galiza. Ainda nesse dia, saímos para um passeio de picadeiro até ao porto desportivo e encontramos sem surpresa, os bares, os restaurantes, as gelatarias completamente cheias.
A vida é bela, é pena que os homens dêem cabo dela. O meu "cortiço" situado num sexto andar de um prédio recentemente construído tem uma "terraça" e consequentemente uma vista bem bonita.
Pela noite, antes da deita, ficamos extasiados mirando com a ajuda de binóculos o que a nossa vista pode alcançar.
Chegou o "San Fermin" e tivemos a tentação de irmos até lá. A distância é enorme, já que o País Basco, não é ali ao lado. Prometo que não vou morrer sem apreciar outra vez esta festa ao vivo.
Quis o acaso que há anos conheci pessoalmente Salvador Dali, pintor famoso e já falecido, que todos conhecemos, voltando a falar-lhe, num período de férias em que estando em Lloret de Mar
dei um salto a Cadaqués na Costa Brava, onde ele tinha casa e atelier e um pequeno Museu. Tinha também, mas isso de grande envergadura Museu em "Figueiras".
Há muitos anos que sou leitor assíduo de o Jornal "Faro de Vigo". Este jornal publica quase todos os dias um desenho de humor, cujo nome da figura é "Floriano", representando um galego bronco e sua mulher, e a primeira coisa que faço, quando compro o jornal é procurar o "chiste" do dia.
Em "O Grove", ali paredes meias com a Toxa ou La Toja, consoante falamos galego os castelhano, na Praça de Arriba, foi inaugurada uma estátua do "Floriano", sentado à mesa, com a "malguinha" do vinho de Barrantes (tinto, muito parecido com o Verde do Minho)e uma outra vazia, para quem o acompanhar, dado ter um banco ao lado para esse efeito.
Pedi que me tirassem uma foto, sentado a acompanhar o "Floriano" e sem eu saber colocou-se por detrás de mim o criador e autor daquela figura, que é simultaneamente natural de O Grove e vizinho de um meu bom amigo.
Fiquei duplamente feliz, por ser incondicionalmente fã de o "Floriano" e ter a sorte de conhecer o seu autor, que me disse já me conhecer, porquanto o "Besada", o ilustre amigo galego e também artista, já lhe ter mostrado uma pintura que me representava.
Não podia passar sem ir a Padron ( terra de Rosalia de Castro, pequena cidade situada perto de Santiago de Compostela, e que deu o nome aos pimentos de Padron, onde uns são picantes e outros non), almoçar no restaurante Chefe Rivera. É que, é nada mais nada menos o cozinheiro do Rei de Espanha, que o acompanhou na inúmeras deslocações ao estrangeiro em especial pela America Latina.
O seu cardápio, contém dedicatórias da Rainha e das Infantas, a sala de refeições é um amor e o cabrito assado é de morrer. Os preços, não são nada que não se possam pagar. Na hipótese de chegarmos e a sala estar a "top", tem um bar muito acolhedor onde podemos esperar. Num corredor muito bem decorado podemos apreciar fotografias de gente ilustre que já visitou aquele restaurante e outras das condecorações que o Chefe já recebeu nas visitas a acompanhar o Rei. É interessante ver lado a lado, O Cozinheiro vestido a rigor, com sua mulher, ao lado do Rei e da Rainha, do Presidente do México, do Perú, do Fraga Iribar, Ministro de Franco e Presidente da Galiza já em plena Democracia, do Príncipe Carlos e... para meu espanto Mário Soares, a confirmar aquela máxima. Mário Soares não vai, já esteve.
Tenho esperanças que para o ano, mesmo com a crise, possa repetir estas doses.

18.10.11

A Igreja dos Milagres





Chegada, desfazer as malas, fazer malas e eis que por "oitenta e quatro euros" ida e volta, partimos os dois novamente pelos céus, direcção Barcelona.
O Aeroporto de Lisboa, sempre apinhado, sempre com azafama no apalpar os passageiros, passar as malas a "pente fino", sempre o receio de alguma partida originária da "Al Queda".
O coração deste pardal, está acelerado, deixou de ter vergonha e com o credo na boca lá se meteu no avião com destino à Cidade Condal. Chovia, nuvens negras enormes pairavam sob o avião. Pela janela tentava descortinar onde aterrava aquele pássaro de metal e se me safaria entre os destroços, mas as nuvens não me fizeram a vontade, e com o coração oprimido uma hora e um quarto depois de ter partido comecei a ver o Mediterrâneo e para meu espanto, descortino a estátua de Colombo no início da Rambla da Capital da Catalunha.
A Família aguardava para nos levarem imediatamente para Tarragona. Sinceramente, já em casa dos familiares, casa que visito duas três vezes por ano, tinha sensação que havia uma falta, havia um vazio, era como se lá não estivesse. Faltavam-me as dez horas agarrado ao volante e o percurso Lisboa, Badajoz, Madrid, Toledo, Valência, Castellon ou Zaragoza Lleida. O tempo esteve sempre péssimo durante os dias que lá estivemos. Frio mesmo, como os Tarragoneses já não sentiam há muito anos.
A praia limitou-se a um dia e a visita ao "Port Aventura" trouxe-nos algumas surpresas, focando entre elas o "Aventura Sésamo". Que alegria, que encanto ver as crianças felizes no meio daquele espectáculo.

Demos um salto a Andorra, numa daquelas excursões de autocarro onde pretendem vender-nos o que já temos e nos oferecem um presunto ou um garrafão de Azeite. Quisemos o presunto, pois a recordação do "azeite de colsa" ainda não saiu da nossa memória. Foi uma volta giríssima, com passagem por Empúria Brava, Girona, Altos Pirineus, onde as montanhas abundam e as gargantas assustam. Empúria Brava, a Veneza Espanhola o local onde os espanhóis fizeram um centro turístico e era uma zona de pântanos.
No percurso Girona - Andôrra, numa pequena povoação de montanha o autocarro parou e algumas senhoras encaminharam-se para a pequena igreja da aldeia, que mais parecia uma capela. E como é hábito todos os excursionistas vão atrás. Entraram e sorrateiramente num local mais escuro afastam uma cortina, espreitam e voltam para trás. A curiosidade faz-me avançar, espreito, o escuro não me deixa ver nada e o meu tio segue-me os passos. O Prior atento aos movimento dos fiéis e observando quem colocava algumas moedas no cesto coberto com um guardanapo de linho, já sujo pelo uso, perguntou-nos. Que ideia foi essa, também querem ficar embaraçados? Eu fiquei embaraçado com a pergunta, mas o tio, a viver há mais de 50 anos em Espanha, desata a rir e responde. Sabe-se lá, os milagres têm destas coisas. Afinal embaraçar, é ficar grávida, em espanhol.
Era pois por isso, que as senhoras iam espreitar. Foi motivo de risada até ao fim da excursão ,e cheguei mesmo a afirmar que por mim poderiam estar descansados, tinha na carteira a pílula do dia seguinte.
No regresso a Portugal, os tios acompanharam-nos e de seguida fizemos mais uns dias de férias na Manta Rota, onde um sol magnífico e uma água límpida e morna nos aguardava.
As conquilhas, as ameijoas, os caranguejos com boca grande (autentico pitéu) fizeram as nossas delicias.
Curioso é que no sítio de onde saiu aquela boca, nasce outra para substituição da anterior.
E finalmente, quando metemos os tios de regresso a "Tarraco", desfizemos malas e fizemos malas, pois estávamos de partida, mas desta vez para...

7.10.11

É ISTO AMOR ?

paixão enganadora

noivos felizes

felicidade demonstrada no rosto

sem palavras

casaram por procuração

Ela é uma grande vaca. Ele tem uns grandes cornos. Mas amam-se.

para a eternidade

30.9.11

Férias





Encontro-me bem disposto, sorridente e com vontade de viver da forma e maneira que sempre me conheceram. Fui com a minha "Dona" fazer uns dias descanso à praia, apanhamos chuva, frio, calor, estivemos no campo e subimos ao vulcão. sem pensar nesta crise financeira sem precedentes na nossa memória.
Quando será estagnada? Sinceramente ninguém sabe, aliás não sabemos, mas uma coisa é certa, já não é na minha curta existência de vida, que vejo o povo, com o semblante menos carregado com a "canga" que nos arranjaram e que tanto peso nos causa. Temos fama de ser um povo taciturno , fácil de manejar pela classe politica (?) e resignado à nossa sorte. Segundo a minha óptica é aqui que se encontra o grão de areia da nossa desgraça.
Esperamos pois, que os nossos vindouros, encontrem um futuro cor de rosa, onde as estrelas do céu sejam brilhantes para todos, que os rios corram novamente com as águas cristalinas, e que os pássaros cantem aos quatro ventos as suas melodias cheias de liberdade.
Contrariando as leis dos negócios, apareceram umas companhias de aviação a praticarem preços nas suas viagens que causam espanto. Tenho ouvido dizer que são companhias fantasmas, aviões que não recebem manutenção, etc. etc.
Cá o Zé tem um medo tremendo às viagens de avião, e raramente mete os "butes" lá dentro. Até que, a "Dona" fez-me uma lavagem ao cérebro e com os pés pesados como chumbo, entreguei a alma ao criador e fosse o que Deus quisesse. Embarcamos no aeroporto Sá Carneiro na Cidade de Porto como se fosse para o cadafalso e a viagem que supostamente era feita num avião enorme, em regímem de voo "charter", foi feita num avião pequeno de dois motores com destino a Madrid, havendo aí uma ligação para Tenerife, onde estariamos de "vacances".
Quando em plena pista, o autocarro parou junto ao pequeno monstro mascarrado, os meus pés sentiram dificuldade em subir o escadote "caseiro" de alumínio para dar entrada no seu interior.
Hesitei, e não fosse um pequeno empurrão nas costas dado pelo passageiro que me seguia, juro que desmaiava. Lá dentro, os seis passageiros ocupavam os lugares que quisessem. Por mim, ficava contente com um para-quedas ajustado nas costas e junto à porta de saída. Foi essa a única maneira que me ocorreu na hipótese de a coisa correr para o torto e cheguei mesmo a pensar e para merecer as suas boas graças, que o diabo não era tão mau como o pintam. Naquela manhã, o vento soprava forte e uma chuva de molha tolos encharcava os ossos dos portuenses.
Seria o Demo a preparar-se para tomar conta da alma daqueles "tontinhos" e desta em particular, a quem a padrinho dera o nome de Zé.
Afinal foram uma férias cheias de coisas boas e que uma subida ao "Teide" retemperou o espírito, desejando nessa altura que o regresso se fizesse na mesma "caranguejola", cuja tripulação era totalmente feminina.
A minha hora não tinha chegado e portanto cá estou a contar estas memórias...