Depois de ter contado aqui o que me aconteceu com as «Margaridas», e do imbróglio em que meti com essas duas «maganas», não vejo motivo para não contar uma outra aventura que foi boa enquanto durou e cujo epílogo cómico/dramático, deixou o Zé com zumbidos durante algum tempo. Pelo menos o tempo suficiente até arranjar outra que fizesse esquecer aquela. Lá diz o velho ditado, que, doenças do coração tratam-se arranjando outro cão.
O Zé atirou-se de cabeça para os braços de uma jogadora de basket, de um clube da margem norte do rio Sado. Não sei se conhecem a cidade do Sado. É simpática, exercendo forte atracção sobre o rio, cujas margens estão cheias de encantos, florescendo arborização fascinante pela influência da proximidade da Serra da Arrábida. As suas praias, Figueirinha, junto ao Sanatório do Outão, Coelho no sopé da Serra e Troia do outro lado na Foz do Sado, o seu cais pesqueiro, o ser Mercado/abastecedor da cidade,e as tascas que o circundam são motivos que nos fazem ter lembrança de voltar para apreciar em pormenor tão bonita Cidade. Acaso já estiveram na esplanada do Forte de S. Filipe? O nosso espírito fica mais leve e quando partimos levamos gravados na retina aquelas extraordinárias imagens. Portanto durante todo o tempo que durou aquele devaneio, foram estes os sítios onde sonhamos acordados. Primeiramente as coisas começaram em segredo e a partir de certa altura, o Zé foi apresentado à mãe da Rosa. (nome alterado) Passei a acompanhar a equipa de Basket, quando esta visitava o adversário no seu terreno, e, expondo-me, passei a ser o alvo de observação atenta, presumivelmente de algum concorrente amoroso.
A minha fama, não chegava aos calcanhares do Brandy "Constantino", porque esse, como sabem, já vinha de longe. Mas para uma mãe, atenta e conhecedora da vida, cheirava-lhe a esturro a paixão "assanhada" da sua menina. Tratou de se por em campo, soube que eram intermináveis as aventuras amorosas do rapaz e passou a magicar na maneira com havia de destruir a afastar de vez, tão incómodo "moscardo".
Até que chegou a véspera da Páscoa. Apresentei-me nos "trinques", estava bom tempo, dissemos à mamã que íamos dar uma volta junto ao cais, peguei no carro e fomos ver o Convento situado em plena Serra da Arrábida, local idílico, entre vegetação única no Mundo e longe de olhares indiscretos.
Quase ao por do sol, voltamos, tendo a Rosa faltado ao almoço e a horas de poder ajudar a mãe nas últimas compras afim de no outro dia comemorar a data festiva, como se impõe aos bons cristãos.
Já a contar com isso, o Zé tinha comprado uma tarte de maçã de kg sendo sua intenção estar presente, na
festividade da ressurreição de Cristo. Faltou-nos os argumentos para justificar a chegada tardia, e estando a progenitora já farta da minha presença, pega na tarte e dá-me com ela na cara, besuntando a cara da filha com a parte que lhe ficou na mão, acrescentando ao acto, "Gira, gira daqui, que você não é flor que se cheire".
A Rosa desata a chorar sem saber o que fazer, eu incrédulo, todo sujo, recebo como uma ordem de um sargento mal-encarado: Você para não ir para a rua fazer má figura, vá à casa de banho, lave essa fuça, vá embora e desampare a loja da minha filha.
Mesmo com o desaire da batalha perdida, ainda ofereci um camelo de cabedal que tinha trazido de uma viagem a Marrocos na esperança de ganhar a Guerra, mas ela fez a devolução do animal, talvez pensando que necessitava dele para fazer a travessia do deserto de Sáara.
Não havia nada a fazer, o assunto tinha morrido, o Zé já andava a pedi-las à muito, restando-lhe a consolação de ao menos, forçado é certo, ter provado o bolo, de maneira tão insólita, comprado com tanto carinho e amor no "Castanheira" da rua Eugénio dos Santos em Lisboa. (Hoje, Portas de Santo Antão, ou rua do Coliseu). Constatei que "ninas" com nomes de flores, só me davam complicações e esta até tinha espinhos. Serviu-me de emenda? Só com o tempo se saberá.































