25.10.11

O Floriano


E parto para a Galiza, destino Sanxenxo. E que bem me soube esta parte de férias.
Sinto-me como peixe na água, desfruto de belezas naturais fantásticas, desfruto acima de tudo de terras que adoro, e da casa que tenho lá.
A viagem faz-se em cinco ou seis horas, lanchamos no Mercado de Pedra em Vigo, estacionamos o automóvel num parque subterrâneo onde as viaturas são guardadas como os aviões nos Porta ditos, ouvimos os primeiros acordes dos gaiteiros saboreando umas ostras acompanhadas por "Albarinho" fresquinho, comemos uma santola da ria, como já não nos passava pelo estreito há muito tempo e fizemos o resto da viagem com as forças retemperadas chegando ao por do sol.
Sanxenxo estava a top, por alguma razão ela é chamada a mais cosmopolita da Galiza. Ainda nesse dia, saímos para um passeio de picadeiro até ao porto desportivo e encontramos sem surpresa, os bares, os restaurantes, as gelatarias completamente cheias.
A vida é bela, é pena que os homens dêem cabo dela. O meu "cortiço" situado num sexto andar de um prédio recentemente construído tem uma "terraça" e consequentemente uma vista bem bonita.
Pela noite, antes da deita, ficamos extasiados mirando com a ajuda de binóculos o que a nossa vista pode alcançar.
Chegou o "San Fermin" e tivemos a tentação de irmos até lá. A distância é enorme, já que o País Basco, não é ali ao lado. Prometo que não vou morrer sem apreciar outra vez esta festa ao vivo.
Quis o acaso que há anos conheci pessoalmente Salvador Dali, pintor famoso e já falecido, que todos conhecemos, voltando a falar-lhe, num período de férias em que estando em Lloret de Mar
dei um salto a Cadaqués na Costa Brava, onde ele tinha casa e atelier e um pequeno Museu. Tinha também, mas isso de grande envergadura Museu em "Figueiras".
Há muitos anos que sou leitor assíduo de o Jornal "Faro de Vigo". Este jornal publica quase todos os dias um desenho de humor, cujo nome da figura é "Floriano", representando um galego bronco e sua mulher, e a primeira coisa que faço, quando compro o jornal é procurar o "chiste" do dia.
Em "O Grove", ali paredes meias com a Toxa ou La Toja, consoante falamos galego os castelhano, na Praça de Arriba, foi inaugurada uma estátua do "Floriano", sentado à mesa, com a "malguinha" do vinho de Barrantes (tinto, muito parecido com o Verde do Minho)e uma outra vazia, para quem o acompanhar, dado ter um banco ao lado para esse efeito.
Pedi que me tirassem uma foto, sentado a acompanhar o "Floriano" e sem eu saber colocou-se por detrás de mim o criador e autor daquela figura, que é simultaneamente natural de O Grove e vizinho de um meu bom amigo.
Fiquei duplamente feliz, por ser incondicionalmente fã de o "Floriano" e ter a sorte de conhecer o seu autor, que me disse já me conhecer, porquanto o "Besada", o ilustre amigo galego e também artista, já lhe ter mostrado uma pintura que me representava.
Não podia passar sem ir a Padron ( terra de Rosalia de Castro, pequena cidade situada perto de Santiago de Compostela, e que deu o nome aos pimentos de Padron, onde uns são picantes e outros non), almoçar no restaurante Chefe Rivera. É que, é nada mais nada menos o cozinheiro do Rei de Espanha, que o acompanhou na inúmeras deslocações ao estrangeiro em especial pela America Latina.
O seu cardápio, contém dedicatórias da Rainha e das Infantas, a sala de refeições é um amor e o cabrito assado é de morrer. Os preços, não são nada que não se possam pagar. Na hipótese de chegarmos e a sala estar a "top", tem um bar muito acolhedor onde podemos esperar. Num corredor muito bem decorado podemos apreciar fotografias de gente ilustre que já visitou aquele restaurante e outras das condecorações que o Chefe já recebeu nas visitas a acompanhar o Rei. É interessante ver lado a lado, O Cozinheiro vestido a rigor, com sua mulher, ao lado do Rei e da Rainha, do Presidente do México, do Perú, do Fraga Iribar, Ministro de Franco e Presidente da Galiza já em plena Democracia, do Príncipe Carlos e... para meu espanto Mário Soares, a confirmar aquela máxima. Mário Soares não vai, já esteve.
Tenho esperanças que para o ano, mesmo com a crise, possa repetir estas doses.

7.10.11

É ISTO AMOR ?

paixão enganadora

noivos felizes

felicidade demonstrada no rosto

sem palavras

casaram por procuração

Ela é uma grande vaca. Ele tem uns grandes cornos. Mas amam-se.

para a eternidade

30.9.11

Férias





Encontro-me bem disposto, sorridente e com vontade de viver da forma e maneira que sempre me conheceram. Fui com a minha "Dona" fazer uns dias descanso à praia, apanhamos chuva, frio, calor, estivemos no campo e subimos ao vulcão. sem pensar nesta crise financeira sem precedentes na nossa memória.
Quando será estagnada? Sinceramente ninguém sabe, aliás não sabemos, mas uma coisa é certa, já não é na minha curta existência de vida, que vejo o povo, com o semblante menos carregado com a "canga" que nos arranjaram e que tanto peso nos causa. Temos fama de ser um povo taciturno , fácil de manejar pela classe politica (?) e resignado à nossa sorte. Segundo a minha óptica é aqui que se encontra o grão de areia da nossa desgraça.
Esperamos pois, que os nossos vindouros, encontrem um futuro cor de rosa, onde as estrelas do céu sejam brilhantes para todos, que os rios corram novamente com as águas cristalinas, e que os pássaros cantem aos quatro ventos as suas melodias cheias de liberdade.
Contrariando as leis dos negócios, apareceram umas companhias de aviação a praticarem preços nas suas viagens que causam espanto. Tenho ouvido dizer que são companhias fantasmas, aviões que não recebem manutenção, etc. etc.
Cá o Zé tem um medo tremendo às viagens de avião, e raramente mete os "butes" lá dentro. Até que, a "Dona" fez-me uma lavagem ao cérebro e com os pés pesados como chumbo, entreguei a alma ao criador e fosse o que Deus quisesse. Embarcamos no aeroporto Sá Carneiro na Cidade de Porto como se fosse para o cadafalso e a viagem que supostamente era feita num avião enorme, em regímem de voo "charter", foi feita num avião pequeno de dois motores com destino a Madrid, havendo aí uma ligação para Tenerife, onde estariamos de "vacances".
Quando em plena pista, o autocarro parou junto ao pequeno monstro mascarrado, os meus pés sentiram dificuldade em subir o escadote "caseiro" de alumínio para dar entrada no seu interior.
Hesitei, e não fosse um pequeno empurrão nas costas dado pelo passageiro que me seguia, juro que desmaiava. Lá dentro, os seis passageiros ocupavam os lugares que quisessem. Por mim, ficava contente com um para-quedas ajustado nas costas e junto à porta de saída. Foi essa a única maneira que me ocorreu na hipótese de a coisa correr para o torto e cheguei mesmo a pensar e para merecer as suas boas graças, que o diabo não era tão mau como o pintam. Naquela manhã, o vento soprava forte e uma chuva de molha tolos encharcava os ossos dos portuenses.
Seria o Demo a preparar-se para tomar conta da alma daqueles "tontinhos" e desta em particular, a quem a padrinho dera o nome de Zé.
Afinal foram uma férias cheias de coisas boas e que uma subida ao "Teide" retemperou o espírito, desejando nessa altura que o regresso se fizesse na mesma "caranguejola", cuja tripulação era totalmente feminina.
A minha hora não tinha chegado e portanto cá estou a contar estas memórias...

15.9.11

Os Caneiros

Numa rua de Betanzos, em que porta sim, porta sim é um bar,
escolhi este com nome muito original, anunciando as pomadas das curas milagrosas



Nas minhas andanças por terras galegas encontrei BETANZOS, pequena cidade a escassos kms de A Coruña, na estrada que liga esta, a Lugo.
Fiz uma visita em pormenor e não dei o tempo por perdido, já que, Betanzos foi em tempos idos capital de província, os seus naturais eram conhecidos por “Garelos”, em 1463 Enrique IV de Espanha concedeu à povoação o título de Cidade e em 1465 permitiu a celebração de uma feira franca anual.
Anos mais tarde os Reis Católicos designam aquela, Capital de Província, na época de maior esplendor da Cidade.
Depois, uma série de incêndios e falta de colheitas iniciou-se a decadência que se veria a agravar, e em 1834 com a nova divisão administrativa a província de Betanzos deu lugar à província de A Coruña.
Revitalizada com a chegada do comboio no princípio do século XX, na actualidade continua sendo um importante núcleo turístico, comercial e administrativo. Desde 1970 o seu “casco antigo” está declarado Conjunto Histórico-Artístico.
O seu “Parque do Passa Tempo”, que esteve em abandono, está completamente recuperado e é uma das sete maravilhas de toda a Galiza.
A sua ria na passagem pela Cidade é estreita, mas faz parte do golfo Ártabro e banha vários municípios entre eles o de Sado e Pontedeume, ambos com historial e a não perder quando por perto lá passarmos.
É aqui pois, que se realizam com grande pompa e circunstância festas milenárias, e a uma delas a “festa de Os Caneiros” tive o grato prazer de conhecer “ao vivo”, e a que o povo chama “Festa dos Bêbados”.
Betanzos é terra de finos caldos (vinhos), de pão enorme com uma “piroleta” em cima e cujo sabor é belíssimo, bem como o “pulpo” de paladar impar e macio como seda.
Quase todos os naturais, têm um pequeno barco, com toldo, uma mesa e bancos corridos, para se deslocarem ria acima, aos prados junto das margens, a fim de fazerem pic-nic.
No verão, em 18 de Agosto realiza-se a primeira jornada da maior romaria pagã de toda a Galiza, “Os Caneiros”, realizando-se a segunda gira a 25 do mesmo mês.


O Município dá um prémio aos proprietários dos barcos melhor engalanados com gosto mesurado e acompanhados de banda de música, sobem o rio Mandeo, aproveitando a maré alta, entre árvores e arbustos que crescem livremente sobre as margens e chegam mesmo a dificultar a sua passagem, abarrotados de povo, com petiscos e toneladas de “caldos”, passam horas agradáveis em confraternização franca e saudável, ao som da Banda, Gaiteiros e Charangas, nas margens lindíssimas do referido rio. Tradicionalmente, as comidas são os restos dos festejos de S. Roque e os milhares de romeiros preparam o corpo para a larga tarde que os espera. Recomenda-se que não vá a esta festa com as suas melhoras galas, pois com os efeitos que os “caldos” fazem, um dos entretinimentos dos folgazões é romper a camisa de quem estiver por perto. Se gosta de adrenalina, divirta-se e “Venga aos Caneiros”, aqui, nenhum forasteiro se sente estrangeiro. Com o anoitecer os romeiros regressam à sua lancha, para voltar a Betanzos, vindo ao sabor da vazante, esperando-os no cais da Ponte Velha, fogos artificiais aquáticos para pôr fim a uma noite mágica, em que o chegar a casa todo esfarrapado é gratificante e orgulhosos por terem contribuído para o brilhantismo das suas festas.
De todas as formas, se não gosta ou não confia nas habilidades aquáticas debaixo dos efeitos do álcool, sempre pode ir aos festejos caminhando uns quilómetros por caminhos sem asfalto e de rara beleza. Também existe uma espécie de barcaça-autobus no cais da Ponte Velha.
Além desta festa, Betanzos celebra entre outras no 2º fim-de-semana do mês de Maio, uma homenagem aos “caldos”. Pelo menos, as gentes desta terra, publicita os seus produtos, e tem larga experiência de saber apreciar a qualidade de uma boa pinga e não é por causa deles com certeza que o negócio dos vinhos em Espanha está em queda livre.
Sou amante das festas tipicamente populares e tem sido inúmeras as vezes que a “Dona” me chama a atenção por ficar como que extasiado, quando oiço os toques de um grupo de gaiteiros, admirando as suas bochechas vermelhas de tanto soprar para dentro do odre, de onde depois sai a caminha da gaita, transmitindo aos quatro ventos aquele som maravilhoso, como que unindo meigas e bruxas, gentes daquelas terras, trabalhadores do mar e do campo, na sua essência mais alegre e popular, dum povo que ama a sua região e se ajuda mutuamente na solidificação das suas raízes.

31.8.11

Os Cabeçudos


Em mil novecentos e setenta e um, era Presidente da Câmara Municipal de Alenquer um familiar do Zé, pessoa prestigiada na Vila e na região. Era o Tempo em que os Presidentes da Câmara não ganhavam um "tusto" pelo trabalho que prestavam ao Concelho.
Quando da realização dos festejos anuais a Câmara Municipal sempre ajudava a Comissão das Festas no suporte das despesas. Como sabem, a Vila é extremamente bonita e presta-se a elaborar um presépio de Natal de efeito surpreendente. No seu brasão tem representado um cão, porque, diz a lenda, meteu árabes e cristãos, mas isso poderá ser história de outra "fazenda" e não esta que pretendo contar agora.
As Festas Populares da terra iam realizar-se, as ruas estavam engalanadas, os coretos a postos, as bandas musicais devidamente convidadas (era hábito as bandas tocarem gratuitamente, a troco de permuta com a banda da terra onde actuavam, aquando da realização das suas).
Era salutar este convívio, onde o povo tirava os seus proveitos ouvindo as bandas tocarem nos coretos das suas povoações sem gastarem dinheiro, dado ser praticamente impossível fazê-lo doutra maneira em virtude do grande numero de executantes. A organização local, comprometia-se apenas em dar de comer aos músicos e quando necessário dormida, sendo distribuídos estes pelas casas da aldeia a troca de nada e a expensas dos anfitriões. Quando a exibição limitava-se a uma só actuação e portanto o regresso a casa era no mesmo dia, apenas era servido um lanche, antes de a Filarmónica subir ao coreto.
"Certa vez em Montelavar actuou a Banda Filarmónica de Amora, e quando no coreto fazia a sua actuação, o trombone recusou-se a deitar cá para fora os seus acordes, dado estar empanturrado de sandes de chouriço e queijo que um "malandreco" pela socapa enfiou no instrumento musical".
A Comissão ds Festas de Alenquer, no sentido dos festejos terem o brilho merecido, tratou de contratar por pouco dinheiro um grupo de cabeçudos, que como sabem actuam sempre com grande êxito nas festas e romarias de qualquer povoação nortenha.Como não queriam pagar muito, o grupo contratado também cortou nos elementos que deveriam dar a entrada na inauguração dos festejos, trazendo pelo sim, pelo não, um dos bonecos para ser usado por alguém que estivesse disposto gratuitamente a fazer de dançarino.
A coisa não era fácil, pois os dançarinos habituais, já o fazem há muitos anos e estão perfeitamente habituados aos equilíbrios que são necessários usar, para não se estatelarem no chão com aquela cabeça enorme acima do seu corpo e de onde só conseguem ver o que está à sua frente por um pequeno buraco feito na roupa na zona do umbigo.
Em todas as terras há sempre alguém que por isto ou aquilo é engatado para os mais diversos serviços. E não podendo fugir à regra, em Alenquer a figura escolhida foi o Miguel, pessoa que todos conheciam e a quem todos davam "algum" pelos pequenos recados que ele também fazia.
Colocar o boneco sobre os ombros do Miguel não foi fácil, já que, ele não estava lá muito virado para entrar nos viras do Minho, era pesado como o diabo, e tinha para prende-lo ao seu corpo uma infinidade de correias. Quem o apertou nunca se tinha metido também num trabalho daqueles e portanto também sentiu dificuldades. Mas, enfim, com todo o trabalho que dava e com o Miguel a barafustar, porque aqui estava apertado demais e ali de menos, mais o desequilíbrio que sentia, a coisa estava quase pronta e já se ouvia o toque dos bombos a afinar as pancadas esperando pelo novo elemento, enquanto o povo aguardava ansioso, pela novidade das cabeçorras.
O Miguel anuncia que quer cagar. Não pode Miguel, então agora depois de todo este trabalho é que te lembras duma coisa dessas? Mas o Miguel está à rasca, dizia ele. Quem estava por perto desata a rir e o homem que tinha apertado as correias diz ao Miguel para dar uns pulinhos, podia ser que passasse. O Miguel barafusta, dá uns saltitos, vai dizendo, Miguel salta e caga e pulava, pulava. Presumivelmente a vontade foi ainda maior, desequilibra-se e salta outra vez. E não é que o Miguel não conseguindo o equilíbrio necessário caiu para cima de uma secretária, a cabeça do boneco partiu-se e cagou-se mesmo pelas pernas abaixo. Pois é verdade, o cheiro nauseabundo empestou aquele pequeno cubículo, mas desatar as correias todas e convencer o Miguel para entrar na dança, é que ninguém conseguiu. Nos anos seguintes ,o Miguel tinha sempre o cuidado de não estar por perto na realização de eventos, não fosse alguém lembrar-se dele.

Aniversario


Faz hoje precisamente 4 anos que o Zé deu início a este Blog, com a ajuda imprescindível do seu amigo "Capitão Merda".
Convido todos os visitantes para me acompanharem num brinde com Moscatel "Excellent"

25.8.11

Na Camarga - França


em Mil novecentos e setenta e um, mandei dar uma revisão ao Ford Cortina, enchi o depósito com gasolina súper e com a "Lurdocas" (já vossa conhecida dos textos "Viagem a Sevilla de 24 de Agosto de 2008 e "Ai não me lo diga" de 18 de Novembro do mesmo ano), partimos para Espanha, França, Italia e Suíça, fazendo campismo. Os dias eram os que fossem necessários e o percurso, o que calhasse. O verão estava no auge, os dias eram grandes e sem dúvida a antever um passeio inolvidável.
Os pormenores foram alterados logo ao segundo dia, quando em Barcelona depois de ter comprado na véspera bilhetes para uma volta à cidade da parte da tarde, faltámos por descuido, tendo atribuído todas as culpas à "Lurdocas" quando na realidade eu não medi, nem fiz cálculo certo ao tempo gasto numa outra corrida que fizemos a Monserrat, pela parte da manhã.
Apresenta-mo-nos em cima da hora, junto à nova praça de touros de Barcelona, quando o local de partida era junto à velha.
Na auto estrada do Mediterrâneo, já em França, partiu-se o para brisas da viatura, era lusco-fusco e não fosse a aparição de uma brigada de "Gendarmes" estariamos em maus lençóis.
Os policias circularam à nossa frente e na primeira saída deixaram-nos junto a uma gasolineira. Tivemos a sorte, de na dita, estar a abastecer um espanhol naturalizado francês, pois tinha quando criança fugido na companhia dos pais à guerra civil espanhola e por lá ficaram, até que com a mudança dos tempos, Franco, autorizou a abertura da fronteira àquela pobre gente.
O Senhor, cujo nome já não recordo, era taxista, tinha um furgão Citroen e um ligeiro, a que dávamos o nome de "boca de sapo" aqui em Portugal. Prontificou-se a arranjar-me no outro dia pela manhã uma oficina de um seu amigo para resolver o problema da colocação de um vidro novo. Logo nessa altura procuramos a oficina, não obstante esta estar quase a encerrar, tendo optado por irmos ficar a um hotel, por indicação do francês/espanhol. Colocamos a nossa bagagem no local de pernoita, e tivemos de ir jantar a um restaurante, já que o hotel era residencial e não servia refeições, e portanto o nosso guia/forçado, taxista de profissão, fez-nos esse serviço, ausentando-se para jantar, mas com o compromisso de nos ir buscar para regressarmos à unidade hoteleira.
Quando nos aparece, conduzia o "furgão", que já vinha cheio de rapaziada que ele transportava para uma festa numa povoação ali perto, onde ia haver "boi na rua". O Zé e a "Lurdocas", perdidos por dez, perdidos por mil, resolvemos acompanhar aquela gente no folguedo. Só então tivemos conhecimento que estávamos em plena região da Camarga e que o "boi na Rua" era o culminar e prato forte daquela festa. Optamos por nos recatar e deambulamos pelas ruas mais iluminadas da povoação,e enquanto apreciávamos as barracas de feira, íamos dando um olho à procura de um melhor lugar para nos colocarmos a recato de alguma marrada, quando o boi ou bois fossem soltos.
Deus põe e o diabo dispõe. Começou a cair uma chuva tão forte, tão forte, os pingos pareciam bagos de uva dos grandes e pelas ruas a água corria em enxurrada. o taxista encontra-nos e leva-nos de regresso ao hotel, voltando ele para a festa, pois os seus clientes, andavam por lá.
Às 9 horas da manhã, o homem esperava-nos à porta, e com a bagagem fomos à oficina saber como estava o assunto da minha viatura. Um estafeta tinha ido a Nice buscar o vidro, e como tínhamos de esperar muito tempo, o taxista propôs-nos para nos levar a passear. A minha boca começou a ter um travo amargo, pois achei que o homem se estava a aproveitar da minha má sorte para conseguir uma boa receita pelos serviços que me estava a prestar. Nem disse que sim, e eis que ele abala direito às praias do Mediterrâneo, onde pelo caminho tivemos ocasião de ver as marismas ou sapal, as salinas da Camarga, e parte das suas 400 aves, entre elas os flamingos vermelhos.
Há hora do almoço, perdi a vontade de comer, estava em depressão e pensando já em regressar
a Portugal, o dinheiro não chegaria para tanto. A "Lurdocas", olhava-me angustiado e pela tarde
ainda fizemos mais uns largos quilómetros.
Lá pelas 19 horas o carro estava pronto, esperei a "dolorosa" intranquilo, e quando me foi apresentada a factura, dei um sorriso que deveria ser amarelo dado o meu estado de espírito.
O valor era perfeitamente aceitável e creio mesmo que se fosse em Portugal, seria mais caro.
Perguntei ao taxista quanto lhe devia, e ele sorrindo dissemos que fossemos ali a uma esplanada bem perto, beber uma cerveja e que me apresentaria a conta. Comentei com a companheira, que voltaríamos para trás e faríamos as férias em Benidorm num parque de campismo, sem as andanças do automóvel.
Sentámo-nos, bebeu uma cerveja, e eu um copo de água para empurrar a saliva que me atormentava, pagou a conta e tem este discurso.
Palavras textuais do taxista. Eu já tive acidentes, eu já passei por dificuldades, quando longe de casa. Tudo quando fiz, foi no sentido de vos ser agradável, portanto não tem preço, não me pagam nada. Que continuem a vossa viagem, com felicidade... Apertando-me a mão fortemente.
Fiquei siderado. Estava exausto, não tinha palavras, não tinha nada com que pudesse pagar aquele gesto.
Não sabia como vincular a minha gratidão... Fiquei com a sua morada e ofereci-lhe um mapa de Portugal, editado pelo Automóvel Clube de Portugal, já bem velho por sinal, onde assinalei onde morada, e que gostaria num futuro próximo poder-lhe pagar da mesma forma.
Um mês depois, um camionista da empresa onde trabalhava, deslocava-se a Itália em serviço, e por ele enviei àquele bom Samaritano uma caixa com 6 garrafas de Porto Ferreira "Vintage". Nunca soube se chegou a entregá-las, pois despediu-se no regresso, e não tive ocasião de falar-lhe, nem saber para onde foi residir.
A partir daí, o meu carro, quando em viagem tem sempre na sua mala 6 garrafas de Vinho do Porto, para o que der e vier, e digo-vos que já tenho usado muitas, até para oferecer a quem não me fez favor nenhum.

12.8.11

Pobre de mim (que se han acabádo las festas de San Fermin)


A cultura do Mediterrâneo e da Península Ibérica elegeu o touro como representante das forças da terra e como protagonista dos rituais que estão na origem das touradas, ligados a cerimonias do culto da fertilidade.
Pamplona, a Iruña ou Iruñea basca, celebra todos os anos de seis a catorze de Julho as festas en honra de San Fermin. Contrariamente ao que se pensa, o patrono de Pamplona não é San Fermin, mas San Saturnino, nem o dia 7 de Julho é o dia de San Fermin, um santo francês, mas sim a festa em honra de San Fermin, bispo, nascido em Pamplona, que morreu mártir.
Estes festejos foram sempre celebrados sem grandes alterações com um carácter muito local até aos princípios do século XX, altura em que um famoso escritor americano se inspirou nos "Sanfermines" para escrever um livro.
A partir de então, e especialmente após a Segunda Guerra Mundial, cada vez mais estrangeiros acorrem à cidade, que durante os festejos chega a triplicar a sua população.
A festa começa com o lançamento do famosíssimo "Chupinazo" do balcão da Camâra Municipal de Pamplona, onde milhares de pessoas, acenam com lenços vermelhos que depois usam durante todo o período das festas ao pescoço. A partir daí, gritando San Fermin, San Fermin, segue-se a explosão de música, dança, canto e festas acompanhados pelo som das rolhas das garrafas de champanhe. Gigantes e cabeçudos, seguidos da "Pamplonesa" - a banda de música que toca sempre a mesma partitura, a famosa "Vals de Astrain" - e a comitiva da gala do Municipio de Pamplona.
No dia 7 de Julho, dia do patrono da festa, toda a gente se veste de pamplonica - de branco com faixas ou lenços vermelhos e com a "txapela", a boina vermelha ou preta para assistir à procissão, com a presença de todas as altas individualidades da Comunidade.
Durante todos os dias em que os festejos são celebrados, haverá sempre eventos relacionados com os touros. Muito haveria para contar destes festejos milenários, mas chamo a especial atenção para a quantidade de estrangeiros que irresponsavelmente se metem no meio daquela população que ao longo de toda a sua existência está e foi preparada para saber correr à frente de uma manada de touros enfurecida, não pelos maus tratos que lhes dão, mas pelo susto e intranquilidade que passam quando inesperadamente se encontram rodeados de milhares de pessoas, gritando e incitando-os à correria.
O saber correr à frente da manada, ter pernas ligeiras, arte e astúcia para não ser apanhado por algum corno afiado como lança, saber alterar a sua direcção no momento exacto não é coisa de todos e os estrangeiros por culpa própria, acabam por ser os "bombos" daqueles festejos, tão apreciado no País Basco.
A foto que publico acima, demonstra a astúcia, a audácia e a valentia desta moça vinda directamente do "caribe" que vestida com todo o rigor de uma Pamplonesa dos quatro custados, como as "canetas" já não a ajudavam para poder fugir, resolveu mostrar ao bovino, que era uma mulher de armas capaz de o enfrentar em qualquer situação, colocando-se nesta posição bizarra.
Ao que parece, a fera, ferida no seu orgulho e como tinha pergaminhos a defender, resolveu não a atacar na posição de decúbito ventral, já que estava acostumada a encarar os inimigos,com olhos nos olhos.
Termino com o estribilho de uma das cantigas mais em voga durante os festejos:
um de janeiro, dois de fevereiro, tres de março, quatro de abril, cinco de Maio, seis de junho, sete de julho, ao San Fermin tenho de ir.

30.7.11

O Torna Viagem

Hoje, quem quiser comprar um torna-Viagem, desembolsa 4.700 €

Em Mil novecentos e setenta e dois, cá o moço, recebeu como oferta de um amigo, uma garrafa de Moscatel de Setúbal, alta, esguio, e cujo conteúdo era '/2 litro.
Torna-Viagem era o seu nome e era oriundo das Adegas de José Maria da Fonseca, que ainda hoje estão situadas em Vila Nogueira de Azeitão. Foi bebida sem qualquer cerimónia oficial, e fiquei encantado com o paladar daquele líquido "melaço" de fazer uma cura milagrosa a alguém que estivesse às portas da morte. Na altura, trabalhava por aquelas bandas e dei um pulo a comprar outra, ficando então a saber que a preciosidade custava duzentos escudos. Era um preço elevado para a época, mas mal ela estava acabada, substituía por outra. Só que, cada vez que voltava, o preço ia subindo. Até que desisti, não porque não tivesse a tentação de as adquirir, mas porque as minhas possibilidades não davam para tais luxos.
Quando via uma Torna-Viagem exposta, confirmava o seu preço e ia ficando extasiado.
Em Dois mil e cinco, o meu amigo Albano (personagem de alguns dos meus contos), ao ouvir da minha boca a historia do Torna-Viagem, foi comigo à rua dos Douradores na nossa Capital e comprou uma para juntar à enorme colecção de bebidas que tinha em sua casa. O seu preço naquela altura estava em oitocentos e cinquenta euros, fazendo a admiração dos outros clientes que assistiam a tal compra. Um mês depois estava vazia, pois para comemorar o nascimento de um neto, a dita foi "deitada abaixo". Calhou-me um cálice, já que estava presente ao acto.

o divino paladar

Nos séculos XVI e XVII, o vinho para comercializar era transportado em toneis de madeira que também serviam como lastro para navios ingleses e portugueses a caminho das Índias e Brasil.
Esse vinho passava longo tempo no mar, atravessando a linha do Equador e os Trópicos, em porões que atingiam temperaturas de 5o a 60 graus centígrados.
O excedente dessas remessas levados em consignação retornavam para as caves dos produtores, que logo perceberam ter nas mãos uma verdadeira preciosidade.
Ao serem abertos, os vinhos quase sempre estavam melhores do que antes de embarcar.
A saga das viagens parecia aprimorar a sua qualidade e aumentar sua complexidade.
Assim surgiu a lenda do Torna-Viagem. Um vinho generoso, fortificado, sedutor e raro.
O vinho Torna-Viagem simboliza os destinos do vinho-viajante, enquanto o tempo o torna ainda mais especial.
No ano Dois mil, o navio escola-Sagres (ex-Guanabara, da Armada Brasileira), comandado pelo capitão-de-fragata António Maia Dias, levou vinho Moscatel da safra de Mil novecentos e oitenta e quatro em barris, recreando todo o percurso da viagem de Pedro Alvares Cabral rumo a terras de Santa Cruz e os resultados foram excelentes. Existem nas Adegas de Azeitão 5 mil garrafas deste preciosas néctar, descansando no silêncio das caves, envelhecendo, ganhando qualidade que só o tempo incorpora aos grandes vinhos.
Talvez fique para a próxima geração da família. De qualquer forma, quem se deparar com uma garrafa destas no futuro não deve perder a oportunidade. Pode ser que nunca mais apareça outra igual

23.7.11

Acabaram-se as férias



Em Cima : Grutas das Maravilhas - Aracena - Andaluzia


Em Baixo: La Vagina - Cuevas del Mar - Llanes - Asturias -



Nos Aeroportos buscas à procura de armas em bagagens e pessoas



Um dia bem passado no Parque Aquático



Aproveitando e fazendo mijinha

27.5.11

O Barbeiro/Castrador


O David era um homem alto forte, usava uma bicicleta quase sem pintura, não tendo luz na dita, porque não estava para usar aquele aparato que trabalhava a carbureto e que pouco alumiava, e em vez de campainha ou buzina de bola de borracha, usava uma cavilha (prego grande) atado com um cordel, com que batia no guiador (este a parecer uns chifres de bovino), para alertar os transeuntes da sua presença. A sua profissão era Barbeiro e Castrador ou Castrador e Barbeiro, nunca soube bem qual era a profissão em que era mais especialista. Como Castrador, nunca lhe senti a faca, e daí não saber se era exímio nessa arte. Como Barbeiro, a navalha passou-me muitas vezes pelos queixos e com resultados mais ou menos positivos. Também não tomei nota se houve mais positivos ou negativos, pelo que admito um empate.
Quantas vezes o David saía bem cedo de sua casa montado na sua velha pedaleira para acorrer a uma chamada urgente, no sentido de capar um porco, e depois quando regressava ainda com a roupa suja daquele trabalho já estavam um ou dois clientes à sua porta porque pretendiam cortar o cabelo.
Era casado com a Beatriz, "enfermeira relativa", já que não tirou nenhum curso, mas dava uma injecções a quem necessitava, tendo aprendido nuns desgraçados cães vadios, visitas do seu quintal e que iam fazer a "corte" à sua cadela de raça "Castro Laboreiro" que acompanhava o David quando nas horas de lazer ia à procura de algum coelhito.
Raramente vestia bata branca no exercício de "figaro", mas era artista rápido e destro com a navalha, que o digam os clientes que saiam porta fora a deitar sangue por alguma borbulha que não resistia ao fio da navalha mal afiada.
As suas mãos «manápulas grandes» habituadas a apalpar os testículos aos suínos eram de pele grossa causticadas pelo sol do verão e o frio do inverno, e quantas vezes o David na ânsia de satisfazer algum cliente mais apressado afiava a navalha na palma da mão, fazendo um corte para experimentar se estava em condições, naquela pela dura resistente na parte lateral da sua mão direita, já que era canhoto.
O "After Shawe" não passava de uma pedra que parecia gelo passada pela cara que fazia arder e a cicatrização de um descuido, era remediada com uma mortalho de fazer cigarros de tabaco "onça" avulso, e às vezes não chegava uma. Quando as coisas corriam mal, a cara do cliente ficava pálida e levava de chapa uma mortalha que o sangue colava à cara, quando não era duas ou três.
Mas mesmo assim, não lhe faltavam clientes, já que, ele tinha olho e fazia um desconto a quem fosse cliente nos seus dois negócios.
Um dia, na paragem da camioneta de passageiros que vinha de Cacilhas com destino à sede do Distrito, saiu um sujeito aperaltado, bigode farfalhudo, sapatos bem engraxados (ficou tramado
as ruas lá da terra era de areia solta), dirigiu-se a uma pequena mercearia e perguntou onde havia uma barbearia. O merceeiro, não conhecia aquela cara e curioso, tentando explicar, atrapalhou-se na sua maneira de dar explicação, mas remata desta maneira, olhando e apontando para o chão.
Meu caro Senhor, é muito fácil lá chegar, siga sempre este rasto de sangue e vai lá ter. Os olhos do homem saltaram de terror, nas como não viu sangue nenhum foi embora sem dizer obrigado.
O certo é que o homem conseguiu achar a barbearia do David,esperou pacientemente pela sua vez e chegou o momento de colocar o David à prova de fogo, pensando que se calhar seria melhor ter feito um seguro de vida.
Como era cliente novo e desconhecido, pelo sim pelo não, David pediu com um grito para a Beatriz lhe trazer a navalha nova. (o que fazia pela primeira vez, sem carta de recomendação).
O cliente foi-lhe dizendo que tinha ido ali para fazer a barba, dado que no outro dia sábado, ia ao casamento de uma moçoila lá da terra. Queria portanto um trabalho escanhoado com perfeição...
O David dá-lhe a primeira e segunda passagem, e a cara do cliente tinha salpicos de sangue que o David atabalhoadamente tenta estancar. O "Mestre" grita novamente à mulher que estava lá nos confins da cozinha e pede um copo de água. A mulher chega lesto, o David pega no copo e coloca-o na mão do cliente, que recusa e diz que não tem sede. O David responde-lhe; que não é para beber é somente para bochechar e verificar se a cara está rota.
Mas o Barbeiro estava imparável, dá espuma outra vez na cara do cliente, ele barafusta e diz que está bem assim. Que não, que não, ele tinha dito que ia amanhã ao casamento da nubente lá da terra e portanto ia escanhoado a preceito. Vê, vê, há sempre uns cabelitos que nos escapam e aqui o seu pescoço está cheio deles. E vai puxando as peles, e puxa e corta e torna a puxar e o cliente está num pavor.
Até que o David, diz assim. Meu caro senhor, tenho feito um trabalho notável, mas o Senhor tem aqui no pescoço um sinal preto enorme. O homem salta da cadeira, olha para o espelho e vê efectivamente aquele sinal enorme escuro e cheio de pregas.
Oh. Meu Deus, você já me puxou tanto, tanto as peles, que já tenho o buraco da saída do corpo aqui no pescoço.
Atirou com a toalha para cima da cadeira, pagou, saiu, ninguém ficou a saber se no outro dia tinha ido ao casamento, mas nunca mais voltou aquela terra.

17.5.11

Milagre


Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida com apenas uma oração que fez na igreja de uma aldeia próxima.
Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:
Bom dia, padre.
Bom dia minha filha. Em que possa ajudá-la?
Sabe, padre, eu soube que uma amiga minha veio aqui há umas semanas atrás e ficou grávida só com uma Avé-Maria. É verdade, padre?
Não, minha filha, não foi com uma Avé-Maria... Foi com um Padre nosso............... Mas ele já foi transferido para outra paróquia.

8.5.11

Humor através do Lápis



Pitosga, muda lâmpada





Ordem mal compreendida

Andar com celular na mão é incomodo

Novas oportunidades e pessoal antigo


Será em Portugal? Não creio...

29.4.11

SIMPLESMENTE ARRASADOR


Eis o que acabo de receber por mail de um amigo. Como é um assunto que diz respeito a todos nós atrevo-me a transcreve-lo na sua integra.

Portugal visto de Espanã

AS VERDADES OCULTAS EM PORTUGAL

Lisboa, 21 sep (IPS) Indicadores económicos y sociales periódicamente divulgados por La Union Europea (UE) colocam Portugal em niveles de pobreza e injustiça social inadmisibles para um país que integra desde 1986 el 'club de los ricos' del continente.
Pero el golpe de gracia lo dio la evalución de la Organização para la Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): em los próximos anos Portugal se distanciará aún más de los países avanzados.
La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del sector empresial, educación e formacion profesional deficientes, mal uso de fondos públicos, com gastos excessivos e resultados magros son los datos señalados po el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30 países industriales.
A diferença de España, Grecia e Irlanda ( que hicieron também parte del 'grupo de los pobres' de la UE), Portugal no supo aprovechar para su desarrolho los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde Bruselas durante casi dos décadas, coiciden analistas políticos y económicos.
En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década atrás, Portugal ocupava um lugar superior al de Grecia e Irlanda em el ranking de la UE.. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos países, mientras España ya se ubica a epoca distante del promedio del bloque.
'La convergencia de la economía portuguesa com las más avanzadas de la OCDE pareció detenerse el los últimos años, dejando una brecha significativa em los ingressos por persona', afirma la organización.
En el sector privado, 'los bienes de capital no siempre se utilizan o se ubican com eficacia y las nuevas tecnologias no sin rápidamente adoptadas', afirma la OCDE.
'La fuerça laboral portuguesa cuenta com menos educaión formal que los trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros de Europa Central y Oriental' señala el documento.
Todos los análises sobre las cifras invertidas coiciden en que el problema central não está en los montos, sino en los métodos para distribuilos. Portugal gasta más que la gran mayoria de los países de la UE en remuneración de emplegados públicos respecto de su producto interno bruto, pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los servivios. Con más professores por cantidad de alunnos que la mayor parte de los miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación profesional competitivas com el resto de los países industrializados.
Em los últimos 18 anos, Portugal fue el país que recibió más benefícios por habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer e las perspectivas hoy indican mayor distancia.
Dónde fueron a parar los fundos comunitários?, es la pergunta insistente en debates televisados y em columnas de opinión de los principas periódicoa del país. La respuesta más frequente es que el dineiro engordó la billetera de quienes ya tenían más.
Los números indican que Portugal es el país de la UE com mayor desigualdad social y con los salarios mínimos y medios más bajo del bloque, al menos hasta el 1 de Maio, quando éste se amplió de 15 a 25 naciones.
Tambén es el país del bloque en el que los administradores de empresas públicas tienen los sueldos más altos. El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que 'el mercado decide los salarios'. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas (1995.2002) y actual diputado socialista Jão Cravinho desmintió esta teoría. 'Son los proprios administradores quienes fijan sus salarios, cargando las culpas al mercado'. dijo.
En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con accionistas minoritarios privados, 'los ejecutivos fijan sus sueldos astronómicos (alguns llegan a los 90.000 dólores mensuales, incluyendo bonos e regalias) con la complicidad de los accionistas de referencia' explicó Cravinho. Estes mismos grandes accionistas, 'son a la vez altos ejecutivos, y todo este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve como una gruesa tajada va a parar a cuentas bancarias de los directivos' lamentó el ex ministro.
La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos años ' está siendo pagada por las clases menos favorecidas', dijo. Esta situación de desigualdad aflora cada dia con los ejemplos más variados. El último es el la crisis del sector automotriz. Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15000 y 20.000 dólores. Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche, Lamborghini, Maserati y Lotus (veículos que valén más de 200.000 dólares), lamentan no dar basto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento en la demanda.
Estudios sobre la tradiconal industria textil lusa, que fue una de las más modernas y de más calidad do mundo, demuestran su estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necessários ajustes para actualizarla.
Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos Ferrari por metro quadrado que Italia .
Un ejecutivo español e la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según su experiencia con empresarios portugueses, éstos 'están más interesados en la imagen que projactan que en el resultado de su trabajo'. Para muchos 'és más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta de crédito que pueden lucir al pagar ua cuenta o el modelo del teléfono celular, que la eficiencia de su gestión' dijo Felipe, aclarando que hay excepciones. Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al desarrollo de un país', opinó.
La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del sector público com potenciales efectos positivos en la superación de la crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la población económicamente activa. Los únicos contribuintes a cabalidad de las arcas son los trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre essas cabezas, manteniendo situaciones 'obscenas' y 'escandalosas', según el economista e comentarista de televisióm Antonio Pérez Metello. 'En lugar de anunciar progresos en la recuperación de los impuestos de aquellos que continúan riéndose el la cara del fisco, el gobierno (conservador) decide sacar una tajada aun mayor de esos que ya pagan lo que es debido, e deja incólume la nebulosa de los figitivos fiscales, sin coherencia ideológica, sin visión de futuro', criticó Metello. Lá prueba está explicada en una columna de opinión de José Vitor Malheitro, asparecida este martes en el diario Publico de Lisboa, que fustiga la falta de honestidad en la declaración de impuestos de los lamados profesionales liberais. Según esos documentos entregados al fisco, médicos y tentistas declararons, los arquitectos de ingresos anuales promedio de 17.690 euros (21.750 dólares), los abogados de 10.864 (13.365 dólares) 9.277 (11.310 dólares) y los ingenieros de 8.382 (10.310 dólares). Estos números indicam que por cada seis euros que pagam ao fisco, 'le roban nueve a la comunidad', pues estor profesionales no dependientes deberían contribuir com 15 por ciento del total del imposto al ingreso por trabajo singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.
Con la devolución de impuestos al cerrar o ejercicio fiscal, éstos 'roban mas de lo que pagan, como si um carnicero nos vendiese 400 gramos de bife y nos hiciese pagar um kilogramo, y existen 180.000 de estos profesionales liberales que, en promedio, nos roban 600 gramos por kilo', comentó con sarcasmo. Si um país 'permite que un profesional liberal con dos casas y dos automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, e encima recibe un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos, significa que el sistema no tiene ninguna moralidad, sentenció.

17.4.11

Um pouco de humor, em tempo de crise

Já na primária, o nossos Primeiro era muito carinhoso com o ensino.
Curiosidade masculina

.Vocês sabem lá a crise, que vai pela beira da estrada

Será este o apito dourado? Pelo menos, o "Bandeirinha" não marca "of-site"!..
.
Chorando a morte de sua amada

comichão colectiva?
Estará aqui a cura?

2.4.11

Os Canejos


Caso I

As suas pernas eram arqueadas como se toda a sua existência tivesse cavalgado um puro sangue selvagem.
O Tomaz era filho de um casal humilde, tinha mais dois irmãos, sendo ele o mais novo, tinha um feitio "espalha brasas", mas era amigos dos seus amigos. crescemos juntos, lutamos juntos, andamos na primária juntos. Sua mãe doméstica, seu pai empregado da telefónica, dava diariamente cordas ás botas, fazendo kilómetros e kilómetros a pé, subia aos postes e nas horas vagas entretinha-se a arranjar sapatos, para juntar mais uns "tustos" para o sustento familiar.
Um dia a família foi em peso visitar um amigo que vivia em Palhais-Barreiro, junto a um moinho de marés, os pequenos meteram-se numa lancha esta virou-se e o pai que não sabia nadar, com a aflição para ajudar os filhos acabou por deixar ali a vida.
Consternação em toda a redondeza, e a partir daí a heroína da sua esposa, viu-se a braços sozinha para ganhar a sustento para a casa.
O Tomaz dizia entre uma brincadeira e outra que haveria um dia de ter as pernas direitas.
Já crescidos, cada um procurou a sua vida e durante pelos menos 60 anos deixei de o ver. Recentemente soube que eu estava de regresso às origens e procurou-me sem o conseguir.
Até que, num funeral de um amigo comum esse encontro foi um facto. Demos um forte
abraço de saudades e reencontro. Ambos mais velhos, ambos com o mesmo feitio, ambos com humor à flor da pele e ele ainda não esquecido das "brasas do seu espalha".
E a primeira e pergunta que me faz, foi esta. Não notas nenhuma diferença em mim? Olhei e remirei-o de alto a baixo, e confessei que não. É que fui operado às pernas e já não sou "caneijo". Sorri, dei gargalhadas acompanhadas das suas e dei-lhe os parabéns. Estava feliz o amigo... Percebi, quanto foi importante aquela operação, para levantar o ego do meu amigo.
Caso II
E lembrei-me deste caso e do sofrimento que este homem terá por lhe ter acontecido esta desgraça.
Trabalhava na Siderurgia Nacional no Seixal,moço novo, sentia desgosto enorme por ser "canejo", achando mesmo que as moças não se chegavam a ele por essa razão. Foi aconselhado a ser operado, pois era do conhecimento geral que havia muitos bons resultados e êxitos nessa operação. Meteu-se a caminho, escolheu ortopedista e resolveu-se.
Que contraste entre o Tomaz e este de quem nem cheguei a saber o nome. O Tomaz estava felicíssimo e apregoava ao seu mundo essa felicidade, enquanto o outro chorava a sua desdita e o dinheiro gasto, já que, as suas pernas que eram canejas assim ( ), passaram a ficar assim )( depois da operação.
Negligencia médica?

20.3.11

O Internamento


O Zé nunca esteve doente, o Zé poucas vezes foi atacado por uma pequena tosse e o Zé que tem médicos por perto, gosta de falar com eles, qualquer assunto desde que não seja sobre doenças.
Todavia, o Zé já esteve internado seis dias no Hospital de Santa Maria em Lisboa e com perspectivas de necessitar de uma operação que a efectuar-se seria de urgência.
Por volta dos anos 60, o homem saudável que sempre tinha sido, sentiu uma dor acima virilha esquerda e não ligou ao assunto. Pior do que a cantiga do Fernando Nascimento "Ela não voltou" do primeiro festival da canção exibido pela televisão portuguesa.
Mas aquela dor repetia, era aguda e recorri ao Prof Dr. Carlos Ribeiro, conhecido cardiologista que chegou a ser bastonário da Ordem dos Médicos, e era seu vizinho.
Diagnosticou os malefícios do apêndice e portanto era necessário retirar o referido.
No outro dia deu entrada numa das enfermarias do Hospital Escolar da nossa Capital e já acima referido. Pedia a todos os Santos, aos Médicos e sabe lá a quem mais para diligenciarem um tratamento em vez de corte por bisturi.
Naquela época ser vizinho e conhecido de tão ilustre Médico era uma dádiva de Deus e Deus colaborou com o Zé, já que,só lhe faltava a auréola para ser Santo. E portanto a equipa médica daquele serviço, mandou iniciar um tratamento.
E assim, de manhã e à noite, o Zé apanhava nas "bochechas do Traseiro" injecções. Os dias iam passando, a sua saúde de ferro estava a recompor-se e ao quinto dia, quando a enfermeira fazendo a sua rotina entra na enfermaria para distribuir os tratamentos pelos internados, aproxima-se do Zé, que fazendo já tudo em automatismo destapa o "sim senhor" colocando-o bem a jeito da profissional de saúde. Esta sorri e disse assim, "Estranha maneira de tomar comprimidos". As injecções tinham terminado na véspera e foram substituídas por comprimidos. Como nunca me faltou boa disposição, dei uma sonora gargalhada.
Depois foi só esperar pelos resultados de análises e o Zé saiu pelo seu próprio pé e ainda hoje sou portador do apêndice que se encontra desde aquela data quietinho e a dormir sossegado, não tendo nunca mais dado qualquer sinal de se sentir incomodado.

3.3.11

O Sábado Gordo


Corso carnavalesco nos anos 50. Na época presente pode ver-se igualzinho na Capital Caramela.

O carnaval aproxima-se do seu fim e o Zé folgazão, adorando esta época não podia deixar de recordar os carnavais no Coliseu dos Recreios.

No princípio dos anos cinquenta, o Zé e o seu amigo Albano, companheiro de várias aventuras, já vosso conhecido resolveram fardar-se a preceito e ir uma noite ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa, ainda na altura, Capital do Império Luso.

Começamos por comprar um bilhete para “Geral Reservada”, o que quer dizer “bilhete de pontapé nas costas”, mas sob reserva sempre era outra coisa. Para entenderem, o Zé vai explicar. O Coliseu dos Recreios situado na Baixa de Lisboa, era e é, uma grande sala de espectáculos extremamente versátil. Ali podem ocorrer, sessões de cinema, teatro, circo, bailes, congressos, comícios; enfim, um não mais acabar de eventos. Desde plateia, poltronas, frisas, camarotes, “geral reservada” e culminando na “geral simples”, todas escalonados por andares e preços, sendo estes em pé no último piso e a “reservada” praticamente ao nível do rés do chão um pouco mais cara, mas de bancada, e daí o termo “Bilhete de pontapé nas costas”.

O seu interior era bonito e agora depois de recuperado mais bonito está. Todavia, no presente, os eventos que arrastam multidões resumem-se a uns grupos de 5 ou 6 moços a que chamam banda e que tocam instrumentos musicais que nos dão cabo dos tímpanos.

Na época de Carnaval o espectáculo era sempre circo. A malta sentava-se, assistia ao circo e nos intervalos uma orquestra animava os bailes, que decorriam na pista e nos inúmeros corredores dos vários pisos.

Para manter a ordem havia polícia por todo o lado, que dois dias antes tinham estreado farda nova. Acho até que toda a instituição estava orgulhosa pelo aparato que faziam e garbosamente ostentavam.

No sábado a anteceder o Domingo gordo, era a nossa grande noite, com o baile trapalhão.

Previamente preparamo-nos para o ataque ao Carnaval do Coliseu dos Recreios. Arranjamos uma caixa de cartão que tinha servido para empacotar uma telefonia da marca “Telefunkem”, fomos à mercearia de um comum amigo e fizemos o abastecimento para o bombardeamento do nosso Carnaval. (era habito na época, levar uns saquitos pequenos cheios de serradura, para atirar ás “donzelas”). Pedimos a um amigo tendeiro, 2 guarda-pós, que eram usados pelos droguistas e merceeiros, optando por uns que tivessem sido usados toda a semana. Eram duma beleza assustadora, acastanhados, marcas no peito fruto do merceeiro limpar ali as suas mãos, na barriga restos de sabão amarelo que ficavam quando com uma faca cortava as barras do dito.

Colocamos na caixa, 1 Kg de batatas pequenas já semi-podres, 3 litros de milho, 2 de feijão manteiga, uma dúzia de cebolas também já em estado de decomposição, uma dúzia de pacotes de 125 gramas com pó de sapato (pó muito fino e escuro que entra na composição da graxa, e se emprega no fabrico de lápis para desenho) e 8 sardinhas amarelas de barrica. Deixamos de parte uns ovos, porque ainda não tinham “Pinto” e tivemos medo que se partissem no caminho. Colocamos um cordel com varias voltas à caixa, um bocadito de trapo para não aleijar as mãos, e…

Fomos à Adega do meu progenitor e mascaramo-nos com fatos que nunca tinha servido para tal. Calças e casacos que pela época das vindimas serviam para os trabalhadores levarem as uvas aos lagares e cujo mosto os punha quando secos tesos como pau, e a terminar o chapéu onde na cabeça assentavam as selhas de madeira, igualmente cheios de mosto. Por cima da farpela vestimos os guarda-pós e às 20 e 30 horas, estávamos com o nosso farnel à porta do Coliseu esperando na bicha para entrarmos. Em correria apressada tratamos de arranjar um bom lugar, colocando a caixa debaixo das nossas pernas e acertando as miras dos canhões para o fogo serrado que se iria seguir.

Coliseu cheio, à pinha, de outra forma, como sardinha em lata. O espectáculo iria começar, os holofotes esperavam tremelicando a entrada dos artistas e nós em desassossego íamos esperando. Há hora prevista, tocaram as trombetas e o circo entra em movimento... Existem sempre fracções de tempo que tudo fica às escuras e era precisamente aí que os nossos canhões abriam a sessão de ataque.

Os primeiros acordes foram acompanhados com uma saraivada de batatas, lançadas para a direita e esquerda e quando as luzes acendiam novamente, tratávamos de aplaudir, batendo palmas a confirmar o sucesso da artista e das suas plumas em cima de um cavalo. Sentados apreciávamos os primeiros estragos. Um senhor limpava a banda do casaco, tentando descobrir de onde teria partido aquele obus; no lado contrário uma senhora tinha o seu carrapito em desalinho, e outro cavalheiro limpava as patilhas do cabelo, onde tinha aterrado uma pasta de batata depois de ter feito ricochete em qualquer lado. Para começar não estava mal, comentavam os francos atiradores. Trocamos impressões para acertar se continuávamos com “batatame” ou se alterávamos para cebola, de maneira a não deixar esturrar o refugado. A partir daí e enquanto não fosse esgotado este tipo de mantimentos mantínhamos esta maneira de atacar, fazendo uns ou outros salpicos de milho e feijão para distrair os inimigos. A coisa não corria mal e o nosso exercito quase inçava e desfraldava a bandeira vitoriosa, quando nos passou pela cabeça lançar uns petardos de efeito mais desastroso. Pegamos cada um num pacotinho de pó de sapato e achamos que o deveríamos primeiro picar com um alfinete, como na cozinha as nossas mães faziam aos chouriços, para quando chegassem ao seu destino, ao baterem desfazerem-se imediatamente. À falta de alfinete, fizemo-lo com um canivete, o que alterou imediatamente os seus efeitos. Em vez de buraquitos, ficaram uns “buracões” e portanto o alcance em distância já não era tanto, dado aquele material bélico ir a esvaziar pelo caminho. Através das luzes, víamos aquele pó finíssimo pairando no ar. As nossas mãos ficaram completamente pretas e portanto se fossemos apanhados dificilmente teríamos condições para negar que não éramos os agressores incógnitos. Nos arremessos imediatos, desfizemo-nos destes petardos e ao abrirem de novo as luzes da ribalta, sentíamo-nos seguros, colocamos as mãos nos bolsos para as esconder e apreciávamos a continuação do movimento carnavalesco, que diga-se estava no auge. O pior, meus amigos, é que deitando sacos de pó de sapato já rotos a eito e em força, houve o infeliz azar de pregar com um deles nos queixos de um polícia. Nós notamos um movimento desusado na força policial, não sabíamos é que a coisa seria tão preta. (aliás era bem visível nas trombas do agente da ordem e na sua farda, o preto do pó de sapato) Os olhos dos militares percorriam incessantemente pela “geral reservada” como se fossem holofotes de grande alcance a procurar aviões invasores prontos a despejar metralha sobre aquela população indefesa. Os nossos fatos despertavam atenção pela originalidade negativa e portanto os nossos corações começaram a bater numa cavalgada desenfreada. Somos caçados, dizia o Albano, calma, dizia eu, mas mais aflito ainda. Até que, prevendo que a coisa poderia ser mais torta, resolvemos ir aos corredores e aos “banheiros” deitar fora as sardinhas amarelas de barrica, na esperança de que com a continuação do espectáculo a policia se acalmasse.



A animação nos corredores e na pista, era assim.

Levanta-mo-nos e descemos a bancada, levando cada um, 4 peixes embrulhados em papel pardo. Ao passar pelo primeiro policia que encontramos o Albano é interceptado por um “bófia”. A minha cara deveria ter ficado da cor de um pimento vermelho e vi-me imediatamente dentro de uma cela, numa das esquadras desta cidade que amo. O Albano, além de todo o material que levávamos e como reforço, ainda tinha um saco enorme cheio de serradura, preso por um grande cordel, de forma a dar com ele na cabeça de alguém e puxava imediatamente pelo cordel para o recuperar.

(era como a história do Solnado, na guerra de 1908). Afinal para nossa tranquilidade, foi essa arma que o polícia apreendeu sem ver nem perguntar o que levávamos no embrulho onde estavam sardinhas a que o sal já tinha comido os olhos. Os urinóis dos homens, não era mais do que uns canos galvanizados a deitarem água para uma parede e onde cada “indígena” fazia as suas necessidades mictórias contra a referida. Aquela cena, também é digna de uma referência especial, já que, a multidão a “mijar” contra a parede, vistos por detrás pareciam os Judeus na Terra Santa no momento das suas orações, só lhes faltavam os rabichos. Fingindo que estávamos a vazar a “bexiga” atiramos junto á parede duas sardinhas por cima dos indivíduos que estavam ao nosso lado. Uma delas, fazendo um voo perfeito devia ter caído sobre uma mão que segurava o “penduricalho” enquanto fazia o seu “xixi”. Olá!!, disse alguém. Ora aqui está uma brincadeira bonita!!. A vontade de rir enchera as nossas bochechas. Pois meus amigos, dentro de pouco tempo, até na pista dos artistas caíram sardinhas e juro, não fomos nós que as atiramos.

O nosso stock já se limitava a milho e feijão, e sentíamo-nos receosos e talvez por receio, parecia-nos que a polícia nos tinha debaixo de olho. Num dos intervalos quisemos arranjar par para dançar. Mas quem dançava com mascarados com tão estranha indumentária e as mãos negras a lembrar um natural de S. Tomé e Príncipe?

Pelas 4 da manhã, saímos extenuados e já sem a caixa de cartão, caminhamos até ao Cais do Sodré, batendo o queixo com frio por falta de abafos que nos defendessem do mês de Fevereiro, para apanhar o primeiro barco da travessia do Tejo.

Moral desta história verídica. Em todas as épocas houve meninos bonzinhos que por isto ou aquilo, às vezes subiam-lhe a negra à cabeça e eram tão traquinas como os piores.

Espero encontrar o Albano num futuro próximo no além e que já esteja bem orientado para podermos iniciar novamente s nossas partidas carnavalescas.