30.9.09

O número 9

O número 9 foi o primeiro a fugir à frente do “Novilho”.
Cá está ele com o carimbo no ar. É o primeiro da esquerda.

De seu nome Apolinário, nasceu por volta de 1939/40, numa pequena povoação do sul do Tejo, freguesia de Amora, acrescentando mais uma boca a comer naquela casa de gente pobre, onde já corriam de pé descalço mais 8 irmãos. O progenitor, trabalhador rural, gostava de encostar a barriga no balcão da taberna, dando-lhe jeito aquela posição, porque depois de emborcar uns “baldes de 3” sentia as pernas a fraquejar e assim o apoio dava-lhe a estabilidade que de outra maneira não conseguiria. Era raro o dia que não regressava a casa acompanhado de uma “carraspana”.
O seu menino nasceu com defeito no pé esquerdo e nem a ortopedia conseguiu rectificar a anomalia, ficando, pois, aleijado para toda a vida.
O seu pai, conforme os filhos iam nascendo, atribuía um número a cada um deles. Ao nosso Apolinário, pela ordem do nascimento calhou o número 9 (vejam só que, futebolisticamente falando, a equipa daquela casa seria uma equipa destinada ao insucesso, pois iria ter um avançado centro coxo). As crianças iam crescendo e, quando havia festa na terra, qual bando de pardais, saltitavam pelos carrosséis, pistas de carrinhos de choque, tudo quanto era barracas de feira, enfim dando azo às aventuras das suas traquinices. Naturalmente, um perdia-se, outro achava-se, até que, por muito que se procurassem um deles, não aparecia mesmo. Aí entravam o pânico e apressadamente regressavam a casa ou ao tasco onde o pai estivesse, a dar-lhe conhecimento que o n.º “tal” se tinha perdido na festa. Entre o beber e o arriar do copo, o pai lá ia dizendo que o número tal e o tal fossem procurar o número que faltava, e que os outros regressassem a casa, pois quando ele regressasse fariam as contas. E, no fundo, raras eram as vezes que dava uns açoites no que se portasse mal.
Com 12 anos, o nosso herói começou a aprender a profissão de sapateiro e, mais 2 ou 3 depois, já era exímio na arte de colocar umas tombas, que uns joanetes mais desenvolvidos deformavam os “chanatos”. Usava um sapato especial, dado só conseguir arriar no solo o peito do pé, ficando o calcanhar no ar, assim como os sapatos de salto alto, que as senhoras tanto gostam e que tanto mal lhes fazem. Por isso o seu andar acabava por ser muito cadenciado e dando um toque sempre que batia no chão. A seguir ao ofício de sapateiro, teve vários trabalhos, até que ainda novo acabou por se reformar.
Na localidade há uma colectividade que, entre outras, tem a secção de atletismo e consequentemente corredores de fundo. Na altura que iniciou a aprendizagem de sapateiro, o Apolinário, aproveitando a distracção de uma galinha e do seu dono, corredor de fundo no clube, pegou no galináceo, meteu-a debaixo do braço e ala pernas que vos quero. O animal faz barulho, o dono dá por isso e desata a correr para apanhar o “larápio” furtivo. Impossível. O coxo demonstrou ter competência para fazer parte da equipa de atletas lá da terra e não foi apanhado.
Nunca gostou que lhe chamassem coxo e afinava seriamente se percebia que alguém o fazia maldosamente, tendo no entanto por vezes atitudes de humor relacionadas com a sua infelicidade.
Certa vez, um amigo convidou-o para no seu automóvel irem dar um passeio a Évora e foram almoçar num dos restaurantes da cidade, que tem um balcão de serviço de ”barra” e pavimento de soalho de madeira. O silêncio foi interrompido pelo toque, toque do pé do Apolinário, a dirigirem-se para uma das mesas vagas e, por detrás deles, em voz bastante acentuada e sotaque alentejano, alguém diz assim: É com…padre, empres...te aííí o cárim...bo.
Olham para trás e toda a gente comia em silêncio, como se nada se passasse. A cara do Apolinário tornou-se em arco-íris, sentou-se e desabou a sua ira com o companheiro de viagem. Não conseguia empurrar o entrecosto com as batatas pela goela abaixo e lamentava não saber quem tinha sido o alarve que se tinha metido com ele, que lhe daria com a bandeja pela cabeça abaixo. Acabado o almoço, e quando já se encontravam à porta de saída, do balcão, onde vários clientes bebiam cerveja alguém atira com esta: Com...pádre... ‘stá áqui á tinta... pró...cárim...bo. Desatam todos a rir e o nosso amigo fez promessa de nunca mais ir a Évora. O Zé chegava a estar entre 6/7ou 8 anos sem o ver. E somente eu era capaz de, sempre que nos encontrávamos, ter a coragem de lhe perguntar se já tinha almofada nova para o cárim...bo.
Entre um abraço forte, ia-me dizendo ao ouvido que só de mim admitia tamanho insulto, acabando por rirmos à gargalhada.
Adorava touradas, o nosso n.º 9, e lamentava-se de ser coxo, impedindo-o por isso de tentar ser toureiro. Sempre que havia uma novilhada lá estava na primeira fila para se deliciar e fazer uma faena. Certa vez, convidei-o para ir comigo a uma tenta que se realizava numa quinta agrícola em Salvaterra de Magos. Pelo caminho não falou de outra coisa que não fosse de touradas, toureiros e seus trajes. Perdeu o pio e pediu-me para não dizer a ninguém, quando se abriu a porta do curro e em vez de entrar na praça um novilho, entrou um “jerico” bebé aos pinotes, fazendo os 3 candidatos ocasionais a darem de “frósques”.
Evidentemente ficaram aprovados em simulação de fugida.
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64 comentários:

mariabesuga disse...

Coitado do Apolinário teu amigo a quem os amigos da onça deviam chatear "pra burro"!... ou pra jerico que mais tarde acabou por lhe calhar então no que ocasionou mais uma vergonha para juntar à que carregava por ser coxo.

Olha eu também sou coxa. Não tanto que a bem dzer que nem se nota mas na verdade sou. Não de nascença mas de defeito acontecido por com a idade de 13 aninhos andar já trabalhando no campo. Por tal sinal perto de Salvaterra de Magos, na Companhia das Lezírias, para onde o meu pai ia todos os anos em época disso com um rancho de pessoal lá da terra a que se juntava outro grupo da zona. Tudo para a tirada da cortiça que por essa zona abunda.
Ora eu, 13 anitos, estando ao fim de semana por perto da carroça onde ficava a pipa da água, a dita resolveu cair-me em cima apanhando pé e principio da perna e primeiro que conseguissem tirar-ma de cima foi o cabo dos trabalhos. Vá que não veio a pipa pela carroça abaixo ou ninguém hoje te contaria esta estória.

Mas dizia eu Zé, também sou coxa e com esta idadezinha constatar isso mesmo foi complicadíssimo. Ainda hoje sem dar por isso escondo o pé debaixo do outro. E como te digo nem é porque se note que uso calçado normal e tudo mas que está torto está e sempre há quem descaradamente em vez de me olhar para os olhos se perde olhando para o pé. As pessoas são cruéis.

Mas olha sabes quando é que consegui ultrapassar o sofrimento que isto me causava?. Uma vez que li não sei onde que uns têm defeitos por fora e outros têm-nos por dentro o que é bem pior. Se Deus te pôe um defeito que se veja é porque dos que se escondem não tens.
Atã nã é que na altura me soube tã béim óvir ma coisa destas que inté hoje m'alembro e m'alegra?!?!?!...
O teu amigo Apolinário haveria de gostar de ouvir esta.

Um abraço e beijinhos Zé do cão.

mariabesuga disse...

Xiii Zé que fiz um comentário quase do tamanho do post!!!...
Prometo que nã venho cá dizer mai nada até mudares para outro.

Maria disse...

Caro Zé:
As pessoas são cruéis com os defeitos fisicos. Como diz a minha amiga Maria, os defeitos da alma, sem se verem são muito piores.
Pobre Apolinário!
Beijinho

Zé do Cão disse...

MARIABESUGA. Nada disso. O comentário foi bebido por mim e nem dei pelo tamanho dele. que verdades ele contem. Quanto lastimo o acidente. E também há aqueles que são coxos da "mona" e é nesse grupo que estou incluído. O Apolinário, a quem chamo o nº 9, também havia o nº 11 e 12, porque o dez finou-se, era no entanto um brincalhão de primeira ordem. Tinha um cão muito peludo a quem eu chamava de "nojo" e ele o tinha baptizado de "saco de pulgas".
Minha querida, sinceramente, na fotografia o "novilho" tinha estilo, não tinha?
Beijocas

Zé do Cão disse...

Mariabesuga.


Mereço tamanho castigo? Volta, volta sempre que apeteça, sinto-me feliz por isso.
O próximo, chamar-se-à "Traição", Não a traição de faca e alguidar, mas uma traição brutal, que nunca me tem largado durante todos os anos da existência.

Beijocas

Zé do Cão disse...

Maria.

É verdade, os defeitos de alma e de sentimentos são muito mais cruéis de que os físicos.
Mas o olhar de repulsa... também afecta e de que maneira... Tenho alguns amigos que muito sofrem por isso.
O Apolinário, é casado, pai de filhos, não tantos como de irmãos, mas quase... e isso atenuou a sua infelicidade.

Beijocas

Pascoalita disse...

Olá, Amigo Zé :)*

Tens uma forma muito própria de contar histórias a que o teu refinado sentido de humor dá um colorido fora do comum, mas o que mais admiro é a fabulosa memória que não deixa de lado o mais pequeno pormenor eheheh

Quando li o título pensei que ias contar uma cena erótica e em que o "algarismo "6" não aparecia, competindo-nos imaginá-lo (já sabes que a minha imaginação é muito fértil eheheh) depois, por instantes pensei para comigo:
- Ai que o malvadinho também gosta de fazer maldades aos touros (não sei se sabes, mas sou anti-tourada eheheh) mas quando olhei melhor e vi o animal sair do curro soltei a primeira gargalhada ahahahah

O coitado do Apolinário não parece nada coxo ... calhar tinha "carimbo" novo ahahah

Jinhos
Mas o

Pascoalita disse...

Já tenho contado por aí que na minha aldeia praticamente todos tinham alcunha e por vezes tinha a ver com pequenas deficiências físicas.

- Havia um homem que tinha uma perna mais curta que a outra a quem baptizaram de "Sexta, Sábado" porque fazia um movimento irregular quando andava;
- Outro que em miúdo tivera um acidente com foguetes e perdera 2 dedos, ficara desde então conhecido por "3 dedos"

Muito gostamos nós de rir das desgraças eheheh

Oliver Pickwick disse...

É curioso, um pai que numerava os filhos, circunstância somente possível naqueles bons tempos. Este, é muito mais que um post pitoresco, Zé. Há entre as linhas do texto, de modo subliminar, a graduação de feitios morais que compõe a sociedade de qualquer lugar do mundo.
Um abraço!

P.S.: E a Pascoalita, hein? Raciocínio de Leibniz, para números. Que imaginação tem esta menina! :)

Zé do Cão disse...

Pascoalita.
Ora o que é que tem a ver o Apolinário, alcunhado de 9, o cárim...bo, a tourada e o burro com o numero 6? És levada da breca...
Com que então és anti-touradas?
Fizeste lembrar-me de 2 a que assisti e vou fazer um "conto". Ambas comédia/trágica.
Nunca fui fã, mas quando se trata das carnavalescas, contem comigo.
Beijocas

Zé do Cão disse...

Pascoalita.
Recordas quando os bancos tinham aqueles empregados que andavam pelas lojas a levarem o dinheiro para os bancos, como depósitos. Havia um empregado no BNU que tinha o mesmo defeito do nº 9 e portanto quando passeava com a mulher, ela ia no passeio e ele em baixo, para arrear o pé no lancil do passeio. Para andar direito, dizia ele. Ele não dizia "Sexta, Sábado" mas "Passa que eu chuto". Foi transferido para Almada e promovido
a Caixa, dava-lhe jeito arrear o pé
em cima do botão com que o pé acionava o sinal de alarme ligado à PSP. Claro que acionou mesmo, e poucos minutos depois, "nóninóninóni" e entra a PSP de metralhadora, pelo banco dentro. Recebeu uma "raspaneta" e disseram-lhe que se não tivesse cuidado que era multado. Pois bem , depois, depois, saiu do balcão onde atendia os clientes, entra espavorido no gabinete do Gerente do Banco e diz assim:- Sr. Caferra, aí vem os gajos outra vez à pitar. Tou desgraçado...
Foi corrido para a dependência de Sacavem...onde acabou por ser assaltado. Inverno, a pasta cheia de "carcanhóis" acabado de fazer a ultima recolha do dia na bomba de gasolina de Sacavem, mesmo frente ao banco O transito era muito e esperava para atravessar. O Gatuno encosta-lhe um dedo ás costas e diz, deitando-lhe a mão à pasta.
Larga a pasta ou o teu funeral é amanhã. Deu-a logo, havia ordens para isso, o larápio, lesto atravessou a estrada meteu-se num carro e desapareceu via fora direcção Vila Franca de Xira.
A cena continuou minutos depois no interior do Banco, quando contava a história aos colegas e batia com o cárim...bo no chão.
Anos mais tarde, quando eu vivia no Norte, já reformado, telefonou-me e fui à Costa Nova almoçar com ele uma sardinhada. Andava doente, tinha problema nos intestinos. Marcamos para a semana seguinte um almoço em Famalicão. Não pode ir, as sardinhas tinham-lhe dado em soltura...
Nesta altura nada sei dele.

Beijocas

Zé do Cão disse...

Oliver
Se os meus avós também numerassem os filhos, chegavam aos 18/19. Eram outros tempos.
Meu amigo, era tempo que não volta mais.
A nossa amiga Pascoalita, tem humor refinado e é levada da breca. Fixe, acima de tudo


Um abraço

mariabesuga disse...

Lembrei-me de outra engraçada que tem a ver com o dar nome aos filhos. Dirás tu mas o que é que tem a ver se o pai do Apolinário dava era números?!... Mas olha já que disseste que podia e tal e não te zangaste por ser grande o comentário resolvi voltar ao lembrar-me.

Lá em casa éramos 7 filhos. Quer dizer... 6 filhas de seguida que o meu pai queria um rapaz e o danado nunca mais aparecia. Então o meu pai a certa altura começou a chamar-nos nomes de rapazes. Pedro, Francisco, Manuel. Com as três mais novas foi assim. Eu era/sou o Francisco. A parte engraçada era todas respondermos por esse nome quando o pai chamava e ninguém mais nos chamava assim. Eu gostei de ser o Francisco.

Depois de 6 raparigas nasceu um rapaz para grande alegria de toda a gente lá em casa e arredores. Nem eu sei até onde é que chegou a alegria que era muito pequena nessa altura.
Posso já agora dizer a parte má desta história. O rapaz nosso menino acabou por morrer num acidente de viação quando tinha 24 anos já lá vão tantos que nem sei. Ainda hoje me lembro da cara do meu pai quando cheguei ao pé dele. Estampado o sofrimento e a resignação... enfim...

Bom dia Zé
Dia Feliz e bem disposto

Fico à espera da estória seguinte que tu conta-las tão bem e eu já não quero perder uma.

Zé do Cão disse...

Mariabesuga
A morte de um jovem, faz-me arrepiar. O medo de por este ou aquele motivo, perder um dos meus dois. Quanto amor, quantos aborrecimentos ao longo da vida, quantas alegrias nos dão, e...de repente... . Nem quero lembrar, o vosso sofrimento...
Beijocas

mariabesuga disse...

Não fiques triste Zé. Isto nem sequer vinha ao caso mas é que me lembrei da estória dos nomes que o meu pai nos dava e por causa das razões não podia falar de uma coisa sem deixar clara a outra. Faz doer e vai fazer sempre mas há a memória e o carinho e isso tudo de bom que se guarda se bem que de facto não nos valha de grande coisa no momento da tristeza. Aliás uma coisa é indissociável da outra.

Mas a vida é para a frente mesmo partilhando os teus medos no que aos filhos respeita pois também tenho dois...

Beijinho Zé do cão
Fica bem pelo resto do dia e seguintes... ;)

Zé do Cão disse...

Mariabesuga
Com a idade vamos refinando a sensibilidade, tornando-nos mais choramingas, coisa que nunca fui e até passava ao lado...
Agora, por dá cá aquela palha, vou-me abaixo.
Estou a precisar duma mudança de ares e vou fazê-lo. Espero voltar cheio de genica.

Beijocas

Cusca Endiabrada disse...

Uffa! (cusca endiabrada ofegante, acabadinha de chegar de Idanha a Nova)

Ó nino Zé do canito ...

Isso faz-se???!!!?? Que raio de assobio mágico usas que o danado do jerico em que me tinha acabado de sentar com a ajuda da Lenita, desatou aos pinotes e desapareceu deixando-me estatelada no chão!?!

Por tua causa, ainda não foi desta que eu dei o tão almejado passeio de burro pelas ruas de em Idanha.

Hummm cá pra mim, este burro é o mesmo do teu conto "João Pião" e o coitado inda está traumatizado com as picadas das esporas e aqui a cusca é que pagou as favas heheh



dentadinhas

Cusca Endiabrada disse...

Hummm pensando melhor, acho que tu tens várias histórias com burros mas és como os ciganos ... pinta-los mas é sempre o mesmo eheheheh

Só não suspeitei que este fosse o "miguel" do conto "vendedor de peixe" porque o coitado já era velhote e duvido que acelere tanto assim.
A menos que ... hummm será que o tens andado a treinar, levando-o contigo nas corridas matinais?ihihihih

Ou será que lhe introduziste pilhas DURACEL como as que imagino que usas?

Tu és capaz de tudo ihihihih

elvira carvalho disse...

Aqui está uma história muito bem contada amigo. Interessante, lê-se de seguida e fica-se com a sensação que assistimos à cena e até conhecemos o Apolinário.
Engraçado que meu avô materno também tinha o habito de dar nºs aos filhos. E eram 13 como na última ceia. Era assim que ele dizia. E quando morreu um e minha avó chorava, ele chegou e disse. "limpa essas lágrimas mulher. Quem sabe para o que ele estava fadado. Lembras-te de Judas? Agora ficam os doze não haverá traições."
As pessoas são cruéis e sempre vêm o defeito dos outros. Quando eu era pequena tive um problema grave nos olhos e estive praticamente cega. Fui tratada no Instituto Gama Pinto e quando melhorei usava uns óculos com umas lentes tão fortes que quase não se viam os olhos . E todos me chamavam caixa de óculos. Felizmente à medida que ia melhorando fui trocando de lentes até ficar com umas normais, mas nunca até hoje consegui livrar-me dos óculos.
Um abraço

Kim disse...

Grandes touradas, Zé.
As famílias numerosas tinhas destas coisas. As tuas estórias são deliciosas.
E havia aquele que julgando poder vir a ter muitos filhos começou por dar-lhes nomes por ordem alfabética - Arnesto, Bicente, Çabastião e por aí fora.
Abraço amigo Zé

Zé do Cão disse...

Cusquinha
Endiabrada? Tu és pior que "Lucifer"
Como ainda te lembras do João Pião?
A Susuna ao falar em S. Miguel de Acha, fez-me lembrar uma historia não de burro, mas do seu rabo, que oportunamente contarei e passado naquela terra, concelho de Idanha, de onde tu vens depois de te estatelares no chão.
Biquinhos

Zé do Cão disse...

Cusquinha.
Pilhas duracel, dessa nunca me tinha lembrado.
Toma lá esta.
No tempo do malogrado Joaquim Agostinho, passava de carro numa terra ali para os lados de Torres Vedras, quando surgiu uma corrida de biciletas. O plutão ia bem embalado, quando vejo um dos corredores atrasadíssimo, com a língua de fora,
cheio de dificuldades em pedalar, e já com o carro vassoura por perto. Parei e não me contive a animar o moço, dando este conselho, em voz bem alta.:- É pá, eles vão mesmo aí à frente. Olha, mete uma malagueta no cu, que ainda chegas à meta primeiro do que eles todos. Claro que o atleta, arrancou lá de dentro das suas entranhas todas as suas forças para me mandar a um sítio, que não fui e não digo, até porque tenho vergonha de o dizer.
Quem me acompanhava, fartou-se de ralhar comigo, porque já bastava o sacrifício do homem em ir em ultimo e eu ainda o desmotivar. E
que ás vezes os últimos são os primeiros.
Afinal, eu só tinha dado aquela sugestão, para ele conseguir ser mesmo o primeiro.

Biquinhos

Zé do Cão disse...

Elvra.
Eu a julgar que o pai do Apolinário, tinha descoberto a pólvora e afinal encontro outros que também a descobriram.
Realmente, Elvira foste ao contrário das pessoas que conheço.
O me sogro começou por uns óculos de lentes fraquinhas e agora coitado, são tão grossas que mais parece o fundo de um copo de três daqueles que se usavam nas tabernas. O chamado salto à "pipi".
Era alto e tinha muito vidro para levar pouco vinho. Ai os comerciantes...
Sabes Elvira que o Deus dos Comerciantes é o mesmo Deus do gatunos? Vê lá os que os gregos se lembraram. Eles lá sabiam, porquê!

Beijocas

Zé do Cão disse...

Kim. O vida é bela, os homens é que dão cabo dela.
Não me digas que o "novilho" não tem estilo. Até tem as orelhas empinadas.
e o mais engraçado é que depois de entrar, deitou.se no chão a rebolar-se. E os hipotéticos toureiros (nem aprendizes)a fugirem..
Pelo menos naquela tourada, não houve manifestações a favor dos direitos dos animais.

Abraço Kim

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Olá Zezinho

Antes do mais:
Tens um desafio lá na Travessa, coisa que se vai tornando corriqueira (o desafio, calaro cumo binho tinto)... Espero bem que colabores e continues a iniciativa. Obrigado.

Vamos agora à estória. O meu Pai, regente agrícola por Santarém, foi pegador de toiros. Mais precisamente cernelheiro nos Amadores de Santarém, ainda era cabo o António Augusto, pois só depois viria o Ricardo Rodes Sérgio.

Tinha eu os meus 13 anos e levou-me ao tentadero que havia na estalagem Gado Bravo, a Pegões. Como eu era o primogénito, pensava que seria o seu sucessor nas pegas.

Entrou a primeira garraia e ele incentivou-me a saltar à arena para agarrar a animala dizendo-me que ela era pequenita e não custava nada...

Pobre Henrique da Silva Ferreira (o Eusébio não lhe era nem é nada...), que viu as esperanças esfumarem-se completamente quando eu lhe respondi: «Pai, nem pensar; ela tem dois paus na cabeça!!!» Na época, não se devia dizer «chifres» na frente do Pai, e nem pensar em «cornos». Era má educação.

Foi o meu segundo irmão, o Braz, que também tirou o curso na cidade escalabitana - que pegou toiros. Há valentes - e há malucos - para tudo. Com cornos!

Abs

Zé do Cão disse...

A.Ferreira

Também não percebi nunca, qual a razão porque o nº9 sonhava com toureiros. Talvez fosse a confiança cega que tinha na sua destreza em fugir, mesmo sendo coxo.
Ou seria a maneira de fazer ver que tudo é superável para ele?
Abraço

Milu disse...

Olá Zé!

Divertidíssima esta tua história, fartei-me de rir e quase fui capaz de imaginar na perfeição o pai do Apolinário abancado ao balcão, enquanto ia aliviando o bojo do pipo lá do tasco. Imaginei também o Apolinário a carim...bar o soalho! Alentejanos de uma figa, afinal, eles, de quem se conta tanta anedota, também não perdoam nada, nem ao pobre do Apolinário, que muito devia sofrer com a sua deficiência, ainda que se esforçasse para calar essa dor.

Tens aqui um texto primoroso, que adorei ler, está escrito com grande conhecimento da alma daqueles tempos.

Fosse o que fosse entrou garboso e aos pinotes! Melhor mesmo foi fugir, pelo sim, pelo não!
Um beijinho.

Zé do Cão disse...

Milú
Coitado do nº 9, espera há anos que o chamem para ser operado no Hospital de Almada, a problema de próstata. Um dia, quando o chamarem (se o fizerem) vai a família para os jornais, esclarecerem que o já morreu à muito.
Quando se não tem sorte, vive-se e morresse sem ela.
beijocas

fotógrafa disse...

Olá amigo...
estou como tu...quantas crises já passámos e iremos passar ainda?!?...
eu como não tenho dinheiro a render, nem acções nem nada que valha...acho que a crise é realmente para quem tem medo de perder o carcanhol...rsrsrs
os que estão desempregados, vão continuar, se não se der o milagre da multiplicação dos postos de trabalho...e isso está nas mãos de quem tem medo da crise e chora por causa dela...por isso andamos sempre na roda da vida, a depender de quem tem medo....e de quem tem o dinheiro...
obrigada pela visita amigo Zé do Cão, eu tenho estado meio adormecida, mas aos poucos estou a acordar, sou ao contrário de quem hiberna no outono /inverno...rsrsrs
abraço

Zé do Cão disse...

Fotografa
Depois de hibernar-nos, chego à conclusão que empregos não vão faltar. Vai haver dentro de poucos anos, até falta de mão de obra. Como tudo, é uma questão de esperar. Na próxima barafunda mundial, as nações vão usar armas nucleares. Os que resistirem vão ter trabalho em arda para mover os escombros.
E ficam-lhes a consolação de que a outra barafunda é resolvida à pedrada, tal o estado em que isto tudo fica.

Grande beijoca e vamos comemorar
o 5 de Outubro. (maldita corvina) digo eu.

Mónica disse...

Eu adoro o seu blog, é demais. Fiquei com uma curiosidade, o porquê do nº 9. Tinha 9 filhos? hehe. Se no tempo dos meus bisavós numerassem os filhos, coitados, pois chegavam a ser 12 e 13...demais! Gostei e é uma verdade, da frase "os defeitos da alma, sem se verem são muito piores." Uma pequena (grande) frase que diz muito.

Bjufas

Laura disse...

Atã devias ajudar o Apolinário a carimbar as ventas daqueles burricos que não sabiam o que era educação, e,decerto coração era coisa que não conheciam...molhavas o pé coxo dele no vinho que bebima e levavam com o garrafãop na tromba...
Eu sou mais uma aleijada da vida, com defeito sem defeito, mas que se ouve, ehhhhhh, enfim, prefiro ser uma boa alma descarimbada..Beijinhos.

Silvana Nunes .'. disse...

Passeandp pela net encontrei o seu cantinho. Gostei e pretendo voltar com mais calma.Aproveito para convidá-lo conhecer FOI DESSE JEITO QUE OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Paz e Bem.
Saudações Florestais !

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Amigão

Venho agradecer-te a extraordinária oportunidade que me proporcionaste: conhecer a Mónica. Por isso já lhe deixei um cumentário (com o) que me permito transcrever.

Abs


Querida Mónica

Vivó Zé do Cão!!! Foi através dele que eu soube de ti. Cheguei aqui - e fiquei deslumbrado. Com o teu blogue e com a tua coragem! Agradeço-te do fundo do meu coração!

E deixa-me que te diga: tenho uma outra querida Amiga, em Goa (terra da minha mulher, a Raquel) que é papaplégica de nascença, escreve com um dedo e, às vezes, quando o não consegue fazer, também com a boca. Já vai no terceiro livro. Um espanto!

Chama-se Frederika Menezes, filha de dois médicos, o Zito e a Ângela.O Pai foi colega da Raquel até ao sétimo ano do Liceu Nacional Afonso de Albuquerque. Há dois anos, fomos lá comemorar os 50 anos do final do curso. Foi então que a conheci. Paralisia cerebral desdeque veio ao Mundo e os pais, médicos, repito, não deram por isso. Culpam-se, coitados. Gente muitérrimo boíssima...

O imeile dela é:
frederikamenezes@yahoo.com. Escreve em Inglês. Se a quiseres contactar, «avinça». Dizes que vais da minha parte, sil us plau (sff em català vernáculo, ora toma!). Ela é bué da fixe!!!! Aprendi com os meus netos...

Bom, mininininha querida: espero por ti lá na Minha Travessa. Até para veres quem é este «ancião» bem disposto, louco militante...

E, 'tralmente, por uns quantos cumentários (com o). E, e, e... Serás muito bem vinda e não cobro entradas...

Mts qjs = queijinhos = beijinhos

Parisiense disse...

Historia engraçada, como sempre.
Tu deves ter tido uma bela e rica vida sim senhor.....
O que vale é que eu nessa altura estava em Angola e não morava perto de ti, senão também era capaz de ser apanhada numa das tuas histórias....hjahahahahah

Adorei.
Beijokitas

elvira carvalho disse...

Passei. Deixo um abraço e votos de bom fim de semana

Pascoalita disse...

eheheheh nina parisiense,

Já fiz o mesmo raciocínio ...
se me tivesse cruzado com o zezito nos "anos 60 ou 70", maroto como devia ser, decerto tinha protagonizado uma das suas histórietas eheheh eheheh

Helena Teixeira disse...

Olá Zé!
Agora fiquei curiosa: o que será feito do nº1,2,3,4,5,6,7 e 8? Belo feito,os pais do Apollinário! O rapaz era um sapateiro com o sonho de ser toureiro.Engraçado isso!
Também não sou a favor das touradas,só acho piada quando o touro salta a parte de madeira e as pessoas a assistirem desatam a correr perante o animal de toneladas...Mas essas Burradas parecem-me bem mais giras e engraçadas.Fugiram do pobre do Jerico...ihihih..Temos de tratar bem o burrito,está em vias de extinção.

Jocas gordas
Lena

P.S.: a Blogagem de Outubro da Aldeia começa amanhã.Os amigos do Zé estão a concorrer.Vá,apoiar,apoiar!Comentar,comentar!Votar,só no fim do mês ;)

Maria disse...

Ó Zé! Então ficamos no 9 toda a vida?
Manda lá mais uma historinha. Já me faz falta.
Beijinho

Pascoalita disse...

Tudo bem que brotem do chão como cogumelos, mas esse coitado parece ter passado a noite ao relento. Está cheio de "orvalho" eheheh

JOY disse...

Amigo Zé do Cão

Tenho andado um pouco ausente, passei para o cumprimentar, e ler uma das suas pitorescas histórias embrulhadas com um refinado sentido de humor.

Um abraço
Joy

Mónica disse...

Olá "Zé do Cão". Tens no meu blog "Desabafos de uma vida" um selinho pa ti. Podes ir buscá-lo e seguir as regras. Porque eu gosto mto do teu blog e da tua escrita. Uma beijoca "selada" :).

Cusca Endiabrada disse...

Ó da casa! Ó vizinhos ...
Por acaso não viram por aí uma trela com um canito preso na ponta? Estejam atentos, porque o dono não deve andar longe ihihihih

dentadinhas

Laura disse...

Laurinha entrou, cuscou, ah, já havia cá uma cusca, e,s em nada de novo, desandou, mas sem anets deixar beijinhos e abraços...laura

Pascoalita disse...

mas isto é que vai uma crise ...

nem o pai chega, nem a gente almoça eheheh

Saudades do dono da casa :(

jinhos

Zé do Cão disse...

Explicação.
Sou sempre rápido nas respostas aos comentários que me fazem. Dado que, toda a gente se trata e se sente como família, não havia razão para não ser assim. Acontece porém, que enquanto o Zé é pago para não fazer nada, a sua "Dona" ainda "trabuca" no duro e tem férias repartidas. Fomos dar umas voltitas, por terras do D. Quixote, aproveitando o mês de Outubro, para utilizar hoteis de categoria bem superior por preços de uva "mijona".
Está aqui, pois a explicação à minha ausência.
Beijocas para todos

Zé do Cão disse...

Monica. Efectivamente ele era o nono da família.
Mas digo-te que eu tinha 18 tios de unm lado e 17 do outro. Era obra, isso é que era.

Beijocas, amiguinha.

Zé do Cão disse...

Silvana Nunes
Vou passar, estou sempre disponível.
obrigado pela visita
Beijocas

Zé do Cão disse...

Henrique.
A Mónica é fixe.
Também tem a minha simpatia

Abraço

Zé do Cão disse...

Parisiense.

Fui sempre um santinho, bom rapaz, bem comportado.

Uma coisa foi sempre certa. Amigos/as, tive sempre às mãos cheias, e a minha casa era sempre um sol aberto para quem era amigo do Zé.
A mãe Julia é que ás vezes, me puxava as orelhas em pensamento, em virtude de quase todos os dias a mesa grande de madeira com bancos corridos (um de cada lado)
estarem ao almoço sempre cheia.
E nesta altura, cheirava a mosto.
Beijocas

Zé do Cão disse...

Elvira

Beijocas grandes

Zé do Cão disse...

Pascoalita.
Lá tinhas de ir a Trancoso, ver a capela onde houve o almoço em honra dos Reis acabados de casar por procuração.
Era uma ideia.

Anos 60... inauguração da Ponte sobre o Tejo.

Biquinhos

Zé do Cão disse...

Joy Tinha sido a falta, lá isso tinha, mas todos sabemos que nem sempre as coisas correm de feição.


Abraço

Zé do Cão disse...

Mónica.
Beijocas, muitas, muitas, ou não fosses "verde" como as alfaces.

Se tu soubesses....De selos percebo os do correio. eu depois explico.

Renovo as beijocas

Zé do Cão disse...

Cusquinha, minha amiga, querida.

O Canito, assim que se apanha solto, corre atrás dos carros, ladra às pessoas, atira com os ciclistas ao chão, enfim só faz distúrbios, não sei o que fazer com ele.
Sabes, fui dar uma saltada a Almuñecar e dar uma banhocas no mediterrâneo.
Foi porreiro, deu-me alento e à "Dona", andava em baixo.
Estive em Cadiz e Sanlúncar de Barrameda"
A "Barrameda" já tenho ido muitas vezes, não era necessário ir a Espanha.


Biquinhos. Gaiata

Zé do Cão disse...

Larurinha. Tens razão sem ter deixado abraços, beijocas e maias uma data de coisas boas.

Pois aqui estão elas.

Zé do Cão disse...

Minha Amiga Maria.
Tenho uma vida de inferno, que quando me solto, é como o canito.
Dou largas à soltura e pronto.

O meu informatico, já tem em mãos a "Traição
2.

Pela primeira vez, conto uma faceta da minha vida, que tinha resolvido esquecer, mas nunca me saiu da cabeça e quantas vezes a excluí...
Mas é uma história que merece ser contada.

beijocas

Zé do Cão disse...

Pascoalita.

O Zé chegou, já mandou abraços, beijos e mais coisas boas para toda a gente.



Biquinhos

São disse...

Detesto saltos altos, embora tivesse usado uns de oito centímetros, rrrss

E que o pai do Apolinário era um bom católico ninguém duvida...


Bom fim de semana, companheiro.

Zé do Cão disse...

São Bom católico e português seguidor das palavras do ditador.
"Beber vinho era dar de comer a um milhão de portugueses".
Será por isso que ainda hoje existe num hospital do Minho uma enfermaria somente para mulheres "borrachos"?
Uma beijoca grande, grande.

Laura disse...

Zezito, é? enfermaria para borrachas queres tu dizer? olha que nem fazia ideia, mas, se o dizes...Bolas, há quem adore uma pinguita só que todos os dias...beijinhos, laura

Ah, adoro os Citroens todos, todinhos..jinhos, laura

Oliver Pickwick disse...

Ei, Zé? Desaprendeu a contar? Estamos aguardando o número 10.
Um abraço!

Zé do Cão disse...

Laura
Pois mulher, admira que não saibas...
Atenção, não é porque bebas, mas sim porque vives no norte.
Quantos aos 2 CV, houve um que vendi por 15 contos a um amigo e dois anos depois comprei-o outra vez pelo mesmo valor.

Beijocas

Zé do Cão disse...

Oliver.

Vai seguir-se uma historia triste, de um menino feliz (Zé) a ter conhecimento deste desgraçado Mundo.

Um abraço