3.10.07

Consulta em Bragança

A Carlota era uma senhora casada, mãe de 6 filhos, quatro rapazes e duas raparigas que nasceu numa casita, perto de Quintanilha, Distrito de Bragança que os seus progenitores mandaram construir numa pequena quintinha que já tinha sido dos seus avós e lhe foi parar às mãos por heranças sucessivas. Não sabia ler nem escrever, tal como seu marido, dedicando-se ambos ao amanho do campo, que lhes ocupava todas as 24 horas do dia, exceptuando umas 3 ou 4 para dormir.
Os filhotes frequentaram a escola primária da aldeia próxima, até à 4ª classe, e mesmo assim por obrigação da sua presença, não fosse a segurança social cortar-lhes o abono de família. Ajudavam portanto os pais na lida da agricultura.
Uns porcos e umas ovelhas eram o complemento do sustento daquela família, que viveu sempre com muita labuta e dificuldades. A criançada, apresentava-se sempre na escola com a roupa lavada, os sapatos com algumas “tombas” e às vezes com a lamparina acesa no nariz, mais por sua culpa que dos pais. Nessas ocasiões passavam com a manga da bata escolar pelas ventas, ficando a manga com a matéria agarrada, até secar, que a mãe quando a lavava se via aflita para a retirar.
Uma das meninas, a mais velha, quando fez 14 anos foi despachada por recomendação para casa duma família em Lisboa que tratou de lhe arranjar sítio onde passou a servir e portanto a ganhar qualquer coisa. Era a época das “sopeiras” que as patroas exploravam miseravelmente a troco da sopa e de um pequeno ordenado, que na maior parte dos casos nunca pagavam. Todavia orgulhavam-se de ter empregada de avental e touca, quando as acompanhavam ao mercado da 24 de Julho e vinham com a alcofa a abarrotar de compras.
Os anos foram passando e o Carlos, assim se chamava o consorte da Carlota, não obstante estar mais velho e cansado do trabalho rude que sempre teve, gostava de cumprir com as suas obrigações de marido, não deixando a esposa descansada. A mulher vivia numa angústia tremenda com receio de ter filho, numa altura em que os outros já eram homens.
Soube, numa das idas mensais a Quintanilha que no Posto da Caixa, em Bragança, que havia consultas de Planeamento Familiar, para não ter filhos (foi assim que lhe disseram). Aconselhou-se com o marido e lá partiu um dia, muito cedo, com o seu xaile antigo mas novo por falta de uso, e quando chegou o movimento já era grande frente ao guiché.
O nervoso miudinho apoderou-se-lhe, e a vergonha pela marcação da consulta fazia-lhe tremer as pernas. Esqueceu-se completamente de como se chamava a consulta, sabendo somente para que servia e qual a sua origem.
Quando a empregada lhe pergunta que consulta desejava, a Carlota corou, a saliva secou-se-lhe, tendo balbuciado “Quero uma consulta para Fodiamento no ar”.
Teve a consulta, voltou a casa encantada com as explicações que a Médica lhe deu, só o marido nunca foi capaz de a possuir no ar, e até hoje nunca entendeu que raio de posição seria aquela, admitindo que eram esquisitices da vida moderna.

10 comentários:

Violeto disse...

Essa fez-me lembrar uma outra.

Um dia uma senhora, dita mulher do campo, rude e pouco letrada, achou-se, para seu desprazer, com problemas nas partes pudicas.

Casada, era mãe de rapazola já conhecedor das coisas da vida, letrado e interessado dessas coisas.

Sem achar a quem mais recorrer no seu desabafar, resolve fazê-lo com o seu rapazola. E porque torna e porque deixa, meu rico filho, que a tua mãe está com problemas nas partes.

O rapaz, olha agora minha mãe, porque não disse à mais tempo? Tem de ir quanto mais cedo melhor ao médico.

Meu filho estás doido? Ao médico? Ter que mostrar as partes? Minha mãe, tem que ser e o que tem que ser tem muita força. Vou marcar uma consulta, o pai vai consigo ao consultório e eu levo-vos lá de carro e espero-vos. Mas o que digo eu ao médico meu filho? Só tem que dizer, «Sr. Doutor tenho problemas na vagina» e ele fará o resto!.

No dia aprazado para a dita consulta lá vão os três para o consultório. Chegados, os pais derreados pela angústia da ignorância entram para a sala de espera. O rapazola fica no carro a fazer o sudoku do “Diário de coisa nenhuma”.

Nisto, sobressaltado, o rapaz ouve forte e ruidosa a voz do progenitor, que lhe grita da varanda do edifício:

É filho! Como é que se chama a cona da tua mãe?.

Zé do Cão disse...

violeto, este caso que conto aqui é
veridico. Prometi a mim mesmo ir contando estas facetas que conheço e não são poucas.
Um abraço e publicamente o meu obrigado ao Capitão, que muito me tem ajudado.

Violeto disse...

O capitão devia ser promovido a almirante.

Zé do Cão disse...

sem sombra de dúvida. Aliás sem foquei o assunto.
um abraço

Capitão Merda disse...

Desconfio que, com essa conversa mansa, o que vocês querem é que eu pague uns canecos!
Estão com azar. Estou na penúria.

Estrela da Liberdade disse...

Porra que história (como se escrevia antigamente, não estória) mais surreal.
Gosto do teu blog por favor escreve mais vezes.
fica bem

Zé do Cão disse...

minha querida, historia ou istoria, para mim que nesta altura só frequento a dita da vida, chega-me bem. Um abraço, bj. e vai preparando-te para uns carapaus fritos em Elvas, que vão ser uma delicia.

Zé do Cão disse...

minha querida, historia ou istoria, para mim que nesta altura só frequento a dita da vida, chega-me bem. Um abraço, bj. e vai preparando-te para uns carapaus fritos em Elvas, que vão ser uma delicia.

jorge disse...

Esta história faz-me lembrar uma verídica passada nos antigos notários, em que para se reconhecer uma assinatura era necessário primeiro ter sinal aberto.
Uma senhora desejava reconhecer a assinatura da filha em determinado documento. Ao ser interrogada, pela notária, se a filha já tinha o sinal aberto, responde envergonhada:
Já tem, já, mas como o noivo é de boas famílias, casa com ela.

Zé do Cão disse...

Jorge
Algarvio duma figa.

Um abraço