22.1.11

FESTA NA ALDEIA


Este boneco foi feito pela ceramista “Mistério” de Galegos de Santa Maria, aldeia do Concelho de Barcelos (representou Portugal na Expo de Sevilha), em homenagem ao Matias, elemento de “Os Lacinhos”, grande, grande amigo, que já faleceu. De notar que tem um caracol nos óculos.

Por tudo aquilo que já contei neste blogue, aliado aos contos que não pretendo divulgar,

chego à conclusão de que tive uma juventude fugaz.

É verdade, tive efectivamente uma juventude cheia de coisas boas, mas voltando a cabeça para trás, também chego à conclusão que tantas e tantas coisas que poderia ter feito, foram deixadas para trás sem possibilidades de as realizar.

A Juventude passou rapidamente e agora resta-me viver da saudade, da falta dos amigos inseparáveis e das memórias que felizmente dançam na massa encefálica da minha “mona”.

A minha aldeia, de ruas de terra solta, de casas cuja altura não ultrapassava o primeiro andar, vê-se hoje, com altos prédios, estação de comboio à porta, lojas iguais às das grandes capitais, e ela que nem sequer era Freguesia, faz parte de uma das Cidades (que deveriam ser mantidas aldeias) que os políticos na ânsia de grandeza elevaram àquela categoria.

Anualmente todas as povoações têm a sua festa em honra do seu padroeiro, mas a minha, a coitadinha, nem padroeiro tem. No entanto, no mês de Julho de cada ano realizava-se a Festa da Torre. E que festa meu Deus! As ruas eram engalanadas, não com aquelas ornamentações tanto em voga e que no Norte fazem furor. Festão, pinturas garridas, luzes a brilhar por toda a noite, os autofalantes a berrarem por tudo quando é sítio, nós não tínhamos. Tínhamos sim, e disso se orgulhavam os Torrenses, ornamentações feitas com louro a substituir o festão, vários carroceis, circos, poços da morte, muitas, muitas barracas de farturas, a casa rolante e um sem fim de atracções, que faziam dela a maior a mais importante festa de todas as redondezas. Destacando dois coretos, montados em lugares estratégicos da aldeia e onde passavam nos quatro dias que duravam as festas, as bandas filarmónicas mais importantes do País.

À volta dos coretos eram montadas esplanadas com mesas redondos feitas de ferro e cadeiras com tabuinhas pequenitas iguais às que se usavam nos circos. Nas horas em que as bandas tocavam e se alternavam, o silêncio era de oiro e os nossos ouvidos captavam os sons deliciosas das partituras. Mas… essas esplanadas eram a fonte da receita que a comissão das festas tanto necessitava para pagar os foguetes, o fogo-de artifício, às bandas de música etc. e portanto tratavam de fazerem concurso e a sua exploração seria feita por quem mais oferecesse.

“Os Lacinhos”, o meu grupo das partidas, das aventuras, sem qualquer experiência do negócio, resolveu concorrer, tendo ganho o concurso.

A partir dali, a coisa começa ficar feia. Sem jeito nem arte, para fazer bifanas, iscas, pregos, cachorros, preparar caracóis ou burriés, servir às mesas, resolvemos reunir, distribuir lugares e mãos à obra. Uns faziam isto, outros aquilo, e seja o que Cristo quiser, havendo no entanto o cuidado de colocar o Matias, (alcunhado de Marçal) míope e gago, na parte de dentro do balcão, feito com costaneiras das obras e que se encarregaria de tratar dos petiscos, alcançando o “material” aos que serviam às mesas. (Aconselho a lerem o conto Carnaval nas Belas Artes de 4/5/09, já que dá uma imagem perfeita do Marçal, figura principal desta história).

Pela noite, as bandas actuando, o povo rua abaixo, rua acima fazendo picadeiro, crianças ao colo chorando por uma fartura, enquanto outras lambendo o açúcar (à mistura com algum ranho), daquela massa frita feita em canudo, que ainda hoje vimos em qualquer sitio, as esplanadas cheias, a azafama de quem servia, o movimento no balcão para atender todos, colocavam o Marçal em “nervoso miudinho”.

Dois alguidares enormes de zinco (ainda não era a época do plástico), um cheio de caracóis vivos, outro vazio pronto para receber os cozidos e em cima do balcão, dezenas de rolhas de cortiça com alfinetes espetados para serem levados para as mesas onde fossem pedidos aqueles gastrópodes.

Um “panelão” enorme estava ao lume a cozer os primeiros caracóis da noite, os colegas, pediam, Marçal isto, Marçal aquilo, ainda um não tinha acabado e já outros abusando no tom de voz, solicitam outras coisas.

O Marçal não sabe para onde se virar, corre para a direita, para a esquerda, preocupa-se com o que está ao lume, destapa a panela e não consegue ver nada. O vapor que sai lá de dentro, embacia-lhe os óculos, às apalpadelas agarra em dois panos, pega nas asas da “panelão” e despeja os caracóis cozidos. Os elementos do grupo que estavam no balcão nessa ocasião, dão altas e sonoras gargalhadas, perturbam os músicos e o maestro manda parar a banda de tocar.

O Marçal como não via porque os óculos estavam embaciados, tinha acabado de vazar os caracóis cozidos no alguidar onde estavam os caracóis cruz. Dos vivos uns morrem imediatamente, outros safam-se como podem e nunca pensaram que corriam tanto, enquanto outros encolheram-se dentro da sua casca.

As coisas amainaram, a música retomou o concerto e a azáfama da esplanada voltou ao seu movimento normal. Pelo menos momentaneamente. O Marçal já não cozeu mais caracóis, mas em contrapartida, continuou a arranjar os pires para serem servidos. Estala por isso reclamações, gargalhadas e a banda daquele coreto, arrumou os instrumentos.

Os clientes, encontravam nos pires, caracóis vivos, cozidos, coxos e marrecos, vinham de todas as maneiras. Metiam-lhe o alfinete e o animal encolhia-se, outros fugiam garrafas de cerveja acima e enquanto o homem do trombone sacudia um caracol que lhe tinha trepado até às orelhas o maestro esteve em vias de ter um caracol refugiado na batuta.

Nos anos seguintes fomos proibidos de concorrer à exploração das esplanadas, pelos distúrbios ocasionados.

58 comentários:

Osvaldo disse...

Caro amigo Zé;

É essa a verdadeira Alma Lusitana e que dá por nome SAUDADE...

Quanto ao Matias, imagino a atrapalhação mas acima de tudo estava a amizade do grupo.

Bela história.
Um abraço.
Osvaldo

Cida disse...

Delícia de texto, Zé!
Ri-me a fartar!...=D

Com que então és "meio doido"?
Melhor ser meio doido do que doido e meio!...rsrsrs

Abraço forte, e tenha uma linda semana.

Cid@

São disse...

rrss rrss Ai, como eu ainda gosto de farturas...e de caracóis, huuummm

Beijinhos, meu bom Amigo.

Nilce disse...

kkkkkkkkk
Coitado do Marçal, Zé. Queimou os caracóis vivos e nem assim os matou. rsrsrs
Lembranças do nosso passado são memórias deliciosas que o tempo não apaga.
Tenho muitas saudades das festas de Igreja na minha infância, dos doces e brincadeiras.
Excelente domingo!

Bjs no coração!

Nilce

Mariazita disse...

Meu caro amigo Zé
Como eram divertidas as romarias (assim se chamavam no norte) daquele tempo!
Felizmente ainda há localidades que fazem por manter a tradição, mas aos poucos vão desaparecendo.
Claro que me fartei de rir com a "habilidade" do pobre Marçal.
Posso imaginar os caracois a correrem, meio estropiados, pensando que tinha chegado o fim do mundo!
Lembrou-me uma cena que se passou comigo e um amigo que quis cozer lagostas. Uma cena que só visto. Tenciono contá-la num dos meus episódios de África - foi lá que se passou.
Quanto às farturas... não morro de amores por elas, mas gosto de comer de vez em quando.
Em dia de eleições aparece sempre uma carrinha de farturas em frente à escola onde é a nossa assembleia de voto. Estás a ver... no regresso, já depois do dever cumprido :) o marido que é grande apreciador de tudo que seja doce, não perdoa, e lá vamos às farturas :)))
Amanhã será cumprido o ritual :)

Um bom domingo. Beijinhos

Pascoalita disse...

O cheirinho que já me tinha chegado desta história, não impediu que ao ler me risse a bom rir, imaginando a atrapalhação do coitado do Marçal e toda a cena ahahahahah ahahahahah

Zézito, rio mas é um rir com alguma alguma tristeza à mistura, por constatar que já nada mais é como era!

Começando nas aldeias que a pouco e pouco foram descaracterizadas e as que ainda se mantêm genuínas, estão hoje despovoadas, pelas razões que todos sabemos, passando pelas sãs formas de convívio, ou pelas inocentes, inofensivas e saudosas brincadeiras, que nos provocam gratas lembranças, é impressionante verificarmos como o mundo mudou tanto nestas 2 ou 3 décadas.

Mais um texto cheio de humor, uma história excelente e super bem contada!!!

Um beijo

Pascoalita disse...

Estou de volta ...

Há pouco não consegui visualizar o boneco (o Mozilla é teimoso mas eu ainda sou mais ... troquei-lhe as voltas e entrei com o Internet Explore eheheh) puxa! ainda me dava uma coisinha má se não visse esta relíquia ahahahah

Fantástico! Espectacular! E assim manténs o "lacinho Matias" lá em casa (pena não teres feito uma cópiade todos eles eheheh)

Só ideias geniais :)*

jinhos

Canduxa disse...

Olá amigo,

Um texto delicioso e cheio de humor como sempre.
Recuar no tempo e reviver momentos como estes é o que lhe dá juventude.
Adorei conhecê-lo no lançamento do livro da Mariazita e como sempre adorei o seu comentário ao meu bacalhau com natas.
A saúde é boa mas tenho andado fugida a preparar a chegada da minha primeira neta....

até breve

um abraço com amizade

Rei da Lã disse...

Já marchavam uns caracóis, sim senhor!

;)

Zé do Cão disse...

Osvaldo.
Quando só estamos a viver de saudades
a coisa já não vai bem.

Abraço

Zé do Cão disse...

Cida

Por aí também há caracóis? Ouvir a Banda e comer caracóis terá alguma graça?

Ainda se fosse lagosta.
São estes contas que me dá a alegria de viver.
O abraço está aceite, agora a boa semana é que saiu furada.
Frio de rachar e chuva gelada

Abraço

Zé do Cão disse...

São
Qualquer dia convido-te para uma sessão de farturas.
Será uma fartura, verás.
Também gosto confesso, quantos aos caracóis nem tanto, mas... Também marcham para acamaradar com uma boa companhia.

Abraço

Zé do Cão disse...

Nilce, também eu, também eu.
Mas na minha aldeia não havias festas de Igreja, ela nem ainda hoje tem igreja.
Fazia-se o que se podia
bjs

Zé do Cão disse...

Mariazita

Naquela altura que havia mais do que caracóis?
Mas parece que estamos a voltar ao mesmo tempo.
Quanto às farturas, gosto mesmo, lá isso e verdade

bjs

Zé do Cão disse...

Pascoalita

É verdade, tudo muda, tudo se transforma.
E as festas de Aldeia deixarem de terem qualquer graça- As Bandas de Musica, foram substituídas por 4/5 "lamportas" a coçar a barriga e pronto.

biquinhos

Zé do Cão disse...

O quê, o quê.
Internet Explore? Que trampa é essa?
Nunca ouvi falar disso, é alguma coisa nova?

Mozilla? isso é algum chá?
Ai Zé, porque nasces-te tão cedo, homem? Morro sem aprender a saber estes nomes todos.

biquinhos

Zé do Cão disse...

Pois é, fiz um comentário ao Bacalhau com natas.
Vai ser o meu jantar esta noite. Até parece que a minha "dona" anda a ler as suas receitas.

Que sorte, mulher, a primeira neta.
Só os ranhosos dos meus filhos não me dão o prazer de ser avô. Que chegue bem, perfeitinha e que se torne uma grande cozinheira como a vóvó.
bjs do Zé

Zé do Cão disse...

Rei
Vou convidar os 6 candidatos a Presidente da Republica para uma caracolada, mais o Sotraques, os seus ministros, o Dias Loureiro, o Oliveira e Costa. o Catroga,o Jardim,
da Madeira e o da Celeste.
Isto é que vai ser uma festa. O Vinho será do Cartaxo.
Abraço, não fiques com água na boca, porque não é verdade

Teté disse...

Ahahah, falou-se em festa e vim a correr... :)))

Em primeiro lugar, Zé, penso que acontece a toda a gente deixar passar a juventude e depois, mais tarde, dar conta do que ficou por fazer... É a vida! :)

Segundo essa história é hilariante, eu que adoro caracóis, se visse um pires desses, com cozidos e vivos e assim assim, acho que nem provava... nem pagava... :D

Jinhos!

Zé do Cão disse...

Teté.
foi um espectáculo inolvidável.
Vê só a pachorra que tive para mandar fazer o boneco e por quem.

Quando nos encontramos para fazer um almoço dos que restam deste grupo, está em cima da mesa, sempre o boneco.
Beijinhos

Magia da Inês disse...

Oi, meu querido amigo escritor!
Bons tempos deviam ser aqueles, não é mesmo?
Quanto aos caracóis... eu não teria coragem de comer nenhum... nem morto... quanto mais vivo!!!
Mas deve ter sido uma bagunça só... com gente gritando de todos os lados!...
Vocês aprontavam mesmo, né?
Beijinhos.
Brasil
ܓܓ ♫
°º
•*• ♫° ·.

paulofski disse...

As memórias de juventude são as que melhor ficam gravadas num saudável reviver para contar.

Acredito que os caracóis sejam um pitéu e puxem as frescas imperiais de cerveja mas, se calhar, pelo receio, e possibilidade, de encontrar um com os cornos de fora na outra ponta do palito que ainda não levei nenhum à boca.

Não sei o que perco, já me disseram, mas prefiro um pires de amendoins ou de tremoços. Pelo menos estes não se babam!...

Kim disse...

Amigo Zé!
Finalmente aqui está a "estória" que já me tinhas contado pessoalmente.
Como de costume, hilariante!
Por acaso não gosto de caracóis. Apenas de caracoletas!
Grande abraço amigo

Zé do Cão disse...

Magia da Inês
A noite dos caracóis não acabou naquele momento.
O Matias (Marçal) teve uma outra historia que a seu tempo também contarei.
Já tenho comida os bichinhos, mas se houver lavagante, sinceramente prefiro.


Beijo

Zé do Cão disse...

paulofski
Realmente as historias antigas, estão mais memorizadas do que as novas.
Todavia, eu também tenho recentes e não estou esquecido.
Algumas contadas, teria que colocar a bolinha vermelha no canto direito da página... e é cada uma....
Um abraço e há que provar uma "pratalhada" deles. Fica fã...ou não...

Zé do Cão disse...

Kim. Em primeiro lugar, aquele abraço.

Dos pequenitos já provei, das caracoletas, nunca. É que no Norte são aos milhares e ninguém as come.
Creio que têm toxinas.
Tenho uma bela historia, para um futuro próximo, relacionado com as ditas.

Abraço

SILÊNCIO CULPADO disse...


A tua vida foi linda, magnífica, vivida de forma autêntica e sempre com emoção. Nada melhor da vida que vivê-la com alegria, generosidade e aquela loucura que dá um sabor diferente.
Felizmente assentaste. Tens uma família, raízes, amigos e essa alegria esfusiante que nos contagia.
Ficamos mais ricos por te conhecermos. E ficamos mais ricos a cada história que contas, a cada irreverência que transmites.
És um intemporal maravilhoso.

Um abraço apertado

Zé do Cão disse...

Silencio

Talvez se tivesse recebido a seu tempo uns açoites bem merecidos, não fosse tão irreverente.

Um meu abraço, querida amiga

SILÊNCIO CULPADO disse...

A irreverência é um encanto em ti. Não vás nessa do par de açoites!

Abraço

Zé do Cão disse...

Silêncio
Pronto, pronto, limito-me a um puxão de orelhas.


abraço

Je Vois la Vie en Vert disse...

Gostei de rever esta história, diverti-me como da primeira vez que a contaste e deu para imaginar os bichinhos a subirem para tudo o que é sítio.
Passaram a saber o que é um sushi de caracol...
Beijinhos
Verdinha

Zé do Cão disse...

Naquela época ainda não havia sushi.
Mas que era uma época de ouro, lá isso era.

bjs

Maria disse...

Amigo Zé
Devido aos meus provectos 66 anos, quando eu nasci, as casas não passavam do 2º andar, na minha Tomar natal. O prédio mais alto era a moagem do Sr Mendes da Silva.
Um dia alguém se lembrou de fazer em frente, um prédio de 4 andares e, logo toda a gente o alcunhou de "arranhacéus". Hoje, olho para ele no meio de prédios muito mais altos e, continuo a chamar-lhe arranhacéus. Como tudo muda, amigo! Até nós. De crianças chegámos aqui. Mas sabes? Dentro de mim, continuo a ser a menina de tranças, que olhava admirada para aquele mísero prédio, admirada de haver coisas tão altas.
Beijinho Zé, sonhador como eu.
Maria

Zé do Cão disse...

Maria
É tal como somos 2 sonhadores. Mas isso faz-nos bem e ajuda-nos a viver.

Bjs

Pascoalita disse...

Deve ter sido a primeira vez que os caracois apressaram o passo eheheh

Só como dos do mar, daqueles a que chamam "buriés" e geralmente apanhados por nós.

Zezito, tens um reportório que nunca mais acaba e o engraçado é que parece que as tens guardadas em em novelo ... mal se puxa um fio e elas surgem em cadeia eheheheh

Bem podias editar em livro

jinhas

Magia da Inês disse...

Olá, amigo!
Beijinhos.
Passei para desejar um fim de semana com tudo de bom!
Brasil.
•♥•..•♥•.

Milu disse...

Olá Zé

Fartei-me de rir com esta história, pois conseguiste contá-la de uma maneira que até me fizeste imaginar as cenas. Fiquei admirada, como é que vocês, que não tinham experiência, se propuseram a incluir no menu os ditos caracóis, porque me parece que não basta cozê-los para ficarem em condições de se comerem. Digo isto porque pelo menos uma vez a minha mãe preparou caracóis, deu-lhe uma série de voltas, até que se lhes secou o ranho, só então os preparou. Lembro-me que em vez de caracóis eu preferia um prato de pipis, que era assim que era costume designar os miúdos de frango guisados. Isso sim, eu gostava, porque tinha mais "sustância"! :)

Reparei que a certa altura dizes que a tua juventude foi fugaz, isto é, sentes que ela passou rapidamente e que não a terás aproveitado tanto quanto deverias, pois olha, há quem a tenha aproveitado bem menos! Há muitas pessoas que nunca souberam o que é ser jovem, por isso nunca souberam o que é ser inconsequente, pois a juventude é isso mesmo, vivenciar uma certa loucura que no fundo é muito saudável. Digo isto porque me estou a lembrar de muitas colegas minhas da escola, que se casaram cedo e cedo tiveram filhos. Quando se tem um filho, uma parte de nós vai ao ar, nunca mais somos a mesma pessoa, porque nunca mais podemos deixar de ser responsáveis, cautelosos e previdentes. A partir desse momento existe alguém no mundo que já é mais importante do que nós e que está acima de tudo. Actualmente os jovens estão mais esclarecidos, vêem a vida com outros olhos, estão mais interessados em retirar dela o melhor que ela tem para oferecer, talvez por isso ainda não tens netos, mas só porque os teus filhos são homens deste tempo, são agentes da mudança. Com isto não quero dizer que ter filhos e netos não seja bom, apenas acho que se deve adiar até àquele momento em que estamos verdadeiramente preparados para fazer uma mudança radical nas nossas vidas. Parece que os filhos hoje saem tarde de casa dos pais, tomara que sim, que não me importo nada, que o meu filho fique aqui por casa nem que seja até aos 40 anos!
Um beijinho

Pascoalita disse...

Passando para deixar votos de um excelente final de semana

jinho grande

Zé do Cão disse...

Pascoalita
Minha querida amiga.

Que tenho andado eu a fazer que nem reparei que andaste por aqui. Julgava-te por terras do Bandarra a mandar arranjar os tacões dos sapatos ou a mandar colocar tombas dos ditos por causa de algum calo de estimação.

Beijnhos

Zé do Cão disse...

Magia
Beijos, mulher. Andei tão atarefado que nem dei pela tua presença.
As minhas desculpas
Obrigado pelas coisas lindas que chegam cá vindas do outro lado Atlântico

Zé do Cão disse...

Milú

Sinceramente já tinha saudades tuas.
Caramba, aqui digo eu, está tão bem desenvolvido o caso o comentário que me atrevo a perguntar.
Com que então o ranho dos caracóis fazia-te impressão?
E cu do "pipis" que dizes ser mais consistente, não te fazia?
áháháh...
exijo resposta.

Beijinhos minha amiga

Zé do Cão disse...

Minha querida.

Aleluia, amanhã Domingo parece que vou almoçar a Palmela no Rst. "Dona Isilda"
Digo isto, porque já nem sei à quantos anos não saio ao Domingo.
Deste os meus cumprimentos ao sapateiro da terrinha conforme te pedi?

Biquinhos

Milu disse...

Ó Zé, não me lembro de ver cu de frango nos pipis!... Só tinha moelas, fígados, pescoços e as "esgravelhadeiras", tudo cortado aos pedacinhos. Mas a minha mãe costumava aproveitar o cu, tirava-lhe apenas aquele biquito, e nunca calhava sempre ao mesmo. A todos calhava a vez de comer o cu do frango, menos ao meu pai, que como chefe da família, a trave mestra, como se costumava dizer na altura, era sempre melhor servido, mas não posso dizer que ele isso exigisse, era apenas o costume da época.

Quanto ao ranho dos caracóis fazia-me alguma impressão, mas o maior problema é que não enchem a barriga. Prefiro mil vezes comer umas amêijoas à espanhola com pão torrado e vinho verde! :)
Um beijo.

Zé do Cão disse...

ahahah...Aqui pelos meus sítios, também se juntam às esgravalheiras, pescoços, fígados e moelas os cus a que se dá o nome de pipis. Afinal até nem me parece mal, já que os pipis das aves são os cus.Existe e eu conheço até um familiar que não lava os caracóis (vai com ranho e tudo)e até preferência às caracoletas. Oportunamente terei um conto sobre uma aventura passada com ele e sobre as caracoletas.
O tal vinho verde, com ameijoas e pão torrado nunca comi, mas até é capaz de ser bom bom. Porque com "fideos" é d'stálo.

bjs

SILÊNCIO CULPADO disse...

Qierido Zé

Passo e deixo um abraço. Ainda não é tempo dos pires de caracóis. Porém também não queria os caracóis do Marçal.

Beijinhos

Zé do Cão disse...

E o curioso é que ele dizia não ter culpa pelo sucedido. A culpa foi de quem arranjou alguidares iguais. Mas era um amigo às direitas e um mártire pelas partidas que lhe faziamos.
Até um coelho lhe roubamos, tendo a seguir sido convidado para se juntar aos amigos para o comer. Só soube, quando já só restavam os ossos.

bjs

São disse...

E eu vou aceitar com todo gosto rrr

Já li "Varrer Portugal" e gostei.

E tu, quando regressa para nossa delícia?

Um abraço grande, meu querido amigo.

Zé do Cão disse...

Mas esta gente não aprende.
Segundo ouvi o "Marócas das Bochechas" escreveu hoje um artigo não sei em que jornal a dizer que o PS tem que ter cuidado com os institutos onde só se servem os amigos. Quer ele dizer da cor dele.Foi o que ele fez toda a vida...
adiante... por outras palavras, não adianta... No fim de semana, nem sei o que vai aparecer por aqui.
abraço

Pascoalita disse...

Sempre que por aqui passo, é certo e sabido que apanho uma "barrigada de riso", qdo não há história nova, são os teus "à partes que a bem da verdade, davam outra história eheheh

Poisadiei a visita à terra do sapateiro bandarra, só vou na próxima segunda feira e rezo para que o tempo melhore ... xiça!!!


jinho grande

Laura disse...

São os caracóis são os caracolitos, tadinho do Marçal mais os óculos embaciados, irra, amei caracóis vivos e meio mortos a deambular pla banda, só visto e tu só visto lembrares cosias ocorridas há um ror de anos, rapaz, és um Ás...


beijitos sem caracóis, já gostei deles mas agora nem de longe, do que te lembraste.

laura

Zé do Cão disse...

Pascoalita
Uma visita à terrinha do Bandarra nesta altura é aventura desgraçada.
Mas que pelo menos uma uma "restea de Sol" para te aquecer por essas bandas.

Biquinhos

Zé do Cão disse...

Laurinha
Minha amiguinha, tudo passa na vida e até os caracóis andando devagar também passam.
Minha amiga, como estamos de tempo aí por cima? Frio, não e? O que me tem salvo é a lareira.

Beijoquitas

Tais Luso de Carvalho disse...

Já me ofereceram caracóis...mas não deu, amigo! São bonitinhos para olhar, apenas, porém tem gente que adora!
Quanto à nossa juventude que passou, sempre pensamos que passou muito rápido; que podíamos ter feito tantas coisas que não fizemos. Será? Ou será apenas uma ilusão dos tempos que não voltam e colocamos numa escala bem alta?

Você é ótimo contador de histórias.
Beijos
tais luso

Zé do Cão disse...

Tais

histórias da vida real.Quanto à juventude e ao tempo que passou, dou-lhe razão. É isso mesmo.

Beijos

Mariazita disse...

Meu caro Zé
Passei para ver se havia novidades.
Como continuas com caraóis :)))
deixo um abraço e votos de bom fim de semana.
Beijinhos

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Zécachorramigo

Há um ror de tempo que não vinha cá; ou pouco menos, embora, do que que levas sem me visitar... Amor com amor se pega, digo, paga.

Agora, com esta explanação caracólica já percebo o motivo das óturidades terem decretado a interdição de distúrbios, correlativos & afins na via pública, em especial nas esplanadas e mesmo até nas ex planadas.

Prontos (sem s), por aqui me fico. Espero por ti lá na minha casota. Vai haver PASSATEMPO/CONCURSO daqui a dias. Vê lá se não tenho de te marcar falta... hahahahahaha

Abs

Zé do Cão disse...

Mariazita

Tenho por aqui uma pequena avaria e espero amanhã Domingo já ter o problema ultrapassado.
Beijokitas

Zé do Cão disse...

Henrique

Eu me penitencio, mas acredito não é por mal.
Criamos hábitos, e depois falamos redondamente.

Abraço