Já aqui referi várias vezes que residi numa Cidade do Minho, vinte anos. Deslocava-me com grande regularidade à Capital e usava indistintamente, o automóvel, comboio e autocarro expresso.
Nunca percebi a razão por que os naturais daquela cidade preferiam determinada empresa em detrimento de outras, quando estas tinham autocarros de luxo, limpos e com preços, que em alguns casos até era mais baratos. Essa empresa, fazia as viagens completamente cheias e as outras quando tinham metade dos passageiros, já faziam uma "festa". Viajei nas duas e aponto que certa vez tive necessidade de usar a casa de banho e em vez de sanita, tinha um buraco no chão por onde se via o asfalto da estrada. Claro, passou-me logo a vontade, não fosse por minha causa, alguma viatura que circulasse atrás apanhar com o "melaço" no pára brisas e consequentemente haver um acidente de trágicas consequências. Sempre fui muito responsável e previdente, não acham?
Pelo corredor do autocarro era arrastada uma caixa de cervejas, vendidas aos passageiros a peso de ouro. Todavia, não tinham à venda ou para aluguer, mascaras anti-gás. É que alguns passageiros descalçavam-se para repousar os pés durante todo o percurso.
Certa vez, e numa viagem feita à noite, fui passageiro num dos autocarros da Mundial Turismo, a caminho de Lisboa. Autocarro de luxo, preço mais barato do que os outros, com hospedeira que nos servia, chá café ou laranjada, gratuitamente. Com os auscultadores nos ouvidos vinha entretido a ouvir um programa de rádio. A casa de banho era na parte traseira do autocarro e uma senhora, talvez de 50/55 anos levantou-se encaminhando-se para ela. Deitei suavemente um olho de soslaio, fechei os olhos e continuei interessado nos meus pensamentos. Um largo tempo depois, chegou a minha vez de utilizar a casa de banho. Retiro os auscultadores, penduro-os no banco da frente, levanto-me e avanço para o banheiro. A porta encontrava-se entreaberta, empurro-a, e deparo com esta cena. A "Madama", em pé, à janela, apreciando presumivelmente a paisagem que a lua tinha daquele ângulo, voltada de costas para a porta, com o vestido arregaçado para cima, deixando à vista uma cinta de pernas de cor creme, apertadinha à sua "bunda".
Não fiquei paralisado, a observar causa tão insólita, mas que devia ter dado um bom sorriso, isso decerto aconteceu. E é, que o marido ou seu acompanhante levantou-se e veio ter comigo no sentido de dar-me uma descompostura por ter tido o atrevimento de abrir a porta com uma senhora a ocupar o WC. (enquanto ela na mesma posição e sem se voltar ia ouvindo a conversa.) Os passageiros começaram todos a olhar para trás, e eu contra meu hábito descontrolei-me, respondendo assim.
Eu tenho alguma culpa de ter encontrado a porta entreaberta e a senhora estar ali à janela de cú virado para mim? Porra, até já perdi a vontade de urinar, disse eu, encaminhando-me para o meu lugar.
Acho que o cavalheiro também estava descontrolado (pudera a sua companheira a andar a mostrar o "rabinho" ao primeiro que lhe aparecesse)," eu sei bem qual era a sua vontade", respondeu ele, causando a galhofa entre os outros passageiros.
Sentei-me, coloquei os auscultadores e no programa de rádio um fadista cantava o "O Fado do Embuçado". Com um sorriso maroto no semblante, pensei com os meus botões. O que acabei de ver, também estava embuçado, mas com "burca", nem consegui ver o olho.
Para ocupar o seu lugar, a Senhora, "tal Rainha" passou por mim, mas como vinha de trás nem tive a oportunidade de lhe ver a cara, fiquei-me pelo traseiro.




































