Em 1973, a Direcção da Federação Portuguesa de Campismo foi convidada pelo clube de Campismo de Penacova para estar presente num Magusto, que se realizaria naquela localidade, com o patrocínio da Câmara Municipal, também extensiva aos seus familiares.
Confesso que nunca tinha ido a Penacova, que fiquei interessado em conhecer e acima de tudo conviver e comemorar a festa em honra de S. Martinho.
Em casa dos meus pais (dia de anos do progenitor) a coisa piava fino. Era um dia aguardado religiosamente e, na mesa grande, talvez aí de 4 metros de comprido de bancos corridos, sentavam-se para jantar na noite de 10 para 11 de Novembro, além dos da casa, mais uns familiares e amigos, ficando a mesa cheia e às vezes ainda tínhamos de apertar os cotovelos, já que sempre aparecia mais alguém.
O repasto era de primeira qualidade: línguas de bacalhau, caras, lagosta salgada, comprada numa das casas da rua do Arsenal, mesmo ali ao Cais do Sodré – pois é, como na cantiga do Rodrigo. Atum salgado, vindo expressamente da Madeira, acompanhado de couves, batatas, couve-flor, azeite das nossas quintas, água-pé de moscatel e da normal, jarros enormes de vinho tinto da nossa adega e castanhas, muitas castanhas, movendo-se o céu e a terra, porque se fazia questão de serem de Carrazedo de Ansiães. Pela meia-noite era lançados uns foguetes, restos das festas litúrgicas da Nossa Senhora da Soledade.
Foi sempre assim desde que me conheci, mas neste ano resolvi falhar em casa e saltar com os amigos, para estar presente no meu primeiro baptismo de um Magusto fora do meu habitat.
Penacova fica num alto e no largo da Câmara tem um miradouro, de onde se aprecia uma paisagem impressionante. As gentes do campo, com cabazes de verga à cabeça iam chegando e colocavam o que ofereciam para dar de comer aos visitantes. Não contei os presentes, mas posso calcular que seriam para cima de 800, e admitia não ser possível arranjar gratuitamente tanta comida para aquela multidão. Mas o número de ofertantes, conforme as horas se aproximavam, ia aumentando e a dada altura já não havia mesas que chegassem para tanta comida. Desde galos, coelhos, chouriços, presuntos, morcelas, cozido à portuguesa, garrafões e garrafões de vinho, nada faltava, naquelas mesas fartas que as gentes de Penacova desinteressadamente encheram. Com a colaboração do Corpo de Bombeiros, foi feita uma fogueira de tamanho colossal, onde foram colocadas sacas e sacas de castanhas para saciar os nossos desejos.
Pois aquelas mulheres, que trouxeram à cabeça toda aquela comida, algumas dos confins do Concelho, arregaçavam as mangas e deitavam-se ao trabalho de partir, assar, fatiar presuntos, cortar o pão, preparar copos, separar vinhos, enfim, uma organização impecável e digna de ser comentada como exemplo de como se organiza uma festa popular.
Tirei imensas fotografias e ilustro este conto com uma senhora a assar chouriços de sua oferta, que me chamou a atenção pela tamanho do seu bigode, chamuscado pela labareda do álcool e cujo marido aproveitava a ocasião, já com grão na asa, para brincar com o buço da sua cara metade, não se sentindo ela nada ofendida e dando largas à sua satisfação. Admito que deveria ter sido a mais fotografada no magusto.
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Confesso que nunca tinha ido a Penacova, que fiquei interessado em conhecer e acima de tudo conviver e comemorar a festa em honra de S. Martinho.
Em casa dos meus pais (dia de anos do progenitor) a coisa piava fino. Era um dia aguardado religiosamente e, na mesa grande, talvez aí de 4 metros de comprido de bancos corridos, sentavam-se para jantar na noite de 10 para 11 de Novembro, além dos da casa, mais uns familiares e amigos, ficando a mesa cheia e às vezes ainda tínhamos de apertar os cotovelos, já que sempre aparecia mais alguém.
O repasto era de primeira qualidade: línguas de bacalhau, caras, lagosta salgada, comprada numa das casas da rua do Arsenal, mesmo ali ao Cais do Sodré – pois é, como na cantiga do Rodrigo. Atum salgado, vindo expressamente da Madeira, acompanhado de couves, batatas, couve-flor, azeite das nossas quintas, água-pé de moscatel e da normal, jarros enormes de vinho tinto da nossa adega e castanhas, muitas castanhas, movendo-se o céu e a terra, porque se fazia questão de serem de Carrazedo de Ansiães. Pela meia-noite era lançados uns foguetes, restos das festas litúrgicas da Nossa Senhora da Soledade.
Foi sempre assim desde que me conheci, mas neste ano resolvi falhar em casa e saltar com os amigos, para estar presente no meu primeiro baptismo de um Magusto fora do meu habitat.
Penacova fica num alto e no largo da Câmara tem um miradouro, de onde se aprecia uma paisagem impressionante. As gentes do campo, com cabazes de verga à cabeça iam chegando e colocavam o que ofereciam para dar de comer aos visitantes. Não contei os presentes, mas posso calcular que seriam para cima de 800, e admitia não ser possível arranjar gratuitamente tanta comida para aquela multidão. Mas o número de ofertantes, conforme as horas se aproximavam, ia aumentando e a dada altura já não havia mesas que chegassem para tanta comida. Desde galos, coelhos, chouriços, presuntos, morcelas, cozido à portuguesa, garrafões e garrafões de vinho, nada faltava, naquelas mesas fartas que as gentes de Penacova desinteressadamente encheram. Com a colaboração do Corpo de Bombeiros, foi feita uma fogueira de tamanho colossal, onde foram colocadas sacas e sacas de castanhas para saciar os nossos desejos.
Pois aquelas mulheres, que trouxeram à cabeça toda aquela comida, algumas dos confins do Concelho, arregaçavam as mangas e deitavam-se ao trabalho de partir, assar, fatiar presuntos, cortar o pão, preparar copos, separar vinhos, enfim, uma organização impecável e digna de ser comentada como exemplo de como se organiza uma festa popular.
Tirei imensas fotografias e ilustro este conto com uma senhora a assar chouriços de sua oferta, que me chamou a atenção pela tamanho do seu bigode, chamuscado pela labareda do álcool e cujo marido aproveitava a ocasião, já com grão na asa, para brincar com o buço da sua cara metade, não se sentindo ela nada ofendida e dando largas à sua satisfação. Admito que deveria ter sido a mais fotografada no magusto.
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