Moscatel, feito pelo pai do Zé em 1944. É a única que existe
Já várias vezes referi no meu blogue que o meu pai era vinhateiro. Tinha quintas, pessoal, tinha o João Pião que deu motivo ao meu conto sobre o jerico.
Recordo com saudade a grandiosidade das adegas, dos lagares, dos tonéis, das pipas, dos barris, dos funis de madeira, das prensas de pedra para espremer os engaços, os chapéus dos trabalhadores sujos com o mosto, de uns anos para os outros, por transportarem à cabeça as uvas das camionetas para os lagares e a pisa cadenciada, sem cantares nem concertina (isso eram coisas do Norte), mas em alternativa havia sempre uma anedota mais picante que às vezes roçava o ordinário.
O pai António era um homem organizado e, quando chegavam os últimos dias de Julho, pegava na sua pasteleira e ia até Cabanas, povoação do concelho de Palmela, onde um amigo de longa data era o seu representante na região, para lhe dar dicas das propriedades onde as cepas estavam mais compostas e com perspectivas de bons cachos para fazerem vinho.
É que, para a quantidade que necessitava para fazer o precioso líquido, as uvas das suas propriedades não chegavam, tendo por isso de negociar com outros agricultores.
O Zé vivia habituado a tudo aquilo e ano após ano o ritual repetia-se. Como eu recordo as uvas comprada na Barra Cheia, concelho do Barreiro, a uma senhora solteira já a entrar na casa dos 60 anos, mulher do campo, que só uma vez sonhou em namorar, e até esse pretendente não passava do Stº. Hilário, imaginário que a aguardaria num dos corredores do céu, no sentido de lhe pedir contas pelo facto de não ter arranjado marido para a ajudar nas lidas do campo.
O negócio foi de vulto e a senhora, convidada do meu pai, teve honras de embaixadora em representação da Barra Cheia para comer e ficar em nossa casa com a sobrinhita a um fim de semana, depois de receber o valor das arrobas de uvas, pesadas na balança de pilão, que a sua quinta tinha produzido.
Já depois de deitadas, não recordo porquê, a mãe Júlia teve necessidade de entrar no quatro. Bate, entra e depara com a D. Cesaltina com as suas próprias cuecas (tipo clótes) enfiada na cabeça, onde no sítio da “parrachita” aparecia uma mancha amarelada, fruto de uma mijadinha menos controlada. O Zé, que tinha sido admoestado para não entrar, mas não fugiu à tentação de dar uma olhadela, e como seria de esperar desatei a rir à gargalhada, pois as pernas da peça em causa não deixavam ver as orelhas.
Prometi a mim mesmo não contar a ninguém o que tinha visto, coisa digna de um filme-comédia italiano dos anos 60. Podem calcular que cumpri escrupulosamente e no outro dia não contei a alguém que se chamasse ninguém, mas em contrapartida não houve gato nem cão que não ouvisse da minha boca a historia das cuecas enfiadas na cabeça.
Quantas vezes fui ao Efem Rodrigues, à Rua da Prata em Lisboa, buscar as análise que com toda a regularidade o meu pai mandava fazer ao vinho e comprar produtos de correcção, de forma a manter inalterável a qualidade do precioso néctar.
E até a mãe Júlia, aproveitada bem a ocasião para fazer um doce de uva, coisa que jamais comi de paladar tão requintado. Nada igual ao que já provei recentemente e adquirido em supermercado.
Em Monsaraz, quando numa extensão da visita que fiz a Alqueva, para apreciar a barragem que originou o maior lago artificial da Europa e que num futuro muito próximo se tornará no maior lago conspurcado do Mundo, tais são as imundícies que por ele flutuam, adquiri um frasco de doce de uva branca, que comprei imediatamente para fazer comparação com o que as minhas glândulas gustativas acusam e fiquei mais uma vez decepcionado.
Em traços gerais, estas são recordações que tenho das azáfamas do Vinho e dos meus tempos de menino.
Recordo com saudade a grandiosidade das adegas, dos lagares, dos tonéis, das pipas, dos barris, dos funis de madeira, das prensas de pedra para espremer os engaços, os chapéus dos trabalhadores sujos com o mosto, de uns anos para os outros, por transportarem à cabeça as uvas das camionetas para os lagares e a pisa cadenciada, sem cantares nem concertina (isso eram coisas do Norte), mas em alternativa havia sempre uma anedota mais picante que às vezes roçava o ordinário.
O pai António era um homem organizado e, quando chegavam os últimos dias de Julho, pegava na sua pasteleira e ia até Cabanas, povoação do concelho de Palmela, onde um amigo de longa data era o seu representante na região, para lhe dar dicas das propriedades onde as cepas estavam mais compostas e com perspectivas de bons cachos para fazerem vinho.
É que, para a quantidade que necessitava para fazer o precioso líquido, as uvas das suas propriedades não chegavam, tendo por isso de negociar com outros agricultores.
O Zé vivia habituado a tudo aquilo e ano após ano o ritual repetia-se. Como eu recordo as uvas comprada na Barra Cheia, concelho do Barreiro, a uma senhora solteira já a entrar na casa dos 60 anos, mulher do campo, que só uma vez sonhou em namorar, e até esse pretendente não passava do Stº. Hilário, imaginário que a aguardaria num dos corredores do céu, no sentido de lhe pedir contas pelo facto de não ter arranjado marido para a ajudar nas lidas do campo.
O negócio foi de vulto e a senhora, convidada do meu pai, teve honras de embaixadora em representação da Barra Cheia para comer e ficar em nossa casa com a sobrinhita a um fim de semana, depois de receber o valor das arrobas de uvas, pesadas na balança de pilão, que a sua quinta tinha produzido.
Já depois de deitadas, não recordo porquê, a mãe Júlia teve necessidade de entrar no quatro. Bate, entra e depara com a D. Cesaltina com as suas próprias cuecas (tipo clótes) enfiada na cabeça, onde no sítio da “parrachita” aparecia uma mancha amarelada, fruto de uma mijadinha menos controlada. O Zé, que tinha sido admoestado para não entrar, mas não fugiu à tentação de dar uma olhadela, e como seria de esperar desatei a rir à gargalhada, pois as pernas da peça em causa não deixavam ver as orelhas.
Prometi a mim mesmo não contar a ninguém o que tinha visto, coisa digna de um filme-comédia italiano dos anos 60. Podem calcular que cumpri escrupulosamente e no outro dia não contei a alguém que se chamasse ninguém, mas em contrapartida não houve gato nem cão que não ouvisse da minha boca a historia das cuecas enfiadas na cabeça.
Quantas vezes fui ao Efem Rodrigues, à Rua da Prata em Lisboa, buscar as análise que com toda a regularidade o meu pai mandava fazer ao vinho e comprar produtos de correcção, de forma a manter inalterável a qualidade do precioso néctar.
E até a mãe Júlia, aproveitada bem a ocasião para fazer um doce de uva, coisa que jamais comi de paladar tão requintado. Nada igual ao que já provei recentemente e adquirido em supermercado.
Em Monsaraz, quando numa extensão da visita que fiz a Alqueva, para apreciar a barragem que originou o maior lago artificial da Europa e que num futuro muito próximo se tornará no maior lago conspurcado do Mundo, tais são as imundícies que por ele flutuam, adquiri um frasco de doce de uva branca, que comprei imediatamente para fazer comparação com o que as minhas glândulas gustativas acusam e fiquei mais uma vez decepcionado.
Em traços gerais, estas são recordações que tenho das azáfamas do Vinho e dos meus tempos de menino.
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