Já passaram 50 anos. O pai do Zé (de seu nome António) resolveu tirar a carta de condução para conduzir moto, até 200 cm3.
Para a sua idade e pessoa ligada ao campo mexia-se muito bem, pois diariamente percorria uns largos quilómetros de “pasteleira” nas andanças pelas suas quintas.
Homem de outra época, quis aderir à modernice do transporte motorizado e adquiriu uma scooter da marca “Lambreta”.
Era a moda, o progresso em desenvolvimento constante.
Foi o Zé que a foi levantar a um stand ali para os lados do Conde Redondo. Reluzia, era linda.
Ao António faltava o documento que o autorizava a conduzi-la. Em curso acelerado, tratou de ler e reler o código de estradas e a aprendizagem prática foi feita dentro de uma das suas quintas, sem prejuízos de maior, já que os pessegueiros e as cerejeiras não se queixavam pela quebra de algumas pernadas, quando precipitadamente se enfiava por elas dentro.
Para se candidatar ao exame teve que ir ao Delegado de Saúde do concelho, tendo este que atestar a sua robustez, saúde mental e aptidão para o efeito.
O médico, seu conhecido de longa data e em especial pelo S. Martinho, quando visitava as nossas adegas para levantar à “borliú” uns garrafões de água pé, feita com uvas moscatel, coisa em que meu pai tinha tanto orgulho, pois não era vulgar os vinhateiros usarem uva tão nobre.
O meu progenitor era pessoa saudável e tinha boa vista, pelo que nunca compreendemos por que carga de água o Delegado resolveu mandá-lo fazer um exame aos olhos, numa policlínica onde trabalhava um especialista seu amigo.
Com uma “cachola” enorme, onde nem com certeza caberia um saco de batatas, lá foi, dando ais à vida, como se tratasse de ir ao cadafalso.
Depois de ler a carta que lhe era endereçada, o especialista fez um exame de tal forma rigoroso, que aí o paciente (?) desconfiou. Alegando que necessitava de fazer um exame, que ali não dispunha de condições, mandou-o ao seu consultório particular, sito nos Restauradores.
O “velhote” teve medo de alguma tramóia e nos entretantos de uma e outra consulta arranca à papo-seco, direitinho para a rua do Passadiço onde marcou e teve consulta imediata no Instituto Gama Pinto. Explicou que a necessidade da consulta se ligava a exame de carta de condução.
O exame foi feito, demorou o seu tempo e duas horas depois encontrava-se na rua com o papel devidamente autenticado, atestando que não sofria de qualquer anomalia na vista.
Mesmo assim, com receio de que o médico da policlínica, amigo do delegado, informasse este de que a consulta tinha sido abandonada, foi aos Restauradores sujeitar-se à continuidade da dita..
Para a sua idade e pessoa ligada ao campo mexia-se muito bem, pois diariamente percorria uns largos quilómetros de “pasteleira” nas andanças pelas suas quintas.
Homem de outra época, quis aderir à modernice do transporte motorizado e adquiriu uma scooter da marca “Lambreta”.
Era a moda, o progresso em desenvolvimento constante.
Foi o Zé que a foi levantar a um stand ali para os lados do Conde Redondo. Reluzia, era linda.
Ao António faltava o documento que o autorizava a conduzi-la. Em curso acelerado, tratou de ler e reler o código de estradas e a aprendizagem prática foi feita dentro de uma das suas quintas, sem prejuízos de maior, já que os pessegueiros e as cerejeiras não se queixavam pela quebra de algumas pernadas, quando precipitadamente se enfiava por elas dentro.
Para se candidatar ao exame teve que ir ao Delegado de Saúde do concelho, tendo este que atestar a sua robustez, saúde mental e aptidão para o efeito.
O médico, seu conhecido de longa data e em especial pelo S. Martinho, quando visitava as nossas adegas para levantar à “borliú” uns garrafões de água pé, feita com uvas moscatel, coisa em que meu pai tinha tanto orgulho, pois não era vulgar os vinhateiros usarem uva tão nobre.
O meu progenitor era pessoa saudável e tinha boa vista, pelo que nunca compreendemos por que carga de água o Delegado resolveu mandá-lo fazer um exame aos olhos, numa policlínica onde trabalhava um especialista seu amigo.
Com uma “cachola” enorme, onde nem com certeza caberia um saco de batatas, lá foi, dando ais à vida, como se tratasse de ir ao cadafalso.
Depois de ler a carta que lhe era endereçada, o especialista fez um exame de tal forma rigoroso, que aí o paciente (?) desconfiou. Alegando que necessitava de fazer um exame, que ali não dispunha de condições, mandou-o ao seu consultório particular, sito nos Restauradores.
O “velhote” teve medo de alguma tramóia e nos entretantos de uma e outra consulta arranca à papo-seco, direitinho para a rua do Passadiço onde marcou e teve consulta imediata no Instituto Gama Pinto. Explicou que a necessidade da consulta se ligava a exame de carta de condução.
O exame foi feito, demorou o seu tempo e duas horas depois encontrava-se na rua com o papel devidamente autenticado, atestando que não sofria de qualquer anomalia na vista.
Mesmo assim, com receio de que o médico da policlínica, amigo do delegado, informasse este de que a consulta tinha sido abandonada, foi aos Restauradores sujeitar-se à continuidade da dita..
Segue na próxima semana – tempo suficiente para se preparar para o exame.
.








