O Zé com o seu grupo “Os Lacinhos” no Carnaval das Belas Artes
Fui sempre um entusiasta pelo carnaval. Tinha parceiros fixos e habituais para brincadeiras carnavalescas. Quando chegava a época, o Zé e os seus pares escolhiam um local de diversão e partíamos de abalada para uma noite de rebentar o balão.
O traje era o de ocasião, conforme o local e a “faena”. Ficar a ver passar o Carnaval ao meu lado sem procurar fazer parte não era coisa para o meu feitio.
O ano já não recordo, sei que já passou muito tempo, talvez no princípio dos anos 50. Era cantor de moda o Alberto Ribeiro, que foi protagonista com Amália Rodrigues no filme “Capas Negras”. Aquela voz partia os corações mais empedernidos das moçoilas. «Coimbra é uma lição de fado e tradição» e o trinar da guitarra arrastava multidões para junto das telefonias. A televisão ainda não tinha chegado. Mas o gosto de me divertir pelo carnaval, esse, tinha-me chegado desde pequeno.
Que havia nesses tempos para a juventude? Enumero o que não havia e já me basta.
Não havia droga, não havia bares nocturnos para a juventude se perder, não havia tantos subornos, assassinatos, roubos de automóveis (também não havia carros, como agora), assaltos de rua e tantos impunes. Como tenho saudades desses tempos, presumivelmente é por isso que recordo aqui esta passagem carnavalesca.
No sitio onde nasci e vivi até aos 30 anos, existia um grupo de 14 rapazes todos amigos e conhecidos dos tempos da instrução primária. Uns cujos seus pais tinham posses e outros não tanto, mas amigos do coração. Poderíamos mesmo chamar a esse grupo os 14 mosqueteiros, porque o lema era um por todos e todos por um.
Entre eles não posso esquecer o Matias, porque além de não ter pai e mãe desde pequenito, vivendo portanto um mês em casa de cada irmão e com dificuldades financeiras de tal ordem que o impossibilitava de nos acompanhar, nunca deixou de o fazer, porque os gastos que lhe seriam atribuídos eram liquidados por todo o restante do grupo.
Tinha ainda a agravante de ser extremamente míope e gago. Os seus óculos pareciam o fundo de um copo de “três” daqueles das antigas tabernas.
Quando as suas cangalhas (óculos) de plástico e a que se chamava de tartaruga se partiam, era uma delícia apreciar o Matias sem ver e a gaguejar (era um espectáculo).
A maioria tocava “banjo” e um tocava viola, enquanto os outros com caixas de costura da Singer (as meninas iam tirar o corte àquela empresa), com garrafas de vinho do Porto dentro, faziam uma orquestra de primeiríssima qualidade.
O Alberto Ribeiro organizou uma festa de carnaval nas Belas Artes, em Lisboa, e como aliciante tinha também os palhaços do Coliseu.
Comprámos bilhetes, subimos a avenida da Liberdade a pé e, quando chegámos á esquina com a Barata Salgueiro, metemo-nos em três taxis e mandámos avançar para as Belas Artes. Os motoristas ainda perguntaram por que não íamos a pé, sendo-lhes respondido que assim a nossa chegada tinha mais impacto. O porteiro de sobretudo verde e galões amarelos abre-nos a porta e nem sequer nos pediu os bilhetes da nossa mesa e de entrada, julgando que nós éramos os palhaços do Coliseu. Quando nos viram entrar, a orquestra parou à espera da nossa actuação.
Dirigimo-nos à nossa mesa, colocámos em cima dela um tacho de alumínio cheio de lamejinhas (moluscos bivalves, que especialmente se criam nos estuários dos rios Tejo, Sado e Arade, em Portimão) feitas a preceito pela mãe do Albano no fogareiro a petróleo do meu conto “O Hipólito, Castanhas e o Tinto de 3 de Novembro de 2008”, acompanhadas com Vinho do Porto e espumante tendo até o cantor da moda vindo degustar da nossa especialidade.
Foi uma noite de glória para “Os Lacinhos” (nome do grupo) e uma noite de partir o “coco” para os outros presentes.
O traje era o de ocasião, conforme o local e a “faena”. Ficar a ver passar o Carnaval ao meu lado sem procurar fazer parte não era coisa para o meu feitio.
O ano já não recordo, sei que já passou muito tempo, talvez no princípio dos anos 50. Era cantor de moda o Alberto Ribeiro, que foi protagonista com Amália Rodrigues no filme “Capas Negras”. Aquela voz partia os corações mais empedernidos das moçoilas. «Coimbra é uma lição de fado e tradição» e o trinar da guitarra arrastava multidões para junto das telefonias. A televisão ainda não tinha chegado. Mas o gosto de me divertir pelo carnaval, esse, tinha-me chegado desde pequeno.
Que havia nesses tempos para a juventude? Enumero o que não havia e já me basta.
Não havia droga, não havia bares nocturnos para a juventude se perder, não havia tantos subornos, assassinatos, roubos de automóveis (também não havia carros, como agora), assaltos de rua e tantos impunes. Como tenho saudades desses tempos, presumivelmente é por isso que recordo aqui esta passagem carnavalesca.
No sitio onde nasci e vivi até aos 30 anos, existia um grupo de 14 rapazes todos amigos e conhecidos dos tempos da instrução primária. Uns cujos seus pais tinham posses e outros não tanto, mas amigos do coração. Poderíamos mesmo chamar a esse grupo os 14 mosqueteiros, porque o lema era um por todos e todos por um.
Entre eles não posso esquecer o Matias, porque além de não ter pai e mãe desde pequenito, vivendo portanto um mês em casa de cada irmão e com dificuldades financeiras de tal ordem que o impossibilitava de nos acompanhar, nunca deixou de o fazer, porque os gastos que lhe seriam atribuídos eram liquidados por todo o restante do grupo.
Tinha ainda a agravante de ser extremamente míope e gago. Os seus óculos pareciam o fundo de um copo de “três” daqueles das antigas tabernas.
Quando as suas cangalhas (óculos) de plástico e a que se chamava de tartaruga se partiam, era uma delícia apreciar o Matias sem ver e a gaguejar (era um espectáculo).
A maioria tocava “banjo” e um tocava viola, enquanto os outros com caixas de costura da Singer (as meninas iam tirar o corte àquela empresa), com garrafas de vinho do Porto dentro, faziam uma orquestra de primeiríssima qualidade.
O Alberto Ribeiro organizou uma festa de carnaval nas Belas Artes, em Lisboa, e como aliciante tinha também os palhaços do Coliseu.
Comprámos bilhetes, subimos a avenida da Liberdade a pé e, quando chegámos á esquina com a Barata Salgueiro, metemo-nos em três taxis e mandámos avançar para as Belas Artes. Os motoristas ainda perguntaram por que não íamos a pé, sendo-lhes respondido que assim a nossa chegada tinha mais impacto. O porteiro de sobretudo verde e galões amarelos abre-nos a porta e nem sequer nos pediu os bilhetes da nossa mesa e de entrada, julgando que nós éramos os palhaços do Coliseu. Quando nos viram entrar, a orquestra parou à espera da nossa actuação.
Dirigimo-nos à nossa mesa, colocámos em cima dela um tacho de alumínio cheio de lamejinhas (moluscos bivalves, que especialmente se criam nos estuários dos rios Tejo, Sado e Arade, em Portimão) feitas a preceito pela mãe do Albano no fogareiro a petróleo do meu conto “O Hipólito, Castanhas e o Tinto de 3 de Novembro de 2008”, acompanhadas com Vinho do Porto e espumante tendo até o cantor da moda vindo degustar da nossa especialidade.
Foi uma noite de glória para “Os Lacinhos” (nome do grupo) e uma noite de partir o “coco” para os outros presentes.
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